domingo, 24 de junho de 2012

CARTA ABERTA... A QUEM A LÊR!

Foi esta carta que deu azo à antecedente. Porque não sabia sobre o que o Senhor Ajudante Morais falava, resolvi investigar... e encontrei esta carta aberta, que agora dou à estampa:
"Transcrição da carta aberta do Coronel de Artilharia na Reforma (77 anos) sobre as características da condição militar.

CARTA ABERTA AO POVO PORTUGUÊS
AOS PATRIOTAS
AOS QUE SERVIRAM NAS FA
AOS QUE FIZERAM “GUERRAS NOSSAS” E AS DOS OUTROS
AOS CHEFES MILITARES
À GENTE DA MINHA TERRA

Esta carta pretende ser um “grito de alma”, embora não saiba se “ela” existe e, muito menos se tem a capacidade de gritar. Quero dizer com isto que não é, não pretende ser, uma carta de substância política. E assim mesmo, aqueles que se sentirem atingidos por ela dirão que tudo na vida é político. Será. Mas a minha intenção, a que deixo aqui bem expressa, é que não seja.

Sou coronel do exército, na situação de reforma. Cumpri oito anos em África, ao serviço de quem nos mandava marchar depressa e em força (lembram-se?) e depois do mesmo abencerragem ter dito a camaradas mais velhos, que mourejavam no chamado Estado da Índia, e face à invasão indiana, que lutassem “até à última gota de sangue” (também se lembram disso?). Onde estavam, então, os agentes da função pública? Eu digo: na Metrópole, com as suas famílias, no aconchego dos seus lares. E estavam onde deviam estar, porque cada macaco no seu galho – os militares nos teatros de guerra; os civis na paz dos seus lares. A sociedade sempre foi assim estruturada: cada um com o seu estatuto, cada um com as suas devoções e vocações.

Falo de DIREITOS e DEVERES.

O militar é diferente (não estou a dizer que seja melhor ou que seja pior) do civil. O funcionário dos correios é pago e integrado numa estrutura sócio-laboral que lhe exige o dever de estampilhar cartas, entre outras coisas. É uma função nobre, mas não põe com isso a vida em risco na defesa dos seus concidadãos. Ele espera que alguém o faça.

Seria bonito se amanhã o MD desse a seguinte ordem: os funcionários das finanças vão embarcar para o Kosovo numa task - force da NATO. Era o fim da picada! E porquê, se são funcionários públicos como insistem que os militares o são? Porque o DEVER de defender a Nação, directa ou indirectamente, compete cumprir aos militares, não a eles. Nesse aspecto são cidadãos muito diferentes. Nenhum ministro, nenhum cirurgião, professor ou jurista jura dar a vida pela Pátria, no acto em que assume as suas funções. E está certo pois há quem o faça por eles – são os militares.

Somos todos bons cidadãos, todos de uma grande nobreza, patriotas insignes, mas somos DIFERENTES. Compreendendo isto, é fácil dar-se mais um passo para se compreender que no domínio dos DIREITOS, a igualdade já não se põe. Para que se assumam os mais altos propósitos na defesa da soberania nacional, sejam internos ou externos, há que aguardar que a Nação reconheça, de um modo especial, a natureza única e inconfundível desses propósitos.

DEVERES e DIREITOS não se opõem – complementam-se ou são sucedâneos uns dos outros: são dois pratos de uma mesma balança: se os deveres são menores, os direitos serão menores; se os deveres são maiores, os direitos serão maiores. Isto não são contas aritméticas nem de merceeiro; são contas da ética, dos compromissos do Estado, do bom senso e fruto da razão. Os militares e os civis têm de ser vistos assim, porque se assim não for, tudo cairá por terra, porque o “chão” da lógica desabará.

Seria uma sociedade desorganizada, sem rei nem roque, ao dispor de oportunismos circunstanciais. Enquanto os militares foram “piões” dos colonizadores e da política colonial que ceifou e devastou milhares de portugueses e africanos; enquanto estiveram ao serviço de uma casta política que deles se serviu como instrumentos pendulares dos seus fantásticos desígnios de dominação e poder, foram tidos e tratados como um grupo social de servidores do Estado com um estatuto próprio, no qual os DEVERES e os DIREITOS eram avaliados com pesos e medidas diferentes de todo o restante aparelho do Estado.

Esse tempo acabou com a implantação da Democracia. Mas a memória dos sacrifícios, dos mortos, feridos e estropiados, das famílias sofridas e destroçadas, tudo isso permanece vivo, sangrando, na alma dos portugueses de bem. Razão porque o estatuto militar deveria permanecer incólume, digno e merecedor de um respeito que só a demência dos que não sabem o que andam a fazer neste mundo, pretende desfigurar.

Onde quer que haja Forças Armadas, não vejo onde elas possam estar, nos tempos que correm, mais esquecidas e quase acintosamente marginalizadas, do que as Forças Armadas portuguesas. E porquê? Porque não há dinheiro e para o pouco que há, existem outras prioridades. Assim, Forças Armadas para quê? Acabe-se com elas que são um estorvo para o erário nacional - diz-se à boca cheia nos meios de comunicação social. A esses tipos, punha-lhes uma farda em cima e mandava-os “gozar umas férias” nas secas montanhas do Afeganistão.

