domingo, 27 de janeiro de 2013

O ADEUS A UM HERÓI

Jaime Neves morre aos 73 anos
Morreu o 'Jaimito' da ti'Joana da B.A.3! Quem esteve nesta Base, por alturas do 11 de Março e no Verão quente de 1975, sabe o quanto ficou a Democracia a dever a este 'Senhor da Guerra', que era o mais humilde dos genros, no dizer da 'orgulhosa' sogra que era a ti'Joana.
Jaime Alberto Gonçalves das Neves nasceu no dia 24 de Março de 1936 e  entrou em 1953 para a Escola do Exército.  Realizou uma comissão de serviço entre os anos 1958 e 1960, sendo subsequentemente destacado para África,  onde cumpriu quatro missões: duas em Angola e duas em  Moçambique.
Era Tenente Coronel  graduado em Coronel nesse célebre Verão Quente de 1975 e comandava o Regimento de Comandos. Foi agraciado a 13 de Julho de 1995, pelo então presidente da República, Mário Soares, com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito ascendendo ao posto de Coronel.
Foi promovido a Major-General, por proposta do Exército e com a aprovação das chefias de todos os Ramos das Forças Armadas e após sugestão de Ramalho Eanes e Rocha Vieira . A promoção teve com base no seu papel durante o 25 de Novembro, que veio a colocar um fim no PREC,  "tendo em conta o papel muito relevante que Jaime Neves teve para evitar que Portugal caísse numa ditadura comunista",  além de "garantir que Portugal seguia no sentido do pluralismo, da Democracia e da liberdade de expressão". As chefias militares consideraram que o seu "mérito e os serviços prestados à Pátria" justificam a "promoção por distinção". A promoção a Major-General foi confirmada pelo Presidente da República, Cavaco Silva, em 14 de Abril de 2009. 
Decreto do Presidente da República n.º 38/2009 de 17 de Abril
 
O Presidente da República decreta, nos termos do n.º 3 do artigo 28.º da Lei n.º 29/82, de 11 de Dezembro, na  redacção que lhe foi dada pela Lei Orgânica n.º 2/2007,  de 16 de Abril, o seguinte: 
É confirmada a promoção ao posto de Major -General do Coronel de Infantaria Comando Reformado Jaime Alberto Gonçalves das Neves, efectuada por deliberação de 23 de Março de 2009 do Conselho de Chefes de Estado -Maior e aprovada por despacho do Ministro da Defesa Nacional e 3 de Abril seguinte.

Assinado em 14 de Abril de 2009.
 

Publique -se.
Presidente da República,
ANIBAL CAVACO SILVA

Se a guerra de África fez de Jaime Neves um herói entre os seus Soldados e o cobriu de condecorações e prestígio, foram os tempos revoltosos entre Abril de 1974 e Novembro de 1975 que o imortalizaram. Na Revolução dos Cravos, foi o pronto-socorro da madrugada de 25 de Abril, a quem o capitão Salgueiro Maia deve boa parte do êxito na rendição de Caetano. Avesso à política e aos políticos, cedo percebeu que a extrema-esquerda era um inimigo a abater. Foi ele o braço armado de Ramalho Eanes, e juntos executam o golpe que estancou a revolta dos pára-quedistas de Tancos e encerrou o temor da guerra civil, a 25 de Novembro de 1975.
Jaime Neves conduziu os seus comandos do Regimento da Amadora à vitória que permitiu a consolidação do regime democrático.
QUE DESCANSE  EM PAZ, GENERAL!
OS AMIGOS NUNCA O ESQUECERÃO!


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

É OPORTUNO FALAR, CARAMBA!


"Assim se vai fazendo
a história e o jornalismo
Forças Armadas
João J. Brandão Ferreira*

