terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

JURAMENTOS...

É costume ouvir-se dizer : "QUANTO MAIS JURAS... MAIS MENTES!"... e não é maldade dizer-se que há muito de verdade nessa afirmação, especialmente em muitas das juras que se ouvem, muitas delas feitas perante símbolos mais ou menos sagrados, mais ou menos capazes de dar credibilidade ao que se jura... muitas vezes com acintosidade, perfídia até, outras com consciencialização, com desejo de cumprir aquilo que se jurou com emoção e com o coração.
Na "Tropa" há o velho hábito de se fazer do Juramento de Bandeira uma data que deveria perdurar na memória daqueles que o fazem... mas sabemos que há gente que não tem pejo em deitar para trás das costas aquilo que jurou perante a Bandeira... apenas porque a determinada altura da sua vida decide não comungar mais das ideias constitucionais vigentes no País.
Conhecem-se alguns casos de pessoas que violaram aquilo que solenemente prometeram, perante o símbolo máximo da Pátria, que é a Bandeira Nacional. Em alguns casos até se beija a Bandeira, configurando-se assim que qualquer acto atentatório cometido para com a fórmula do Juramento passa a ser não apenas um acto de traição ao formulado no acto do Juramento se assemelha ao beijo da traição dado a Cristo por Judas Iscariotes no Jardim das Oliveiras, quando da prisão de Jesus. Há várias formas de jurar, com o sentido patriótico que tal fórmula deve conter dado o tempo e a Arma ou Serviço que procede ao cerimonial.
Recordo que antigamente o Juramento era práticamente igual fosse para Militares fosse para Forças de Segurança... exceptuando-se os "Páras", apenas porque a Bandeira se encontrava entre a Cruz e a Espada, como ainda hoje acontece.
Em 1963, com o braço direito estendido na direcção da Bandeira, a fórmula seria:
"JURO SERVIR A MINHA PÁTRIA, RESPEITAR AS LEIS, OBSERVAR A DISCIPLINA, OBEDECER AOS MEUS CHEFES E CUMPRIR COM DEDICAÇÃO AS MISSÕES QUE ME FOREM CONFIADAS, MESMO COM O SACRIFÍCIO DA PRÓPRIA VIDA."
Quando após o 25 de Abril, a fórmula passou a ser:
"JURO, como Português e como Militar, servir as Forças Armadas, cumprir os Deveres Militares. guardar e fazer guardar a Constituição e as Leis da República.
JURO, defender a minha Pátria e estar sempre pronto a lutar pela sua liberdade e independência, mesmo com o sacrifício da própria vida."
No entanto, como alguns dos leitores deste blog ainda estarão recordados, o PREC trouxe uma nova fórmula APENAS PARA UMA UNIDADE MILITAR: O RALIS!
Foi esta a fórmula do Juramento de Bandeira no RALIS, feita com o punho fechado:
"NÓS SOLDADOS, JURAMOS SER FIÉIS À PÁTRIA E LUTAR PELA SUA LIBERDADE E INDEPENDÊNCIA.
JURAMOS ESTAR SEMPRE, SEMPRE AO LADO DO POVO, AO SERVIÇO DA CLASSE OPERÁRIA, DOS CAMPONESES E DO POVO TRABALHADOR.
JURAMOS LUTAR COM TODAS AS NOSSAS CAPACIDADES, COM VOLUNTÁRIA ACEITAÇÃO DA DISCIPLINA REVOLUCIONÁRIA, CONTRA O FASCISMO, CONTRA O IMPERIALISMO, PELA DEMOCRACIA E PODER PARA O POVO, PELA VITÓRIA DA REVOLUÇÃO SOCIALISTA."
Felizmente foi sol de pouca dura e depressa passaram esta fórmula à situação de reforma! Não que tenha acabado alguma rebalderia que se via nas Forças Armadas, mas para lá caminhou, por acção de uns tantos que não esqueceram o valor do seu próprio compromisso de honra feito quando juraram Bandeira, o orgulho que sentiam por poderem envergar a sua farda com a dignidade devida pela sua condição Militar. Recordo ainda o orgulho que sentiam os FLECHAS e os GE's, quando Juravam Bandeira! Era esta a fórmula:
"Juro defender a minha terra, a minha família e os meus camaradas.
Juro dar todo o meu esforço, para melhorar a vida do meu povo.
Juro combater os inimigos da ordem, até haver paz na nossa terra.
Juro obedecer aos meus chefes.
Juro defender a Bandeira e a nossa Pátria PORTUGUESA."
Sabemos que há juras que se não fazem... mas quem jura aceita as consequências dessa jura... ou não terá essa jura qualquer valor, dado ser uma jura falsa, sem consciência, própria de alguém que não tem em si mesmo aquilo a que alguém chamaria força de carácter. Infelizmente há tantos portugueses que vivem apenas para si mesmo, sem que lhes importe quem viva quotidianamente a seu lado a procurar viver segundo princípios em que acredita e na fidelidade àquilo que um dia jurou: SER FIEL À SUA PÁTRIA!
Será que estou enganado?