quarta-feira, 31 de março de 2010

Para todos os Amigos

São os desejos sinceros do autor, que pede Àquele que RESSUSCITOU que vos traga sempre ALEGRIA, SAÚDE, PAZ, TRABALHO e tudo o mais necessário para alcançar a felicidade.

sábado, 27 de março de 2010

Histórias da Base de Tancos

Na busca de histórias ligadas àquela que foi a Base Aérea nº. 3, dei de caras com este belo pedaço de prosa, da autoria do PA Loureiro/68 e publicada na Net pela Associação Nacional de Polícia Aérea.
Pelo interesse do trabalho, publica-se para que os vindouros possam reflectir sobre o "erro de casting" que foi a passagem da Unidade para a esfera do Exército... que afinal foi o berço da aeronáutica em Tancos.
"A nossa querida BA3
A PA “nasceu” em 1963 e em 1968 ainda ela era, portanto, uma criança.
A BA3, tal como a conheci naquele tempo, era o que se chama hoje um Centro de Formação, ali era ministrada a instrução de pilotagem de helicópteros, apoio à formação de páraquedistas com a velhinha esquadrilha de JU's - se é que se pode chamar assim -, gloriosas máquinas voadoras feitas em chapa ondulada que na “força” do verão, por vezes “borregavam”, e os pilotos tinham que efectuar novamente as manobras de aterragem devido à grande envergadura das asas da aeronave, conjugada com as correntes ascendentes das massas de ar aquecidas pela alta temperatura da pista (era o que diziam os entendidos). Formavam-se ali também , as especialidades do Serviço Geral.
Naquela altura era assim, cada macaco no seu galho! Haviam os Especialistas e os outros...nada de misturas! Por acaso eu andava "misturado" a partir do momento em que fui promovido a Cabo Miliciano, mas eu sabia muito bem qual era o meu lugar e que portanto, pertencia aos outros.
Os Especialistas, pessoal voluntário, técnicos das áreas ligadas à missão de vôo, com fardamento mais chique, verba superior para a alimentação (logo, comiam melhor), vencimento melhor, porque tinham 500$00 de prémio de especialidade em cima dos 90$00 de 1º.Cabo que era igual aos do Serviço Geral (estão a ver a diferença heinnn), não tinham bar mas sim um Club de Especialistas e pagavam quota e tudo.
E o Serviço Geral, pessoal oriundo do serviço militar obrigatório do exército, a maior parte deles apenas com a recruta tirada, vestidos com uma farda horrível daquilo que nós chamávamos de Pelo-de-Rato, com um blusão de méscla que nos fazia derreter com o calor do verão.
Por curiosidade, quando fui transferido para a Força Aérea o tempo de tropa era de 18 meses, quando estava a atingir os 18 meses, foi aumentado para 24 e quando estava a atingir os 24 meses... aumentaram para 36... e então eu tomei uma decisão: - vou-lhes fazer a vontade... vou meter o “Xico” e vou continuar na tropa! Depois... virei o “bico ao prego” e arrependi-me porque gostava muito da vida militar. No entanto tive engenho e arte para me “desenrascar” por outro lado e não fiquei a perder nada. O PA é assim mesmo!
Continuando: - A BA3, como Centro de Formação que era, em regra geral formava em cada turno (havia 4) 1 Pelotão de Amanuenses, 1 Pelotão de Condutores-Auto, 1 Pelotão de Bombeiros, 1 Pelotão de Clarins e duas Companhias de Polícia Aérea (vejam a diferença)... que eram os que tinham melhores condições de alojamentos, aliás, era a única camarata de rés-do-chão e primeiro andar.
Como é evidente, haviam muitos oficiais naquela base a quem nós batíamos educadamente aquela “palada” da ordem, mas a verdade é que, a maioria de nós nem sabia os nomes dos Comandantes, mas toda a malta sabia os nomes de 3 ilustres Oficiais e os outros eram “paisagem”: O Sr Capitão/PA- António Perestrello, agora Sr Coronel, que foi o Director do meu Curso de Sargentos Milicianos. Um homem impecável e sempre bem disposto,um apaixonado pelos explosivos, minas e armadilhas; O Sr Tenente Tasso, que era aquela figura majestática que nos obrigava a traser a fivela e todos os metais bem areados e nós, como caprichávamos, até aos ilhós das botas raspávamos a tinta e esfregávamos aquilo com solarina, à maneira, para parecer bem; O Sr Tenente Veiga Henriques, Comandante da Instrução da Polícia Aérea, era aquele homem que “era um terror”! A brincar a brincar dava cabo da gente! Nas suas visitas relâmpago às camaratas era um perigo, pois cama que não estivesse à sua maneira, a sentença estava logo dada: - carecada pela certa... e os outro cantavam "...e tudo o vento levou, ououu, ououu...". Ao fim de 15 dias já o pessoal não tinha motivo para gozar porque se não tinham sido contemplados, a coisa estava por pouco.
Foram anos maravilhosos. Em 1969 ou 70, foi uma “revolução” no fardamento, todo o mundo passou a andar fardado de azul, farda de verão, farda de inverno, sapatinhos, enfim... tinham acabado o privilégio de alguns. As diferenças mantiveram-se, mas no fardamento éramos todos iguais e passámos a ser “filhos da mesma mãe”. E isso envaideceu-nos e muito.
A Polícia Aérea, no uso das suas competências na Porta de Armas, tratava de fazer a triagem: - se não estava devidamente fardado, não deixava sair! Era bonito aparecermos em casa fardados à Força Aérea. E com isso já lá vão mais de 40 anos.
Um abração, rapaziada! Loureiro/68"
Por especial deferência da ANPA

quinta-feira, 11 de março de 2010

11 de Março... que verdade?