O general Pedro Pezarat Correia afirmou, no dia 8 de Fevereiro deste ano, num programa da SIC, com a verve clarividente e o desassombro que todos lhe reconhecemos, o seguinte: “Se as FA não estão cá a fazer nada, acabe-se com elas – mas assumam essa decisão de uma vez por todas”. Se é preciso reestruturá-las, reorganizá-las, reobjectivá-las, que se reestruturem, que se reorganizem, que se reobjectivem, mas que se assuma esse propósito definitivamente. O que se anda a fazer com elas, desfazendo-as aos pedaços, ao sabor da vontade dos ministérios e dos ministros que vão passando, é, no mínimo, de uma tremenda injustiça.

Abocanharam-lhes o“estatuto” e disseram: agora são todos iguais. Se os juízes não são promovidos (e deveriam), que os militares também o não sejam; se se congela a carreira dos professores, que os capitães envelheçam em capitães; se a assistência médico-medicamentosa está num caos, que também seja caótica para os militares. E mesmo que haja vontade de fazer alguma coisa pelos militares, tal não é possível porque o orçamento o não permite. O MD, ontem na TV, repetiu essa ladainha umas vinte vezes. Ninguém nos diz o que se faz ao dinheiro que vai saindo dos nossos bolsos, dizem-nos apenas que não há e pronto – nós, povo, cidadãos comuns, que já fomos militares ou que iremos sê-lo, ouvimos, engolimos e calamos. Tal como eles querem.

Afinal, digam-nos, não são estes os democratas que nós pusemos no poder? Eles e os pais deles e os avós deles? Pois então, o que se poderia esperar? Virou-se o feitiço contra o feiticeiro. Eles tomaram conta de tudo – das finanças, da economia, da fome, da miséria, dos militares, da própria democracia. Não há voto que os tire de lá. Instalaram-se e pronto. Passam a vida em viagens estéreis, em almoços e jantaradas, deslocam-se em brutas limusines, com brutos motoristas, gastando o que ainda há para gastar.

É um encanto vê-los no enlevo encantador das suas poses e das suas mensagens, próprias de quem não tem dúvidas sobre nada, falando ao povo, que somos nós – não eles, seguramente – dos sacrifícios e dos penosos cortes subsidiários, da vida mísera que vai escorregando pela ladeira dos “IVAS”, para que eles paguem as dívidas, que alguém fez sem que alguma vez o soubéssemos. Eles querem a “austeridade” dos outros, a “doença” dos outros, a “fome” dos outros, em nome da coesão nacional. E gerem bem tudo isso porque a eles nada lhes falta, do bem-bom da vida repimpada.

E os militares onde ficam, onde estão? Numa voz solitária de alguém que nada teme, numa carta desassombrada - da qual o MD, qual criança medrosa e assustada, diz que não, que não é para ele, que é para os outros ministros, e di-lo como quem a manda para o lixo - militares do Quadro Permanente que já deram tudo o que tinham para dar ao país, disseram ao senhor MD o que pensam da situação. Mas esses militares, coronéis e de outros postos, não são representativos das FA – diz ele, o MD. São restos imprestáveis, lixo.

Meus caros, com esta gente, pode ser que venha para aí mais um submarino, mais uns carritos blindados de terceira geração para brincarmos aos soldados. Pode ser. Mas arrancar as FA das cinzas em que caíram, seremos loucos se crermos nisso. Vamos esperar para ver.

Por Manuel Rodrigues dos Santos,
Coronel de Artª. na reforma."

CARTA DE SARGENTO A OFICIAL...

Não sei quem é o senhor Coronel Rodrigues dos Santos, logo não me move nada de pessoal contra ele... nem a favor dele! No entanto, quem diz que o conhece bem fala dele com 'entusiasmo' inaudito, pelo que deve ser alguém muito 'querido' no seio das Forças Armadas... vá-se lá saber porquê! Se não acreditam, leiam a carta abaixo, que é de uma profundidade tremenda. Leiam que não se arrependem de conhecer o perfil de mais um militar de todo o ano que não de Abril:
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" Senhor Coronel  Manuel Rodrigues dos Santos

