quinta-feira, 25 de novembro de 2010

25 DE NOVEMBRO - 35 Anos

Aquilo que se passou em Portugal 35 anos atrás, deveria ser motivo de reflexão profunda por parte dos políticos de hoje, pois talvez os levasse a rever "prioridades" em termos de estratégia política, virando a agulha para o Povo e não para a cartilha partidária, para as populações em geral e não para uma elite de correligionários políticos agregados a uma mesma linha, a um mesmo conceito estratégico capaz de dar tudo a uns e nada aos outros, como seja a esperança de poder sobreviver num "manicómio" concebido por uma mente brilhante que julgará ser o Messias dos novos tempos, talvez porque conseguiu abrir a caixa de Pandora e conduzir os seus seguidores à Terra da Promissão onde os eleitos recebem os Euros... e os outros a desilusão.
No dia 25 de Novembro de 1975 há muitas dúvidas quanto à coerência - ou incoerência - daquilo que os "heróicos" revoltosos de Tancos pretensamente teriam, até porque as políticas então seguidas por eles estavam intrínsecamente afectas àquilo que o Partido Comunista tencionava colocar em prática por esses dias, não parecendo minimamente credível o PCP dar assentimento à concretização de um "golpe militar" a realizar com tão frágil plano de actuação.
Não apenas pelo facto de ser um plano de acção sem força, sem pernas para andar, mesmo que a ocupação do Comando Operacional da Força Aérea e das suas principais Unidades operacionais não possa ser caracterizada como uma missão sem interesse, porque é necessário ser-se inteligente para efectuar esta missão, que leva o pêndulo da balança do poder a cair forçosamente para a esquerda - no caso a comunista.
Ao ser "tomada" a Força Aérea, o Exército perdeu um dos seus equilíbrios de forças, pois era um apoio importante que se perdia.
Otelo Saraiva de Carvalho estava a jogar forte, quando deu a mão aos Pára-quedistas nesta tentativa de mudança do poder militar para a Esquerda radical. E de tal forma era forte a sua jogada que não lhe importou muito trair as expectativas do PCP ao deixar sem liderança os revoltosos, que se sentiram então abandonados pelo seu carismático Comandante. Otelo tinha construído uma imagem no 11 de Março, que veio a destruír no 25 de Novembro.
Para os Pára-quedistas Otelo deixou de ser o grande líder revolucionário para passar a ser... o grande bluf.
Ao não apoiar Vasco Gonçalves ou os "Páras", Otelo deixou de contar para determinada Esquerda, que não estava muito preocupada com a possibilidade de este País ser assolado pela tragédia de uma guerra civil! Aí talvez se possa dar a Otelo uma palavrinha de "quase agradecimento"... "mas não carecia estar-se assim a expôr pelos Portugueses", quer ele quer o Costa Gomes, pois também este tratou de travar o tal confronte Norte/Sul que esteve eminente.
Portugal continua à espera de saber o que aconteceu realmente naquele período do PREC... e eu, Comandante da Guarda que foi preso na BA3 pelos heróis que nos "tomaram a Unidade", ainda espero que me peçam desculpa pelo mau bocado então vivido. Trinta e cinco anos depois, com alguns amigos entre os "invasores", merecia que me dissessem qualquer coisa, nem que fosse:
- "DESCULPA LÁ AQUELA GAITA DO 25 DE NOVEMBRO, PÁ! AMIGOS COMO DANTES ?"

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

GREVE... 25 DE NOVEMBRO...

NOS TEMPOS EM QUE "MILITEI" NAS FILEIRAS DA FORÇA AÉREA, MAIS CONCRETAMENTE NA ANTIGA BASE AÉREA Nº. 3, QUE EXISTIU EM TANCOS, FUI UM ACÉRRIMO DEFENSOR DOS DIREITOS DOS TRABALHADORES... MESMO QUE FOSSE ANTI GREVE, PORQUE ANTI COMUNISTA CONVICTO, APESAR DE SABER BEM QUE MUITAS DAS SUAS TESES SÃO ACEITÁVEIS PARA QUALQUER PESSOA QUE ESTEJA CONSCIENTE DE QUE OS SEUS FILHOS TÊM O DIREITO SAGRADO E INALIENÁVEL DE PROMOVER A LUTA PELA SUA FELICIDADE E A DOS SEUS FAMILIARES.

Não é crível que o País tenha mudado de forma tão substâncial que me leve a ter hoje, dia de GREVE GERAL, outra forma de vêr a realização desta manifestação de desagrado para com as medidas absurdas tomadas pelo Governo da República, em nome de uma necessidade premente em fazer regredir o caminho vertiginoso que se está a fazer rumo ao caos.
O Partido Socialista está hoje perante o dilema de nos colocar na miséria ou de mão estendida à caridade dos transeuntes... mas sabe-se que os detentores das benesses governamentais têm procurado colocar a bom recato os seus avultados pés de meia e não vão querer dividir com ninguém aquilo que lhes custou a militância no Partido.
Sei que não terá nada uma coisa a vêr com a outra, mas também é este o tempo em que os Portugueses resolveram gritar BASTA e repôr a "verdade revolucionária" que se julgou haver sido referendada no dia 25 de Abril de 1974.
Amanhã, portanto como uma continuação deste dia de Greve Geral, passa mais um aniversário do grito de revolta que foi solto contra a escalada Gonçalvista e do PCP em detrimento dos princípios instituídos pelo MFA.
Para dizer mais claramente, o 25 de Novembro de 1975 é um "golpe militar" inserido no processo contra revolucionário que estava patente no estado a que o PREC estava a conduzir o País.
Na assembleia do MFA realizada em Tancos, Pinheiro de Azevedo que esta assembleia seria um verdadeiro golpe de Estado, pois foi aí que uma manobra bem estruturada veio a liquidar a hipótese de Vasco Gonçalves vir a ser nomeado Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas.
Também se comemoram hoje as celebradas BARRICADAS DE RIO MAIOR. Foi por elas que os comunistas militares vieram a perder o pé, até pelo facto de estas terem sido multiplicadas por outras estradas do País, dividindo Portugal em NORTE e SUL!
Não tenhamos ilusões: O 25 DE NOVEMBRO FOI UMA LUTA ENTRE DUAS FACÇÕES MARXISTAS, EM QUE A FACÇÃO MAIS MODERADA ACABOU POR TRIUNFAR, impondo a Portugal uma Constituição Marxista, aqui com a conivência do Partido Socialista . O líder socialista Mário Soares ganhou as eleições com o "VOTO ÚTIL" dos então chamados PPD e CDS, mas os Socialistas e o seu líder acabaram por se aliar ao Partido Comunista para votar a Constituição de 1976.
É bom que o Povo, hoje em greve geral, não esqueça quem o tem tramado desde tempos imemoriais. E eu não fui, acreditem!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