"Fomos enganados" - choravam os Páras...!
Há 35 anos, partiram algumas aeronaves da Base Aérea nº. 3 e forças terrestres do Regimento de Caçadores Paraquedistas tendo como missão repôr a "legalidade revolucionária" prometida estabelecer quando da Revolução dos Cravos, que acontecera em Abril do ano anterior, mas que era constantemente desvirtuada por acção de uns tantos que até se davam ao trabalho de inventar novas fórmulas para os Juramentos de Bandeiras, gente essa que arregimentou Soldados e Marinheiros para as mais "cativantes epopeias da indisciplina", como foram os célebres SUV - Soldados Unidos Vencerão - de inspiração ideológicamente extremista... e comunista.
"Heróis" de cara destapada... SUV!
Não sei nem interessa aqui saber-se se foi uma intentona, uma inventona, ou uma curiosa maneira de se cozinharem as nacionalizações que vieram no seguimento uma maneira inovadora de fazer a implementação de uma série de "tropelias e desmandos" cometidos num PREC que até esteve para levar este País rumo à guerra civil.
"O Povo saíu à rua"... manobrado pelo PCP
O PCP logo tratou de chamar a si os louros da travagem da "contra-revolução da direita spínolista", que já era referida na célebre inventona do 28 de Setembro, com a "maioria silenciosa".

O MFA... comunista
Tancos serviu para cimentar as maquinações cenográficas de uma hipotética contra-revolução, porque deu mais força ao populismo da Cintura Industrial de Lisboa, que servia às mil maravilhas as ideias de um Otelo que manobrava o Movimento das Forças Armadas a seu belo prazer, porque dava ao "Rolhas", de mão beijada, as rédeas de um País que se encontrava cada vez mais refém da esquizofrenia comunista de Vasco Gonçalves à beira da loucura .
O que valeu foi que a muitos se abriram os olhos o 11 de Março pretendeu fechar... com os acontecimentos de 25 de Novembro, que foi realmente salutar para estabelecer as bases definitivas da democracia.
Levou tempo... mas resultou! O 11 de Março e o Gonçalvismo foram retirados do calendário dos eventos patrióticos, em boa hora!

segunda-feira, 8 de março de 2010

COSTA MARTINS... Herói ou traidor?

O coronel da Força Aérea José Inácio da Costa Martins, natural de Messines, onde nasceu no ano de 1938, faleceu no pretérito sábado, à noite, vítima de um acidente aéreo acontecido quando a aeronave onde seguia caiu próximo da localidade de Ciborro,no concelho de Montemor-o-Novo, sobre uma herdade situada junto à pista particular de onde levantou voo.
Muitas figuras da esquerda portuguesa vieram de imediato tecer louvores à figura impoluta de "Homem e Militar", que afirmam ter sido e não me dou ao trabalho de desmentir. Apenas gostaria de recordar o facto de, chamado a tomar parte no velório de dois camaradas Pilotos falecidos durante uma missão em Angola, ter estado a jogar no "Bolling" até à hora que lhe foi determinada, tendo comparecido envergando apenas uma camisa da farda, com os respectivos galões sobre os ombros e o brevet ao peito, cachené azul ao pescoço, boné debaixo do braço... e o resto da indumentária era a sua roupa do quotidiano.
O Comandante da Base mandou que se apresentasse na Unidade... e ele assim o fez na manhã seguinte! Foi punido disciplinarmente... mas ele jamais esqueceu o facto e não se vingou do Comandante que teve a coragem de o punir apenas porque... quando pretendeu sanear aquele Comandate já este havia passado à reserva!
Foi um dos "peões" usados na Revolução de 25 de Abril de 1974. Nessa madrugada, o capitão da Força Aérea "tomou" sozinho o Aeródromo de Figo Maduro e o aeroporto da Portela, considerados pontos estratégicos para o sucesso do golpe de Estado, utilizando um bluff para iludir os Oficiais de serviço, leais ao Governo. Afirmou-lhes estar a revolução em curso e que a Unidade estava cercada por militares... mesmo sabendo que, na verdade, ao contrário do que havia sido combinado, as forças terrestres, que viriam de Mafra, ainda não tinham chegado.
A sua "acção dedicada" e "coragem enorme" - qualidades realçadas por Otelo Saraiva de Carvalho, que havia dirigido as operações a partir da Pontinha - valeram-lhe um convite do presidente da República, António de Spínola, para integrar os conselhos de Estado e da Revolução. Entre Julho de 1974 e Setembro de 75, ocupou o cargo de ministro do Trabalho nos quatro governos provisórios liderados por Vasco Gonçalves.
Foi seu secretário de Estado o antigo líder do PCP Carlos Carvalhas, que recorda Costa Martins como um homem "corajoso", combatente pela "justiça social" e por defender "com grande equilíbrio os interesses dos trabalhadores e da Democracia".
Foi apontado como um dos mentores do 25 de Novembro, golpe travado pelos militares moderados e que levou Costa Martins a ser "demitido" da Força Aérea. O seu nome foi igualmente envolvido naquilo a que chamou "sórdida cabala" do "Dia do Salário para a Nação", quando surgiu o boato que o indicava como tendo fugido do país com os "13 mil contos" da iniciativa. Uns dizem 13 mil, outros 80 mil, outros que não foi ele, outros que alguém se aproveitou... mas o Povo é que ficou lesado!
Foi-se refugiar em Angola, de onde regressou em 1978, por acção do seu amigo Melo Antunes, que o consegiu resgatar das prisões de Luanda, onde se encontrava a aguardar a execução, por haver sido condenado à morte por haver participado no Fraccionismo de Nito Alves, movimento que levou à prisão e morte de Sita Vales e de mais alguns milhares de opositores ao MPLA e a Agostinho Neto.
Ilibado pela Justiça (?) da acusação do roubo, após o que intentou uma acção contra o Estado e voltou a ser integrado na Força Aérea, tendo recebido todos os vencimentos e ascendendo ao posto de coronel, a que teria direito se a sua carreira não tivesse sido interrompida. Coloco
"coronel"com letra pequena propositadamente, porque Coronel será apenas para aqueles que ascenderam ao posto por mérito próprio e não por benesses partidárias.
Pena é que os senhores doutros juízes do supremo tribunal administrativo não pensassem em tantos outros que tiveram as suas vidas desfeitas por se terem constituído em desertores por alguns dias... e Costa Martins, que desertou por vários anos, teve pelo seu lado a sorte de Portugal ser um País de brandos costumes... que até paga a traidores.