  • Senhor Coronel Manuel Rodrigues dos Santos, gosto muito da sua retorica, própria de quem ao serviço da Nação Portuguesa nunca se pautou por falar ou criticar e quem nunca, mas mesmo nunca defendeu a comunidade Castrense da qual eu e o senhor pertencemos.
  • O Senhor, como muitas altas patentes das Forças Armadas, a troco de 10 dinheiros deixaram que a nossa condição militar se degradasse.
  • O senhor e outros que tais deixaram que pessoas como eu, em 22 anos de serviço, fossem promovidas uma única vez.
  • O Senhor conseguiu ao menos chegar ao topo da carreira e nunca se preocupou com isso. Agora é tarde. Devia-se calar bem caladinho e pensar que a sua reforma é superior a 6 ordenados mínimos e que defendermos a Pátria é um dever de todos e não privilégio de alguns.
  • O senhor e os seus amigos das altas patentes nunca se preocuparam com as Forças Armadas. Unicamente convosco. Comprar submarinos, aviões, carros de combate para calar as altas patentes foi o que o poder político fez.
  • As altas patentes militares o que fizeram foi durante 30 anos calarem-se, não fazer ondas, pactuar, para ter mais privilégios. Quanto à saúde, quantas vezes um coronel chegava e passava a frente de todos? Quantas, quantas. Aí o senhor não se preocupava. Tinha direitos, direitos sobre todos, agora aguente.
  • Senhor Coronel, se há pessoa que não se pode queixar é o senhor. Quantos não chegaram ao topo da carreira, quantos estão desempregados, quantos ganham o ordenado mínimo, quantos tiveram uma vida boa nas guerras ultramarinas. Os que defenderam o país não se queixam. Seguem com a sua vida, não criticam a política. Já agora, onde estava o senhor no 25 de Abril? E era contra ou a favor? Agora são tão democráticos… agora são anti-faxistas, que retórica tão bonita. A saúde senhor, se quer pague-a como eu e os outros. Ou quer mais benesses, o dinheiro não lhe chega? Que dirão os desgraçados como eu que ganham 1200 euro em relação ao senhor que ganha mais de 3000 euro.
  • Por causa de incompetentes como o senhor, a Força Aérea comprou aviões e não tem dinheiro para os por a funcionar, a Marinha comprou submarinos e agora não tem dinheiro para o diesel, o Exercito que tem um quartel a cada esquina tem carros de combate e não tem dinheiro para o combustível. Tudo pedido por militares como o senhor que pedem o que lhes vem à cabeça sem programação, sem logica, sem nenhuma noção de estratégia. Tenho dó de incompetentes como as nossas altas patentes e o senhor incluído que só se lembram das coisas depois de elas passarem.
  • Quando vendiam os militares a troco de um prato de lentilhas não reclamavam.
  • Quando congelavam os postos de sargentos para vocês serem promovidos não se preocupavam.
  • Quando o poder político comprava brinquedos para os senhores se entreterem, não se preocuparam. Agora que está fora, está preocupado com o quê? Alguma vez viu alguma reestruturação das forças armadas, da saúde, das bases e quarteis, das competências dos militares, da reestruturação das carreiras.
  • Quantos coronéis existem? E para quê tantos? Temos mais postos superiores do que soldados, temos mais oficiais do que praças, mais oficiais do que sargentos, mais chefes do que índios.
  • Toda a gente manda na tropa. Isso é culpa do poder político ou dos militares. Temos tantos postos de oficiais generais como de sargentos. Temos mais postos de oficiais do que sargentos e praças incluídos.
  • Com isso o senhor não se preocupa. Fale dos problemas concretos dos militares e pare de olhar para o seu umbigo.
  • Em relação à condição militar: porque é que um general ganha mais de condição militar que um soldado tem de ordenado. Será que o general é mais militar do que é o soldado? Se é, ele que vá para o Kosovo e para o Afeganistão.
  • A condição militar deveria ser igual para todos os militares e não distingui-los por mais e menos militares.
  • O senhor nunca se preocupou com isso? Porquê?
  • Seja homem e cresça um bocadinho já que os anos em que foi militar não cresceu como militar e como português.
  • Dedique-se à pesca, seja feliz e deixe-se de pseudofilosofias da batata.
 
 
José Morais, Sargento-Ajudante  " .
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Como não gosto de comentar aquilo que não sei...  

segunda-feira, 4 de junho de 2012

O ZÉ COCA PARTIU...


Foi como um murro no estômago a notícia do falecimento do nosso Amigo e companheiro das lides militares JOSÉ CARDOSO MONTEIRO CÔCA, Sargento Mor M/RÁDIO, na situação de Reforma, de 77 anos (n. 06-11-1934) com residência na Rua das Forças Armadas, na Atalaia - Vila Nova da Barquinha.
Aqueles que com o Zé Coca haviam privado, nas Unidades da Força Aérea por onde passou, antes da sua despedida da vida activa acontecida na antiga Base Aérea nº. 3, em Tancos, recordam um Amigo sempre pronto a ajudar quem dele se abeirava a pedir um conselho, uma palavra amiga que ele jamais se negou a proporcionar, pois tinha da Amizade um alto conceito, que praticava sem olhar a quem lha solicitava.
Havia alegria no rosto do José Coca  quando estava com os Amigos nos almoços de confraternização dos antigos companheiros de jornada. Era um Homem alegre e Amigo do seu Amigo!  A morte, que a todos visitará inopinadamente, não quiz que ele continuasse a sua caminhada na terra dos vivos e chamou-o para a vida eterna.
Que Deus e Nossa Senhora do Ar o tenham recebido da forma que ele mais desejava: EM PAZ!
Nós, aqueles que continuam a caminhada, endereçamos à Família enlutada as nossas mais sentidas condolências, lamentando não o ter feito antes por desconhecimento do facto.