a conferência NATO...

Recordo bem aquilo que as Conferências da NATO provocavam, invariávelmente, no quotidiano da antiga Base Aérea nº. 3, outrora existente em Tancos:
- A CONSCIÊNCIALIZAÇÃO daquilo que para a PAZ significaria aquele momento que então se estava a viver;
- A DETERMINAÇÃO em vencer as várias barreiras que se iam levantando um pouco por todo o lado, por parte daqueles que se empenhavam em denegrir a imagem da NATO, especialmente os que viam no Pacto de Varsóvia uma salvação para o Mundo Ocidental.
Hoje essa guerra de BLOCOS parece mais diluída, por força do fim do potentado Soviético acontecido com a queda do MURO DE BERLIM... mas outros "valores" reivindicam a extinção da NATO, levando-nos a pensar quem beneficiará com o fim desta:
- O COMUNISMO CHINÊS?
- O COMUNISMO SUL AMERICANO ?
- O FUNDAMENTALISMO MUÇULMANO e AS SUAS JHIAD ISLÂMICAS ?
- A COREIA DO NORTE?
Venha o diabo e escolha!


Enquanto isso, temos um Ministro da Defesa que brinca com o fogo, graças ao populismo de que ainda se não conseguiu livrar ! Talvez pelo facto de gostar de mostrar uma face trauliteira o faça julgar que o cargo agora exercido lhe permite todas as veleidades... inclusivé a de brincar com o brio e a honra dos Militares...

...mas "não cabe ao discípulo outra coisa que não seja ser digno do mestre", e Santos Silva segue em populismo as pégadas do seu mentor José Sócrates.
Só me pergunto se a credibilidade da NATO se poderá manter no que a Portugal respeita, dada a aptência do Governo Português para a criação de pontos de divergência no que o facto de estarmos ligados ao Tratado do Atlântico Norte nos obriga.
Depois admiram-se que o CINCIBERLANT possa saír de Oeiras. Até nos pomos a jeito!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

SÃO MARTINHO

Perguntarão aqueles que me lêem: - "Mas que diabo tem um cavalo a vêr com o São Martinho ou com a Força Aérea... não estou a vêr!".
Na verdade, nada ligará o cavalo à Força Aérea, dou de barato que assim é, mas ao São Martinho... então ele não era apresentado como um Oficial Romano, que se deslocava a cavalo, tendo repartido a sua capa de Soldado com um pobre que encontra tiritando com frio?
Ora se era Militar e Oficial, também a Força Aérea tem Militares e Oficiais, havendo uma convergência de funções na medida em que ele poderia ter sido Militar na Aeronáutica... ou não podia? Bastaria para tanto que houvesse uma aviação militar naqueles tempos das Legiões Romanas ou que ele tivesse vivido nos tempos modernos.
O cavalo é um meio de transporte tal como o avião, um instrumento de guerra, tal como o avião, faz-se conduzir, tal como o avião... logo há qualquer coisa em comum, ou não há?
Mas o que me leva a eleger o cavalo como figura representativa deste S. Martinho que pretendo evocar, é a Feira Nacional do Cavalo que decorre na Golegã! Porque é um sub-título da Feira de São Martinho ou Feira da Golegã, aí já encontramos mais um motivo para falar de cavalos, castanhas, São Martinho, aviões, Base Aérea nº. 3 e tantas coisas que ligam a antiga Base à Golegã!
Não é apenas pelo bom Bife à Central, que se ia comer com satisfação ao Restasurante que dá o nome ao bife; pelo bom vinho da Quinta da Cardiga que se saboreava com ou sem parcimónia, mas com alegria; pelos bons momentos passados nas "Festas do Pilotaço", onde os homens dos "Zingarelhos", dos "NORAS" ou dos "Aviocas" desopilavam das canseiras tidas nas missões voadas ao longo do ano. Não era só por isso, mas também por isso!
Muitos dos nossos residiram naquela Vila Ribatejana, que sempre nos honrou com a sua amizade, o seu bem receber, que é apanágio das gentes da lezíria.
Hoje comemora-se o São Martinho um pouco por todo o lado... mas a Golegã dá especial evidência a esta festividade, porque engloba a Feira Nacional do Cavalo no grande magusto que é ali realizado!
Como cantava o fadista:
"Óh Golegã...
...loiças e barros, nozes e gados
ferros e vinho...!
Óh Golegã...
...és a primeira terra toureira
que vai à feira de São Martinho!"