segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

SIC TRANSIT GLORIA MUNDI

"ASSIM PASSA A GLÓRIA DO MUNDO" é uma conhecida expressão originada no Latim e que era utilizava , até 1963, no cerimonial de coroação do Papa, quando um dos Mestres de Cerimónias proclamava por três vezes "Sancte Pater, sic transit gloriae mundi", recordando Sua Santidade da natureza transitória da vida e das honras terrenas.
Durante a minha passagem pelas terras da guerra, seja em Angola ou em Moçambique, tive ensejo de "visitar" várias moradas eternas de camaradas de caminho que "resolveram" permanecer por lá, em virtude de abandonarem a "terra dos vivos" para descansarem das agruras da guerra que por lá grassava.
Aí, em alguns mausoléus , via-se inscrita a frase que nos serve de título e, muito naturalmente, havia sempre alguém que perguntava o significado da mesma, talvez porque o latim não lhes fosse nada familiar, apesar de ser uma chave de toda a língua portuguesa, como é lógico deduzir-se a partir do facto de Roma ter dominado grande parte da Europa, incluíndo-se Portugal, evidentemente.
Expliquei bastas vezes o significado da locução e de algum modo deixei que as pessoas extrapolassem sobre a mesma, procurando corrigir os exageros de molde a que não ficassem com ideias erradas sobre o significado real.
Dizia-lhes então que a glória do mundo é sempre transitória, uma vez que todos somos iguais perante a morte! Que importam as ideias de grandeza se aquilo que nos espera é sempre a volta ao pó?
E muitas vezes recordo toda a importância que foi dada à Base Aérea nº. 3, que chegou a atingir padrões de excelência no cômputo de todas as Unidades da FAP... para que um belo dia fosse votada ao ostracismo por parte de quem um dia a ousou ver no auge!
Com César Augusto, Napoleão, Hitler, Wellington, Patton, De Gaulle e tantos outros grandes senhores da guerra... não aconteceu outro tanto? Não foi Kennedy alguém que se julgava acima do comum dos mortais... e foi "retirado do mundo" com um simples tiro disparado à traição? Não são estas situações que demonstram quão transitória é a vida daqueles que um dia viveram na glória? Não conhecemos gritantes exemplos de ídolos com pés de barro, que caíram imolados pela precaridade da fama que os havia envolvido?
No final deste ano da graça de 2010, vejamos até que ponto contribuímos para que a transitoriedade das nossas vidas seja uma realidade... apenas e tão só porque não nos dispuzemos a reflectir nesta frase lapidar tão profunda: SIC TRANSIT GLORIA MUNDI!
E que o 2011 seja o repositório de todas as coisas boas que pretendemos para a nossa vida, espacialmente quanto a SAÚDE, AMOR, TRABALHO, ALEGRIA, FELICIDADE...
...ENFIM: UM BOM ANO PARA TODOS VÓS!!!

domingo, 19 de dezembro de 2010

UM CANTOR ANTI MILITAR...

