sábado, 31 de dezembro de 2011

COMBATENTES PORTUGUESES DE ÁFRICA ...

Quando o ano está a partir, dando as boas vindas ao que vai chegar, dou comigo a fazer um exercício tremendo para vir a  conseguir encontrar justificação que me dê algum 'conforto' de alma no que concerne ao tratamento aviltante que uns quantos vão dando àqueles que se não furtaram a dar o melhor de si mesmos para redimir o País da falta de carácter exprimida no dia em que demandaram outras paragens para fugir, cobardemente, às incidências da Guerra do Ultramar. 
 Nunca será demais denunciar os canalhas que deixaram ferver num óleo do ódio exacerbado que destilavam pelos poros toda a perfídia adquirida nos antros comunistóides que frequentavam... mesmo não sendo estes
os principais inimigos da Pátria portuguesa, pois o Cunhal tinha um pouco mais de dignidade que qualquer socialista de pacotilha, como Mário Soares, Almeida Santos ou qualquer um dos apaniguados que com eles faziam 'panelinha' para se alcandorarem ao poleiro do poder, ávidos que estavam por dar cabo do que restava de um País que "deu novos Mundos ao Mundo...", mas não conseguiu derrubar a lepra putrefata representada pelas cliques partidárias surgidas após a desgraça que se abateu sobre Portugal quando um grupo de 'Capitães', num dia 25 de Abril,  resolveu que a Pátria acabava ali e agora. Eles talvez tivessem pensado em termos de Guerra no Ultramar, mas erraram o alvo, porque o tiro não seria
 o seu forte.
 Em Portugal  é impensável pensar-se em homenagear o Combatente do Ultramar, porque há da parte das autoridades a ideia de que tudo deverá ser ignorado ou “revisto”. 

O Povo Português gosta de queijo do Serra da Estrela ou de Serpa, pelos que os nossos heróis são ostracisados e nem sequer há tempo para lhes agradecer,  pois isso dá muito trabalho e é uma chatice estar a gastar o que seja com essa gente.
Já deram o que tinham a dar, é tempo de saírem de cena, pensarão alguns dos nossos eminentíssimos políticos mais desinibidos após o  25 de Abril.
Em Portugal não temos campas dos nossos soldados sacrificados no Ultramar para visitar no dia 1 de Novembro e lembrar aquele que partiram... talvez  porque durante o Estado Novo se deixavam os mortos em África, longe das famílias e dos olhos da população. Repare-se que nem existe um Código dos Inválidos, como aquele de 1929 que foi pensado para os Combatentes da Primeira Grande Guerra. Nem antes nem depois do 25 de Abril alguém pensou em fazer um Código deste jaez. Para quê? Se têm morrido todos lá pelas Áfricas, a coisa estava bem melhor para uns quantos políticos da nossa praça.
Quem ousasse falar deste assunto depois do 25 de Abril,  era logo apelidado de  “reacionário” e, durante bastos anos havia  o “Zé Maria” que não conseguia dormir ou o “Jaquim”, que perdeu a capacidade de locomoção, a esconderem-se em casa ou nos hospitais... sem qualquer proteção. Stress de Guerra... que é lá isso? Com eles, mais de 850.000 homens puderam apenas  contar com o amor da família para sentirem algum alívio para as terríveis penas que sofreram no corpo e na alma.
Seria indecente estar para aqui a falar da luta insana travada pelos sucessivos governos  para não darem aos Antigos Combatentes as benesses a que fizeram jus... e que são devidas em todos os países civilizados, pois é um reconhecimento básico do quanto aqueles homens sofreram pela Pátria.  
Já alguém se perguntou porque é que o monumento nacional aos Antigos Combatentes do Ultramar, em Lisboa,   construído por oito associações, nem sequer teve direito a  uma comissão de honra que envolvesse os órgãos de soberania.
Pelo que me recordo, o Presidente da República da altura, Dr. Mário Soares, recusou fazer parte de qualquer 'Comissão' “porque era contra a Guerra de Ultramar” (!!!)... 
Até parece serem os Antigos Combatentes quem tem a culpa da Guerra, não lhes sendo assim reconhecidos os serviços prestados a Portugal.
Consideremos que esta Guerra, travada entre 1961 e 1974, mobilizou cerca de um milhão de filhos, irmãos, maridos e pais deste País à beira mar plantado. Cerca de 9.000 perderam a vida a lutar por Portugal!
Há um número enorme  de vivos que esperam o reconhecimento da Pátria, além de que há muitos que ainda estão a sofrer as consequências de uma Guerra que não 'pediram'. Atente-se que os Antigos Combatentes com deficiências permanentes -  físicas ou psicológicas -  contabilizam mais de 15.000... Como pensa o Governo compensar tanto mal que lhes vem sendo feito?
Mas... não é só o Governo - este ou qualquer outro - a subverter a realidade das coisas, uma vez que também há quadros superiores das Forças Armadas que deviam deixar de ser subservientes aos poderes civis que agora são 'Senhores da Guerra'. Um Militar político vai um pouco contra tudo aquilo que se acredita serem os valores consagrados no meio castrense, uma vez que o Militar não pode manifestar tendências partidárias! Não é político e pronto!Mas isso deixou de funcionar com a GNR, porque enfeudada ao 'poder' de dois Ministérios. A PSP faz gala daquilo que conseguiu com a via sindical. Até nem será dissentâneo pensar-se que se preparam cada vez mais para substituír as Forças Armadas num futuro mais ou menos próximo. O tempo o dirá.
Quando vejo um homem vender a sua dignidade por um 'tacho' político numa qualquer instituição militar,  logo me dá uma volta ao estômago, porque um Militar serve a Pátria... e isso o jura perante a Bandeira Nacional.

