sexta-feira, 20 de julho de 2012

'HONRAI A PÁTRIA, QUE ELA VOS CONTEMPLA!'

«Uma sociedade sem valores é uma sociedade pobre, condenada e decadente!»
Se há alguma coisa que reputo necessária é honrar a memória daqueles que nos deixaram no Teatro da Guerra que teve por palco as antigas possessões de Portugal em África. Perante eles devemos curvar a cabeça,  reverentes, porque deram pela Pátria o melhor de si mesmos: A PRÓPRIA VIDA.
Sabe-se que a Liga dos Combatentes tem envidado todos os esforços para que sejam transladados os restos dos nossos Militares sepultados em Moçambique, conforme a fotografia acima reporta. Mesmo que não sejam nascidos na antiga Metrópole, mas sim lá nas terras quentes de África, os que vestiram a nossa farda e combateram ao nosso lado, mesmo nascidos lá, repito, têm direito a uma sepultura condigna no campo sagrado onde repousam as suas ossadas. Têm igualmente direito a que, quando uma embaixada portuguesa se desloca aos Países que foram parte de Portugal, sejam alvo das devidas honras, iguais àquelas que forem prestadas aos que foram os nossos inimigos de então.  
Porque assim não pensou aquele que detem a governação em Portugal, muitos Portugueses sentiram-se no direito de protestar o facto, conforme, por exemplo, a carta endereçada ao Primeiro Ministro Passos Coelho, que se dá à estampa:
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"José Alberto Morais da Silva, Coronel Piloto Aviador na Reforma, vem, por este meio, protestar contra a vergonha  e humilhação por que fez passar os Antigos Combatentes, quando da  visita de V. Excelência a Moçambique!
Por certo que sabia ou se não sabia,alguém do luzidio séquito que o acompanhou na visita deveria ter-lhe dito, que havia um cemitério no Maputo onde estão os restos mortais de vários Militares Portugueses que perderam a vida nos combates em Moçambique durante a guerra do Ultramar.
Era sua obrigação, como Primeiro  Ministro de Portugal ter ido prestar homenagem aos nossos mortos em combate.
Mas V. Excelência, do alto dos seus altos conhecimentos da arte de ser político ou por não ter cumprido Serviço Militar e, portanto, não saber  bem o que significa a palavra  Patriotismo, decidiu  prestar homenagem aos mortos do nosso adversário  nessa guerra, deixando no esquecimento aqueles que perderam a vida numa guerra que, justa ou injusta, foi uma guerra em que perderam a vida alguns   milhares de Militares Portugueses.
Este acto de V. Excelência foi mais uma     desconsideração e humilhação para os Militares deste País e poderá V. Excelência ficar a saber que 1.300.000 Portugueses, Antigos Combatentes , também não esquecerão a afronta cometida pelo Primeiro Ministro de   Portugal.
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 José Alberto Morais da Silva
Coronel da Força Aérea na Reforma
 BI. 000201B"
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Não tenho pejo em me aceitar como alguém que comunga, solidáriamente,   dos mesmos sentimentos de repulsa manifestados pelo Coronel Morais da Silva, já que os nossos mortos não podem ter sido sacrificados em vão e merecem da Pátria o eterno reconhecimento por se haverem dado em holocausto... para continuar a ser dignificado o nome de Portugal em África. Só assim terá valido a pena! 

sexta-feira, 6 de julho de 2012

QUE FORÇAS ARMADAS?

Desde há muito que se conhece a expressão 'DIVIDIR PARA REINAR', que nunca tinha pensado um dia ter de a vêr aplicada às Forças Armadas Portuguesas... ou ao que delas resta.
Quando os 'manda-chuva', que regem os destinos deste País  por eles reduzido a   cacos, começaram a delapidar as Armas das suas mais valias, como sejam as Unidades mais prestigiadas, ou as Forças Especiais existentes em alguns dos Ramos, logo tive a premonição de que o caos estava a surgir e dentro em pouco a 'Tropa' estava à bofetada uma à outra, em sentido figurado, entenda-se, ou seria atirada contra as chamadas Forças de Segurança, com a concessão a estas de condições jamais concedidas às Forças Armadas... ainda que apenas no papel.
Pegou-se no RDM e atirou-se com este para o WC mais próximo, 'fabricando-se' uma versão mais próxima dos desígnios que tinham sido estabelecidos para a 'Tropa'. Mas para vingar a ideia de destruição da Instituição Militar , havia que extinguir o Tribunal Militar, passando-se a sujeitar aqueles que até aí estavam 'nas mãos' de  alguém que conhecia o meio castrense, à pseudo Justiça ministrada pelos Tribunais comuns, onde uma juíza ou um juíz,  que até nunca passaram uma Porta d'Armas nem sabem o que é a Disciplina Militar, o espírito de corpo, a camaradagem,  a deontologia que rege as Forças Armadas em qualquer contigência em que se encontre...
Depois, continuando a destruição do 'sistema militar vigente', deu-se por findo o Serviço Militar Obrigatório... passando os candidatos às Forças de Segurança a ser admitidos directamente na PSP e GNR... porque também a Guarda Fiscal foi à vida, tal como a Polícia de Viação e Trânsito.
Acabou-se com o Corpo de Polícia Aérea, porque este estava a tomar algum ascendente nas forças especiais e os Páras tinham um Corpo de Tropas que precisava de ser defendido, tal como o Corpo de Fuzileiros.
Acabaram os Comandos, mas estes tornaram-se desejados pela opinião pública, graças à acção da sua Associação.
Fechou a Base Aérea nº. 3, em Tancos, que foi entregue ao Exército para aí ser lançada a tão desejada 'Cavalaria Aérea' do Exército Português. A antiga Base Aérea nº. 7, depois de ter passado a Aeródromo e Base de Tropas Paraquedistas...,
 também se viu transformado em Unidade do Exército... como quartel de Páras, que passaram a fazer parte dos quadros do Exército.
Entregou-se o Campo de Tiro de Alcochete à Força Aérea, que o modernizou... talvez para o voltar a entregar ao Exército ou até à GNR, porque não?
A 'Tropa' bateu no fundo! Um pseudo Ministro da Defesa pretende criar mais um posto de Oficial - o Brigadeiro General - mas não define quem é quem nas Unidades. Será que os Soldados são para extinguir? Parece! Para tanto, mais uma redução nos efectivos, desta vez de cerca de 3 mil militares. Para quê? As Forças de Segurança continuam a aumentar os quadros... talvez porque sendo estas detentoras de efectivos superiores às Forças Armadas, a classe política pode dormir descansada, sem medo de um novo 25 de Abril. Será por isso?