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A separata VIDAS do CORREIO DA MANHÃ de 20 de Novembro último, publicou na página 45 uma nota onde o cantor RUI VELOSO faz algumas declarações, da qual se transcreve:
"Militares... Muitos anos depois de "Máquina Zero", Rui Veloso continua com os militares atravessados. «Fui recusado na tropa por causa de ter óculos. Não meti cunha nenhuma, cheguei a ir à inspecção e tudo. Eles é que não queriam lá gajos com miopia», desmistificou o músico, que não poupa críticas ao sistema militar: «Os militares continuam a ser um dos grandes problemas deste mundo. O lóbi militar é mesmo dos mais sinistros que existem. Junto com a droga, é o maior negócio do planeta» . Ups!"
Um dos comentários a esta diatribe do senhor Veloso diz-nos: "O senhor Veloso precisa urgentemente, de consultar um psiquiatra. É que, pretender comparar a Instituição Militar aos lóbis da droga, só pode provir de uma mente putrefacta.
É pena que o senhor Veloso aproveite o estatuto que a gargante (e só a garganta porque o resto é balofo!) lhe proporcioniou para, com língua víperina, invectivar, ofender, enlamear o bom nome de Instituições que sempre foram consideradas respeitadas, como é, neste caso, a Militar.
Pergunto-me, com aguçada curiosidade, o que terá acontecido ao senhor Veloso para se referir aos militares, à tropa, tão desabridamente e com tanto asco. Terá sido porque, na inspecção, a que chegou a ser submetido, como diz, quando estava todo nu, como é da praxe, os elementos da Junta, reunida para o efeito, fizeram comentários depreciativos ao tamanho da sua "pila"?
É uma hipótese!
Ora aqui está: Tudo isto é o reflexo do senhor Veloso não ter ido à tropa. Se a tivesse frequentado, ter-se-ia transformado num homem de verdade. Assim, ficou a meio. Ou, talvez, nem isso!
Nunca, em caso algum, o ditado "vozes de burro não chegam ao céu" encaixou com tanta perfeição, como neste episódio!
Desejo, sinceramente, que o senhor Veloso se encontre um dia no alto mar, a bordo de um qualquer barco prestes a afundar-se e que a Força Aérea (também Militar, evidentemente) não tenha, na altura, um helicóptero disponível para o ir salvar.
Se calhar, dado o alto teor de acidez da presa, nem os tubarões lhe tocariam!!!
Armando José Morganho
Capitão do Exército (Reformado)"
Porque também faço parte do lote de "droga" cara a que refere o "Xico Fininho", pela minha condição de Militar, embora reformado, não m
podia deixar de dizer só uma coisinha a essa espécie de coisa que se afirma através da música: Ruizinho... diga ao menos que chegou a deitar esse seu "pensamento" para os ouvidos do seu tio Pires Veloso, porque não acredito que ele deixasse de lhe dar dois bananos nas fuças, uma vez que era um Militar prestigiado, Oficial General do Exército Português, que à Patria prestou relevantes serviços... se é que sabe o que isso significa.
Quanto a si... talvez tenha um percurso diferente de tantos outros seus camaradas dos palcos desta vida, não sei nem isso me interessa, mas... que tal uma passa, meu? É que aquilo que disse terá sido apenas e tão só mais uma crise motivada pela falta do pó! Estou certo ou estou errado? Há boas instituições para curar essa dependência, pelo que apenas lhe digo: CURE-SE!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

VALHA-NOS O SANTO NATAL...

...porque é aquilo que nos vai dando um manancial de esperanças capaz de fazer parecer menos difícil de superar tudo o que de mau foi surgindo no ano que está prestes de findar.
E é nessa esperança que vamos cantando, jubilosos, a alegria pelo Natal de Jesus Cristo, o Filho de Deus que se fez Homem para que houvesse Redenção do Género Humano, marcado pelo Pecado Original.
A mesma esperança que nos leva a proclamar o Nascimento do Salvador do Mundo, fazendo coro com os Anjos:
GLÓRIA IN EXCELSIS DEO!!!
FELIZ NATAL...
UM NOVO ANO CHEIO DE BENÇÃOS DE DEUS!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

SÁ CARNEIRO... COMO MORREU? CRIME?