Enfeudar-se no conchavo político de um Partido é a última coisa que alguma vez esperei vêr na 'Tropa'. Aqueles que honram os seus, honram a Pátria e a farda que um dia envergaram, sentem que algo de podre está a acontecer... só não se sabe até quando?

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

ANO VELHO... ANO NOVO...

Quem esteja atento ao que o Ano Velho deixou como legado, não lhe custará reconhecer estar o Pai do Céu muito zangado com o modo algo permissivo usado pelo Zé Povinho para 'honrar' os propósitos que manifestou serem compromissos para 2011.
Tudo saíu furado, pois não se deu dignidade de vida ao Povo, não se aumentou a capacidade de este se sentir feliz, não se cuidou dar-lhe melhores cuidados de saúde, melhor remuneração para o seu trabalho, melhor justiça a todos os níveis, mais segurança em todos os campos da vivência como seres humanos ávidos de serem alcandorados à condição de alguém que está primeiro no pensamento dos que deveriam reger a Pátria como uma 'terra de felicidade' e não como um 'buraco' apenas acessível a uns quantos 'iluminados' que um dia foram bafejados pela ingenuidade de alguns outros que pensaram numa revolução para Portugal... esquecendo que também as consciências deveriam ser revolucionadas, para que Abril viesse a dar frutos de justiça.
E são os Militares aqueles que mais têm sofrido a falta de caráter que se vem vivendo no nosso quotidiano. Não apenas eles, mas principalmente.
Já está esquecido terem sido os Militares a restaurar a esperança no porvir. Foram 'parvos' porque acreditaram nas varejeiras que esvoaçam, não vendo que aquilo que vem habituado a 'alimentar-se' de 'massas fecais' tarde ou nunca se irá saciar com 'alimentação racional', como  uma 'caldeirada de bom senso' ou um 'cozido à justiceiro', por exemplo. Preferem dar de barato que o 'fast food' é que é, que a 'comidinha plástica' satisfaz os gostos mais requintados, logo também o fará aos ingénuos que teimam em gritar por justiça social, trabalho, paz, pão, educação, saúde e outras balelas mais.
2011 está a passar... 2012 vai chegar encontrando Portugal a tentar 'safar-se' de uma situação insustentável legada por um energúmeno que o roubou a esmo, escudando-se na imunidade que lhe foi conferida por uma lei que apenas serve os desígnios de quem nos rouba. Com ele toda uma cáfila de próceres da desgraça alheia, que também usaram e abusaram da confiança que neles o Povo depositou, pois foram os acólitos dos desastrados caminhos que Zé Sócrates um dia trilhou... para mal dos nossos pecados.
Esperamos que 2011 seja realmente um corte no passado e 2012 possa ser o renascer da esperança num futuro que esperamos ridente, porque basta de sofrer em prol de alguns, que engrossam o rol dos ricos em detrimento daqueles que passam fome e passam a acreditar que é possível haverem sido abandonados por Deus, porque o 'Espírito de Natal' está contaminado pelo 'Espírito Consumista'... e isso paga-se caro!
Mesmo assim, um Bom 2012 é o que se deseja!    