Com parangonas e ar de escândalo, a edição do jornal PÚBLICO do pretérito dia 16 de Dezembro entendeu dar a conhecer aos seus leitores que “tropas portuguesas decapitaram em Angola”, remetendo para páginas adentro os comentários a tais façanhas retiradas de um relatório de uma acção militar, em 27 de Abril de 1961, na sanzala Mihungo, Norte de Angola.
Este relatório terá sido encontrado nos arquivos da PIDE/DGS, na Torre do Tombo, constando de um livro recentemente editado.
Presumo que o livro não trate só desta questão, mas foi esta que foi puxada à colação pelas duas jornalistas autoras do referido artigo, que enquadram o episódio na alegada “Guerra Colonial”, termos com que a ignorância atrevida e as ideologias malsãs teimam em apelidar o conflito havido.
O equilíbrio com que alguns dos entrevistados enquadra o evento não chega para ultrapassar o sentido critico, de repulsa e condenação que emana do artigo no seu todo e, especialmente, do seu título de 1.ª página.
É claro que é fácil às duas moças jornalistas, que nunca cheiraram a pólvora, nem nos foguetes de Santo António, se façam de virgens ofendidas, por tão funesto acto; ou que burgueses, bem-postos na vida, após barriga cheia, se esmerem em dissertar sobre o “como” e o “deviam” as coisas se ter passado.
O que, seguramente, nunca fizeram foi colocar-se na situação daqueles que, há mais de 50 anos, foram confrontados com uma chacina hedionda. Sim, senhoras jornalistas, entrevistados e demais leitores, como é que pensam que reagiriam, já meditaram?
E curiosidade das curiosidades, em todo o artigo não aparece uma palavra de condenação relativamente aos terroristas genocidas da UPA (1) e de quem a apoiou, armou e incentivou, por aquilo que fizeram!
A falta de vergonha na cara, desonestidade intelectual e a mais torpe parcialidade ideológica têm campeado em Portugal e tudo teremos que fazer para a erradicar da sociedade, um dia!
Por outro lado, não conheço povo mais masoquista do que aquele a que pertenço e que se compraz em autoflagelar-se — ainda por cima sem motivo para tal — ao ponto, e por ex., do cineasta português mais consagrado  de todos os tempos se ter lembrado de fazer um filme só com derrotas que os portugueses sofreram na sua vetusta História… (2)
Não tenho qualquer dúvida que o relatório aludido é verdadeiro e que o caso relatado não foi o único que ocorreu. Isto é, não foi a única vez que se cortaram cabeças aos bandidos que nos retalharam a carne e os haveres — embora, creio, nunca se o tivesse feito a pessoas (?) vivas.
Quero acrescentar, para eventual escândalo de muitos que, apesar do horror da cena, ela se justificou. E isto não tem nada a ver com a estafada afirmação de que todas as guerras acarretam actos de violência gratuita e inumana.
Em primeiro lugar, sobretudo para os mais distraídos, deve começar por se dizer que não fomos nós que começámos…
Depois a UPA provocou o genocídio, com inicio em 15 de Março de 1961, deliberadamente — e, também, ainda não vi ninguém preocupado em julgar os responsáveis nos tribunais internacionais, que vão sendo postos de pé para julgarem os inimigos das grandes potências, leia-se EUA e Inglaterra.
O objectivo, já ensaiado, com sucesso, no Congo Belga, era causar o pânico e o terror, provocando a debandada dos portugueses brancos e a fuga e o choque das populações indígenas.
Enganaram-se, pois os portugueses não são belgas…
Para além da aplicação do “princípio” de que nas guerras se têm de aplicar os meios que melhor neutralizam as tácticas e armamento do inimigo foi, neste caso específico, necessário usar pontualmente este método, não só para evitar que a UPA continuasse a fazer barbaridades, como a causar real medo a tal corja de assassinos, cujas hordas drogadas por feiticeiros estavam inculcadas da ideia de que eram invulneráveis às balas.
Além disso a separação da cabeça do corpo tinha um signifi cado religioso, pois para as crenças daquela gente tal impedia uma futura ressurreição.
E o que é certo é que a “táctica” teve um sucesso fulminante, pois ao fim dos primeiros dois meses, os actos selvagens por parte da UPA terminaram.
O PAIGC e a FRELIMO quando desencadearam a subversão, respectivamente, na Guiné (1963) e Moçambique (1964), não cometeram os mesmos erros.
O ocorrido não põe em causa a civilidade e, até, o humanismo com que as tropas portuguesas se comportaram na sua esmagadora maioria, em todo o longo conflito.
A Instituição Militar portuguesa tem quase 900 anos de existência e não tem pejo em se confrontar com qualquer  “Exército” das nações mais civilizadas, ou outras, no modo como sempre combateu, relativamente às leis da guerra e sua evolução pelos séculos fora.
E foi sempre fiel cumpridora das convenções internacionais assinadas pelos diferentes governos portugueses, ao longo dos tempos.
Penso que isto é claro mesmo para os desertores e traidores que foram pontuando a nossa existência…
Só não estou seguro do modo como foram decididas as poucas acções deste tipo desencadeadas pelas nossas tropas e qual a cadeia de comando e directivas (se é que alguma) envolvidos. Mas já era tempo de, quem de direito, tornar público, oficialmente, o que se sabe que se passou, pois não parece que haja nada a esconder.
O mesmo se aplica à história de “Wiriamu”, que já tresanda! Jornalistas, comentadores e “historiadores”, à falta de melhor, ressuscitam o caso quase com sincronia de calendário — é uma espécie de disco riscado — e nunca se os vê preocupados com os milhares (milhares, leram bem?), de acções violentas, raptos, bombardeamentos, trabalho forçado, assassinatos, etc., que a FNLA, o MPLA, a UNITA, o PAIGC e a FRELIMO fizeram contra as populações de todas as cores que queriam continuar portuguesas.
 1) UPA, União dos Povos de Angola,
organização independentista baseada no ex-
Congo Belga e chefi ada por Holden Roberto.
 2) Já terão pensado, também, naquilo que as
populações portuguesas faziam aos franceses
invasores (1807-1811), quando os apanhavam
à mão, depois das barbaridades que eles cá
fi zeram?
 
*Oficial piloto-aviador e português com vergonha na cara"
Por deferência do Jornal Público de 14-JAN-2013