No local do acidente, em Camarate

No dia 04 de Dezembro de 1980, logo após levantar voo do Aeroporto de Lisboa, com destino ao Porto, despenhou-se sobre Camarate o avião CESNA que transportava o então Primeiro Ministro Francisco de Sá Carneiro e acompanheira Snu Abecassis; o Ministro da Defesa Adelino Amaro da Costa e a esposa Manuela Amaro da Costa; o Chefe de Gabinete António Patrício Gouveia. A aeronave era pilotada por Jorge Albuquerque e tinha Alfredo de Sousa como co-piloto e estava ao serviço da Aliança Democrática, que estava empenhada na eleição presidencial do General Soares Carneiro, que iria ter, nessa noite, um comício no Porto.
Pouco depois de descolar, houve uma explosão e o avião, já a arder e a deixar um rasto de detritos incandescentes, embateu nuns cabos de alta tensão junto ao Bairro das Fontaínhas, perdeu velocidade e despenhou-se sobre uma casa em Camarate, tendo morrido todos os ocupantes do avião e uma pessoa que estava na casa sobre a qual caíu.
O inquérito perliminar feito pela Judiciária, sobre a égide do Ministério Publico, instaurado na própria noite e concluído em 09 de Outubro de 1981, afirma não haver indícios de crime, devendo aguardar-se a produção de melhor prova.
No dia 12 de Outubro o procurador geral da República determiniou o seguimento das investigações em "inquérito público" e a primeira Comissão Parlamentar foi então instituída, tendo terminado os seus trabalhos a 15 de Junho de 1983 e com os resultados a transitarem do Ministério Público para o Juiz de Instrução Criminal... passando a Polícia Judiciáruia a actuar na investigação a partir de 08 de Dezembro de 2004 - APENAS 24 ANOS DEPOIS DA QUEDA DO AVIÃO!
O Relatório da Comissão Multidisciplinar sobre a tragédia de Camarate, as conclusões apontam para a tese de SABOTAGEM, sendo defendidas pela maioria PSD/CDS-PP.
A Inspecção Geral de Finanças efectuou uma auditoria ao Fundo de Defesa Militar do Ultramar entre 1974 e 1981. Neste documento é revelado que o então Ministro da Defesa Adelino Amaro da Costa havia solicitado, dois dias antes do acidente, "que o Gabinete do Estado Maior das Forças Armadas se dignasse informar com urgência o que entendesse por conveniente sobre a exportação de material de guerra para o Irão", no eclodir do conflito entre aquele país e o Iraque. O ofício do Ministro tem a data de 02 de Dezembro de 1980... morrendo Adelino Amaro da Costa no dia 04 de Dezembro... sintomático.
A auditoria diz-nos que as investigações reforçam não só a ideia de um saco azul de milhões de contos desviados, à luz dos valores actuais, mas também foi exigido por Amaro da Costa ser informado sobre o que se passava com a exportação de material de armamento, impedindo o Ministro que se efectuasse a venda de material a alguns países como a Guatemala, a Argentina ou a Indonésia. Os auditores concluíram que tudo levava a crêr ter seguido para o Irão diverso material de guerra, dado o livro de registo da correspondência classificada conter, a 09 de Dezembro de 1980, uma comunicação da Direcção Nacional do Armamento - EMGFA que alude à exportação de material... para construção. O ofício em causa é datado de 05 de Dezembro, mas apenas terá dado entrada no livro de registos de correspondência classificada do EMGFA no dia 09 de Dezembro. Isto foi confirmado em 22 de Janeiro de 1981.
Há muitas pontas soltas, pelo que a suspeita de assassinato continua a ter lógica, dado haver mais que motivos para que Amaro da Costa fosse exterminado. Os outros foram vítimas circunstanciais, mortos não programados que apenas o foram porque estavam no lugar errado à hora do atentado.
Mas... quem mandou efectuar a sabotagem? Será que Sá Carneiro foi mesmo vítima de complô contra ele ou foi apanhado no meio?
É tempo de se saber o que aconteceu naquela noite. O Povo agradeceria que tal evento tivesse uma explicação plausível!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

