sexta-feira, 14 de junho de 2013

'AQUELES SOBRE QUEM PODER NÃO TEVE A MORTE...'




CARTA ABERTA AO CHEFE DO ESTADO MAIOR DA FORÇA AÉREA
 4/6/13
 As minhas saudações a V. Exª.
 Acabo de ser espoliado do meu complemento de pensão de reforma (CPR).
 De tal unilateral, mas certamente muito democrática medida, fui informado, oficialmente, através do ofício nº 2511,de 17 de Maio, da Direcção de Finanças.
 Parto do princípio de que tal complemento me foi atribuído em função dos préstimos da minha actividade profissional desenvolvida ao serviço do Estado e da Nação, e não por qualquer devaneio de gente insana, resquício revolucionário, tão pouco por um capricho de favorecimento ilícito.
 Não tendo, outrossim, dado conta de me ter sido levantado qualquer processo judicial que pudesse ter posto em causa a percepção de tal CPR, apenas posso concluir haver alguém, um dia destes, ter acordado mal disposto decidindo, por sua alta recriação, despojar-me de tal quantia, apesar de minguada.
 A explicação que recebi de V. Exª que, supostamente, me tutela e à instituição que servi, durante 27 anos, pouco adianta – confesso – ao meu entendimento sobre as razões de tal esbulho, embora deva reconhecer, o esforço que dispensaram a esse intento, já para não referir o papel e tinta, gastos.
 Seguramente, por entendimento néscio da minha parte, apesar de – quero deixar claro – ter concluído em tempo e com algum brilhantismo, a antiga 4ª classe, e já não ter sido abrangido por nenhum curso saído de Bolonha, dizia, não consegui perceber patavina do que me avançaram.
Apenas intuí estar perante mais uma infame mescla de engenharia financeira, administrativa e jurídica, a qual fazendo corresponder a um triclínico artigo ou a uma estrambólica alínea ou despacho, uma certa quantia em euros, até que a totalidade da reforma a receber no mês em causa e seguintes, equivalesse a essa descoberta maior da civilização árabe, que dá pelo nome de “zero”.
 Como não consegui entender, apesar de ainda continuar a passar nas inspecções médicas a que sou obrigado para continuar a poder desafiar as leis da gravidade – coisa que a nobre instituição que reunia os dois vocábulos “Força” e “Aérea”, está em vias de deixar de fazer – venho solicitar a V. Exª se digne informar-me das razões objectivas pelas quais fui objecto deste exercício de disparo à carteira, modalidade que nunca fez parte dos parâmetros avaliados na Carreira de Tiro de Alcochete…
E como deixei de acreditar no Estado – que me mente e me rouba, sem que, pelos vistos, isso cause a mais pequena perturbação psicossomática em toda a cadeia hierárquica – e que ainda conheci, minimamente, como “pessoa de bem” ; me educaram que a existência de sindicatos era incompatível com o exercício do “mister das armas”, e que os “Chefes” se preocupavam e defendiam os seus homens (agora também tenho de dizer, mulheres!) vejo-me órfão de pai e mãe, chefe de esquadra e juiz de comarca!
 Talvez o Sr. General, do alto do brilho prateado das estrelas me possa elucidar sobre o que devo fazer.
 Um ponto (aquele em que me avisa? Ameaça? Discorre?) porém, existe no tal ofício, com que me agraciou no seu esplendor comunicacional, que ainda se entende menos: sobre o modo como me irá surripiar o que indevidamente me pagaram desde o princípio do ano, dado que tal medida devia ter sido posta em prática, no pretérito dia 1 de Janeiro.
 A competência dos serviços, de que V. Exª é o topo da pirâmide, desvela-me e só é comparável à intrigante dúvida de como pensam ressarcir-se de tal pecúlio, já que não tocam no meu vencimento dado o mesmo ter sido transferido para a CGA, entretanto alcunhado de reforma.
 Estou certo de que descobrirão uma forma – sobretudo desde que, lamentavelmente, deixaram entrar os esbirros das finanças, vasculhar nas contas das unidades – mas, também, estou certo que tendo sido voluntário para ingressar na FA, não o serei para colaborar nesse intento.
 Posso até garantir, que só não entrarei “ao passo”, se não puder.
 Esmagado pela evidência de tão lídimo amplexo de virtudes cívicas e militares,
 Subescrevo-me
 Atento, nada venerando e desobrigado
João J. Brandão Ferreira
 TCorPilAv (Ref.)
  014391-L
 (Das mui antigas, nobres, por vezes gloriosas, mas quase extintas,  Forças Armadas Portuguesas)
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Apetece recordar que o Hino Nacional de Portugal apela ao patriotismo dos portugueses, lança o grito  'contra os canhões, marchar...marchar' para que não haja dúvidas de que os portugueses não têm sangue de aranha, como parece ser o caso de alguns que se apelidam de 'chefes', porque CHEFE é aquele que lidera sem ditadura, aquele que se faz obedecer pelo exemplo, que usa de justiça nas relações com aqueles que estão sobre as suas ordens. 
Ao chefe compete defender o subordinado quando este é vítima das injustiças vindas das cúpulas, e jamais esconder a cara às diatribes das autoridades supostamente superiores, porque quem não sabe defender os que o servem...
Ser Chefe é uma honra e quem tem a dita de encontrar um Homem capaz de se afirmar como líder em todas as circunstâncias, é uma pessoa feliz!