sábado, 6 de março de 2010

no dia 11 de Março...


...vão estar passados 35 anos sobre o "conhecimento" da indelével nódoa que apareceu postada no imaculado tecido da ainda muito jovem democracia - a acreditar não ser apenas um espectro de tal sistema... -, e parece que Portugal ainda não se conseguiu livrar dos resquícios de tal nódoa, que vai tirando "brilho" e notoriedade a tanto que tem sido feito por cá, bom e mau, porque ainda está o tal osso PREC atravessado na garganta de quem se foi entretendo a engolir sapos, gatos, elefantes e até engenheiros mais ou menos bem instruídos pela gestão académica "independente" que em determinado momento grassou no País.
Bem... não sabemos bem se o 11 de Março foi mais um "cantar Abril", uma forma de estar "sempre, sempre ao lado do Povo..." até porque sempre foi claro que "...o Povo é quem mais ordena!", mesmo que lhe seja ordenado que pare de sonhar com paraísos inexistentes, como é o caso da "terra para quem a trabalha...", cientes de que "ninguém pode fechar as portas que Abril abriu..." e outras atoardas lançadas ao ar para o Zé engolir em seco, porque nem que se fizessem mil e uma "matanças da Páscoa" haveria carniça para tantos abutres como aqueles que se revelaram no período dessa coisa abjecta chamada PREC.
Talvez os ares da Guiné-Bissau tenham embotado um pouco o discernimento do Cabo de Guerra António de Spínola e o tenha levado a acreditar em algumas histórias que lhe foram contar, mas ele não era totalmente ingénuo e algum fogo havia no meio da fumaça, como diria Pinheiro de Azevedo. Se Spínola acreditou é porque esteve eminente qualquer coisa de dantesco saída das células vermelhuscas do PCP de então, pois não só o Cunhal era um estratega com astúcia de chacal, tal como o eram o sibilento Carlos Brito, o bonomioso Octávio Pato, o artífice das mil patranhas Vital Moreira e tantos outros, conhecidos ou desconhecidos, que leram a cartilha ao ti Vasco Gonçalves quando este era utente do Miguel Bombarda e o levaram a ser seu "cavalo de Tróia" no ambiente castrense, onde encontrou os subservientes necessários para levar por diante uma contra-revolução... que apenas não deu certo porque nem todos os Militares estavam pelos ajustes em ser traidores ao Juramento de Bandeira um dia proferido!
35 anos depois do 11 de Março, ainda dá para vêr pulsar dentro do peito de muitos daqueles que então estavam na Base Aérea 3 e daí pretenderam ser a resposta às arremetidas do Partido Comunista, pagando a sua coragem com a liberdade que então lhes foi cerceada.
Tancos foi sempre um baluarte importante na defesa da incipiente democracia, que se afirmava havia sido instituída com a Revolução de Abril. Talvez tenha sido esse o facto que mais pesou para se determinar o encerramento da BA3... mas isso jamais os políticos aceitarão revelar! Para nós fica a memória... e a saudade!