25 DE NOVEMBRO - 35 Anos

Aquilo que se passou em Portugal 35 anos atrás, deveria ser motivo de reflexão profunda por parte dos políticos de hoje, pois talvez os levasse a rever "prioridades" em termos de estratégia política, virando a agulha para o Povo e não para a cartilha partidária, para as populações em geral e não para uma elite de correligionários políticos agregados a uma mesma linha, a um mesmo conceito estratégico capaz de dar tudo a uns e nada aos outros, como seja a esperança de poder sobreviver num "manicómio" concebido por uma mente brilhante que julgará ser o Messias dos novos tempos, talvez porque conseguiu abrir a caixa de Pandora e conduzir os seus seguidores à Terra da Promissão onde os eleitos recebem os Euros... e os outros a desilusão.
No dia 25 de Novembro de 1975 há muitas dúvidas quanto à coerência - ou incoerência - daquilo que os "heróicos" revoltosos de Tancos pretensamente teriam, até porque as políticas então seguidas por eles estavam intrínsecamente afectas àquilo que o Partido Comunista tencionava colocar em prática por esses dias, não parecendo minimamente credível o PCP dar assentimento à concretização de um "golpe militar" a realizar com tão frágil plano de actuação.
Não apenas pelo facto de ser um plano de acção sem força, sem pernas para andar, mesmo que a ocupação do Comando Operacional da Força Aérea e das suas principais Unidades operacionais não possa ser caracterizada como uma missão sem interesse, porque é necessário ser-se inteligente para efectuar esta missão, que leva o pêndulo da balança do poder a cair forçosamente para a esquerda - no caso a comunista.
Ao ser "tomada" a Força Aérea, o Exército perdeu um dos seus equilíbrios de forças, pois era um apoio importante que se perdia.
Otelo Saraiva de Carvalho estava a jogar forte, quando deu a mão aos Pára-quedistas nesta tentativa de mudança do poder militar para a Esquerda radical. E de tal forma era forte a sua jogada que não lhe importou muito trair as expectativas do PCP ao deixar sem liderança os revoltosos, que se sentiram então abandonados pelo seu carismático Comandante. Otelo tinha construído uma imagem no 11 de Março, que veio a destruír no 25 de Novembro.
Para os Pára-quedistas Otelo deixou de ser o grande líder revolucionário para passar a ser... o grande bluf.
Ao não apoiar Vasco Gonçalves ou os "Páras", Otelo deixou de contar para determinada Esquerda, que não estava muito preocupada com a possibilidade de este País ser assolado pela tragédia de uma guerra civil! Aí talvez se possa dar a Otelo uma palavrinha de "quase agradecimento"... "mas não carecia estar-se assim a expôr pelos Portugueses", quer ele quer o Costa Gomes, pois também este tratou de travar o tal confronte Norte/Sul que esteve eminente.
Portugal continua à espera de saber o que aconteceu realmente naquele período do PREC... e eu, Comandante da Guarda que foi preso na BA3 pelos heróis que nos "tomaram a Unidade", ainda espero que me peçam desculpa pelo mau bocado então vivido. Trinta e cinco anos depois, com alguns amigos entre os "invasores", merecia que me dissessem qualquer coisa, nem que fosse:
- "DESCULPA LÁ AQUELA GAITA DO 25 DE NOVEMBRO, PÁ! AMIGOS COMO DANTES ?"

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

GREVE... 25 DE NOVEMBRO...

NOS TEMPOS EM QUE "MILITEI" NAS FILEIRAS DA FORÇA AÉREA, MAIS CONCRETAMENTE NA ANTIGA BASE AÉREA Nº. 3, QUE EXISTIU EM TANCOS, FUI UM ACÉRRIMO DEFENSOR DOS DIREITOS DOS TRABALHADORES... MESMO QUE FOSSE ANTI GREVE, PORQUE ANTI COMUNISTA CONVICTO, APESAR DE SABER BEM QUE MUITAS DAS SUAS TESES SÃO ACEITÁVEIS PARA QUALQUER PESSOA QUE ESTEJA CONSCIENTE DE QUE OS SEUS FILHOS TÊM O DIREITO SAGRADO E INALIENÁVEL DE PROMOVER A LUTA PELA SUA FELICIDADE E A DOS SEUS FAMILIARES.