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

HERÓI... POR 300 €


Um helicóptero EH-101 MERLIN  da Força Aérea Portuguesa,  pertencente à Esquadra 751, que se encontrava numa missão de patrulhamento para apoio às pescas,  veio a encontrar, inopinadamente, cerca das 11H00 do dia 2 de Dezembro,  os seis pescadores da embarcação de pesca “VIRGEM DO SAMEIRO”, que se encontravam na situação de  desaparecidos desde o dia 29 de Novembro.
A tripulação do héli, quando avistou uma balsa salva-vidas, a cerca de 30kms a noroeste da Figueira da Foz, de imediato procedeu à operação de resgate,  confirmando-se, no decorrer da mesma,  que no interior da balsa, os seis pescadores se encontravam com vida. Foram resgatados um a um  pelo Sargento Ajudante Recuperador Salvador que faz parte da tripulação do helicóptero, tendo ali recebido os primeiros cuidados devido a sinais de hipotermia.
Concluída esta operação com sucesso, foram os pescadores transportados o mais rápido possível para a Base Aérea Nº5 , em Monte Real, onde os aguardavam as equipas médicas do INEM que os transportaram  ao Hospital de Leiria para que recebessem a assistência hospitalar necessária.
"A notícia já correu o Mundo inteiro.
Seis tripulantes de um barco de pesca, o ‘Virgem do Sameiro’, de Caxinas, foram encontrados por um helicóptero EH-101 da Força Aérea e foram salvos pela tripulação do mesmo, nomeadamente por um Sargento-Ajudante (o recuperador - salvador), que pendurado num guincho, arriscou a sua vida em 6 subidas e descidas.
O panorama é inimaginável.
Um helicóptero no meio da imensidão do mar, com mar agitado, os pilotos tentando colocar o helicóptero na melhor posição (o que é dificílimo, tratando-se de um navio grande, quanto mais de uma simples balsa salva-vidas, a turbulência provocada pelas pás do aparelho, o recuperador - salvador a descer e a subir, a ter de recuperar um a um, estejam feridos ou não.
Parece algo de outro mundo, mas não é,... aliás, afinal é!
É algo do outro mundo, pelo menos do meu mundo, pois não tinha condições para o fazer.
É algo deste mundo, porque estes heróis da Força Aérea fazem-no diariamente, arriscando a sua vida para salvar outras vidas.
Muitas vezes fazem-no mas muito mais longe, a cerca de 150 km da costa. Se houver uma falha humana, uma avaria e o helicóptero cair, provavelmente morrerão (pois é preciso que outro meio aéreo que está em alerta descole, voe, os encontre com vida e consiga recuperá-los).
Mesmo assim, este militares cumprem o seu dever: têm família, filhos, que têm como dado adquirido que o pai volta mais logo e, nem imaginam que tal pode não acontecer.
Poucas pessoas sabem o seguinte:
a) O Sargento-Ajudante recuperador-salvador está neste trabalho voluntariamente;
b) O Sargento-Ajudante recuperador-salvador está neste trabalho porque passou por testes e provas dificílimas, apenas acessíveis aos melhores física e psicologicamente;
c) O Sargento-Ajudante recuperador-salvador ganha cerca de 1300 € limpos (um profissional com muitos anos de carreira, que arrisca a vida muito mais do que ninguém, voluntariamente, por amor ao serviço, ao próximo);
d) O Sargento-Ajudante recuperador-salvador tem de estar disponível 24 horas por dia, deixando a família para trás a qualquer momento, sempre que for chamado ao serviço inopinado;
e) O Sargento-Ajudante recuperador-salvador recebe cerca de 300 € líquidos de risco de voo (menos do que os pilotos, que também arriscam a vida, mas arriscam menos pois não estão pendurados num guincho);
Ganha 300€ de risco de voo para salvar vidas e arriscar a sua.
f) O Sargento-Ajudante recuperador-salvador, tal como os demais militares dos 3 Ramos das Forças Armadas, continua a salvar vidas, com ânimo, profissionalismo e competência, apesar de lhe terem cortado o vencimento desde o ano passado, apesar de lhe terem tirado o subsídio de férias e de Natal, apesar de não ter perspectiva de evolução na carreira nem aumento de ordenado;
g) O Sargento-Ajudante recuperador-salvador não tem mordomias, carros de luxo, condutor, sala própria, secretária, telemóvel de serviço, despesas de representação chorudas, outros emolumentos mais ou menos disfarçados.
h) Para mim, estes são os verdadeiros heróis, aqueles que apesar de fortemente penalizados, fortemente incompreendidos, apenas lembrados aquando de actos heróicos mediáticos como este, continuam dia após dia a cumprir além do dever.
O Sargento-Ajudante recuperador-salvador, como todos os militares merecem o respeito por parte de quem governa, para que entendam que não se trata de um funcionário público (aliás muitos respeitáveis), mas sim de um cidadão especial, que jurou publicamente dar a vida pela Pátria, dar a vida para que outros vivam.
À atenção de quem de direito !!!
José Lucas. Ten.Cor. no Serviço Activo.
PS - Num exercício de imaginação, tentei considerar a hipótese dos respeitados e digníssimos representantes do povo, na Assembleia da República (AR) receberem 1300 € de vencimento mais 300 € de risco. Provavelmente a AR ficaria vazia.
Dir-me-ão: mas não é a mesma coisa, são responsabilidades diferentes.
Pois são: o Sargento-Ajudante recuperador-salvador arrisca a vida diariamente para que outros vivam!"
COMENTÁRIOS PARA QUÊ? OS GOVERNANTES AUTISTAS QUE SE LIMPEM A ESTE GUARDANAPO!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