Não é crível que o País tenha mudado de forma tão substâncial que me leve a ter hoje, dia de GREVE GERAL, outra forma de vêr a realização desta manifestação de desagrado para com as medidas absurdas tomadas pelo Governo da República, em nome de uma necessidade premente em fazer regredir o caminho vertiginoso que se está a fazer rumo ao caos.
O Partido Socialista está hoje perante o dilema de nos colocar na miséria ou de mão estendida à caridade dos transeuntes... mas sabe-se que os detentores das benesses governamentais têm procurado colocar a bom recato os seus avultados pés de meia e não vão querer dividir com ninguém aquilo que lhes custou a militância no Partido.
Sei que não terá nada uma coisa a vêr com a outra, mas também é este o tempo em que os Portugueses resolveram gritar BASTA e repôr a "verdade revolucionária" que se julgou haver sido referendada no dia 25 de Abril de 1974.
Amanhã, portanto como uma continuação deste dia de Greve Geral, passa mais um aniversário do grito de revolta que foi solto contra a escalada Gonçalvista e do PCP em detrimento dos princípios instituídos pelo MFA.
Para dizer mais claramente, o 25 de Novembro de 1975 é um "golpe militar" inserido no processo contra revolucionário que estava patente no estado a que o PREC estava a conduzir o País.
Na assembleia do MFA realizada em Tancos, Pinheiro de Azevedo que esta assembleia seria um verdadeiro golpe de Estado, pois foi aí que uma manobra bem estruturada veio a liquidar a hipótese de Vasco Gonçalves vir a ser nomeado Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas.
Também se comemoram hoje as celebradas BARRICADAS DE RIO MAIOR. Foi por elas que os comunistas militares vieram a perder o pé, até pelo facto de estas terem sido multiplicadas por outras estradas do País, dividindo Portugal em NORTE e SUL!
Não tenhamos ilusões: O 25 DE NOVEMBRO FOI UMA LUTA ENTRE DUAS FACÇÕES MARXISTAS, EM QUE A FACÇÃO MAIS MODERADA ACABOU POR TRIUNFAR, impondo a Portugal uma Constituição Marxista, aqui com a conivência do Partido Socialista . O líder socialista Mário Soares ganhou as eleições com o "VOTO ÚTIL" dos então chamados PPD e CDS, mas os Socialistas e o seu líder acabaram por se aliar ao Partido Comunista para votar a Constituição de 1976.
É bom que o Povo, hoje em greve geral, não esqueça quem o tem tramado desde tempos imemoriais. E eu não fui, acreditem!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

a conferência NATO...

Recordo bem aquilo que as Conferências da NATO provocavam, invariávelmente, no quotidiano da antiga Base Aérea nº. 3, outrora existente em Tancos:
- A CONSCIÊNCIALIZAÇÃO daquilo que para a PAZ significaria aquele momento que então se estava a viver;
- A DETERMINAÇÃO em vencer as várias barreiras que se iam levantando um pouco por todo o lado, por parte daqueles que se empenhavam em denegrir a imagem da NATO, especialmente os que viam no Pacto de Varsóvia uma salvação para o Mundo Ocidental.
Hoje essa guerra de BLOCOS parece mais diluída, por força do fim do potentado Soviético acontecido com a queda do MURO DE BERLIM... mas outros "valores" reivindicam a extinção da NATO, levando-nos a pensar quem beneficiará com o fim desta:
- O COMUNISMO CHINÊS?
- O COMUNISMO SUL AMERICANO ?
- O FUNDAMENTALISMO MUÇULMANO e AS SUAS JHIAD ISLÂMICAS ?
- A COREIA DO NORTE?
Venha o diabo e escolha!


Enquanto isso, temos um Ministro da Defesa que brinca com o fogo, graças ao populismo de que ainda se não conseguiu livrar ! Talvez pelo facto de gostar de mostrar uma face trauliteira o faça julgar que o cargo agora exercido lhe permite todas as veleidades... inclusivé a de brincar com o brio e a honra dos Militares...

...mas "não cabe ao discípulo outra coisa que não seja ser digno do mestre", e Santos Silva segue em populismo as pégadas do seu mentor José Sócrates.
Só me pergunto se a credibilidade da NATO se poderá manter no que a Portugal respeita, dada a aptência do Governo Português para a criação de pontos de divergência no que o facto de estarmos ligados ao Tratado do Atlântico Norte nos obriga.
Depois admiram-se que o CINCIBERLANT possa saír de Oeiras. Até nos pomos a jeito!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