VETERANOS DE GUERRA...

Nunca é demais agradecer a forma generosa como o Sr. Coronel Vitor Santos, um distinto Oficial das nossas Forças Armadas que se encontra na situação de Reforma, é Deficiente das Forças Armadas por doença adquirida e agravada em Campanha - fez quatro Comissões de Serviço no Ultramar, com a duração de 10 anos -, nos alerta para a situação de indignidade com que a Pátria vem fazendo gala em tratar "Aqueles  que por obras valerosas se vão da lei da morte libertando", seja porque doaram o seu sangue em holocausto da Pátria, seja porque sofreram na carne o preço da sua entrega a uma causa que era de todos os portugueses, mesmo daqueles que desertaram, arranjaram 'pé chato' ou contrataram os serviços de um Zé Cunha que os libertassem da fastidiosa ida para a guerra.
Os nossos Veteranos... na 1ª. aparição pública
O escrito que segue é um grito de revolta, que tenho o gosto de publicar.
Veteranos australianos... até no reconhecimento o são!
"UMA VERGONHA
1.  Especialistas ingleses e norte-americanos estudaram comparativamente o esforço das Nações envolvidas em vários conflitos em simultâneo, principalmente no que respeita à gestão desses mesmos conflitos, nos campos da logística geral, do pessoal, das economias que os suportam e dos resultados obtidos.
Assim, chegaram à conclusão que em todo o Mundo só havia 2 Países que mantiveram 3 Teatros de Operações em simultâneo; a poderosa Grã-Bretanha, com frentes na Malásia (a 9,300 Km, de 1948 a 1960), no Quénia (a 5.700 Kms., de 1952 a 1956), e em Chipre (a 3.000 Kms., de 1954 a 1959), e o pequenino Portugal, com frentes na Guiné (a 3.400 Kms.), Angola (a 7.300 Kms) e Moçambique (a 10.300 Kms.), de 1961 a 1974 (13 anos seguidos). Estes especialistas chegaram à conclusão que Portugal, dadas as premissas económicas, as dificuldades logísticas para abastecer as 3 frentes, bem como a sua distância, a vastidão dos territórios em causa e a enormidade das suas fronteiras, foi aquele que melhores resultados obteve.
E na América... são mesmo respeitados!
Consideraram, por último, que as performances obtidas por Portugal, se devem sobretudo à capacidade de adaptação e sofrimento dos seus recursos humanos e à sobrecarga que foi possível exigir a um grupo reduzido de quadros dos 3 Ramos das Forças Arnadas, comissão atrás de comissão, com intervalos exíguos de recuperação física e psicológica.
Isto são observadores internacionais a afirmá-lo.
Conheci em Lisboa oficiais americanos com duas comissões no Vietnam. Só que ambos com 3 meses em cada comissão, intervalados por períodos de descanso de outros 3 meses no Hawaii.
Todos os que serviram a Pátria e principalmente as gerações de Oficiais, Sargentos e Praças dos 3 Ramos das Forças Armadas que serviram durante 13 anos na Guerra do Ultramar, nos 3 Teatros de Operações, só pelo facto de aguentarem este esforço sobrehumano que se reflecte necessáriamente em debilidades de saúde precoces, mazelas para toda a vida, invalidez total ou parcial, e morte, tudo ao serviço da Pátria, merecem o reconhecimento da Nação, que jamais lhes foi dado. " (Continua)