SÃO MARTINHO

Perguntarão aqueles que me lêem: - "Mas que diabo tem um cavalo a vêr com o São Martinho ou com a Força Aérea... não estou a vêr!".
Na verdade, nada ligará o cavalo à Força Aérea, dou de barato que assim é, mas ao São Martinho... então ele não era apresentado como um Oficial Romano, que se deslocava a cavalo, tendo repartido a sua capa de Soldado com um pobre que encontra tiritando com frio?
Ora se era Militar e Oficial, também a Força Aérea tem Militares e Oficiais, havendo uma convergência de funções na medida em que ele poderia ter sido Militar na Aeronáutica... ou não podia? Bastaria para tanto que houvesse uma aviação militar naqueles tempos das Legiões Romanas ou que ele tivesse vivido nos tempos modernos.
O cavalo é um meio de transporte tal como o avião, um instrumento de guerra, tal como o avião, faz-se conduzir, tal como o avião... logo há qualquer coisa em comum, ou não há?
Mas o que me leva a eleger o cavalo como figura representativa deste S. Martinho que pretendo evocar, é a Feira Nacional do Cavalo que decorre na Golegã! Porque é um sub-título da Feira de São Martinho ou Feira da Golegã, aí já encontramos mais um motivo para falar de cavalos, castanhas, São Martinho, aviões, Base Aérea nº. 3 e tantas coisas que ligam a antiga Base à Golegã!
Não é apenas pelo bom Bife à Central, que se ia comer com satisfação ao Restasurante que dá o nome ao bife; pelo bom vinho da Quinta da Cardiga que se saboreava com ou sem parcimónia, mas com alegria; pelos bons momentos passados nas "Festas do Pilotaço", onde os homens dos "Zingarelhos", dos "NORAS" ou dos "Aviocas" desopilavam das canseiras tidas nas missões voadas ao longo do ano. Não era só por isso, mas também por isso!
Muitos dos nossos residiram naquela Vila Ribatejana, que sempre nos honrou com a sua amizade, o seu bem receber, que é apanágio das gentes da lezíria.
Hoje comemora-se o São Martinho um pouco por todo o lado... mas a Golegã dá especial evidência a esta festividade, porque engloba a Feira Nacional do Cavalo no grande magusto que é ali realizado!
Como cantava o fadista:
"Óh Golegã...
...loiças e barros, nozes e gados
ferros e vinho...!
Óh Golegã...
...és a primeira terra toureira
que vai à feira de São Martinho!"

sábado, 30 de outubro de 2010

NESTE HALLOWEEN 2010...

...DESEJO-VOS TUDO DE BOM... SAÚDE... TRABALHO... DINHEIRO... AMOR...AMIGOS VERDADEIROS... SUPERAÇÃO DA CRISE NO PAÍS... CONCRETIZAÇÃO DOS SONHOS MAIS PROFUNDOS... QUE O VOSSO CLUBE SEJA O CAMPEÃO DOS ÊXITOS...
Bem... isto não passa de um bruxedo do Dia das Bruxas ou do Halloween, que para se concretizar apenas necessita que acredites que não há bruxas... mesmo que saibas que as há! Já olhastes bem para a garota que passa agora por ti? Não é uma feiticeira disfarçada? Então vai ao oculista e muda as lentes, tá?
BOM HALLOWEEN, AMIGOS!!!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Lenda de Santarém

Desde sempre pretendi saber coisas sobre o meio que envolvia a Base Aérea nº. 3. Tive lá companheiros e bons amigos a residir, além de que outros desses amigos serem naturais de uma terra castiça, hospitaleira e sempre pronta a apoiar tudo o que se faça em prol dos outros, com uma generosidade impar.
Das histórias sobre Santarém escolhi dar-vos a conhecer esta, porque me parece significativa.
" A origem da antiguidade de Santarém, perde-se na noite dos séculos. Foi uma cidade da antiga Lusitânia, que passou por ela, antes dos Romanos, vários povos: Fenícios, Gregos e Cartagineses. Ora conta a lenda que reinava na Lusitânia o Rei Gorgoris, chamado de "O Melícola" por ter ensinado o seu povo a extraír mel dos favos das abelhas.
Certo dia, chegou ao cais de Melícola o navio do grego Ulisses, que vinha abastecer-se de comida e água e, também, comprar o famoso mel daquela região.
O herói grego desembarcou para falar com o rei, mas encontrou Calipso e logo se apaixonaram e, esquecidos de tudo, ficaram dias e dias gozando as delícias daquele país de sol, floridos campos e frondosas florestas. Os caçadores viram os namorados e foram contar ao rei Gorgoris.
Furioso, o rei ameaçou de morte o estrangeiro Ulisses, porque não queria que a filha gostasse dele. Ulisses fugiu, às escondidas, numa noite escura. E a pobre princesa ficou abandonada e à espera de, em breve, ter um filho. A criança nasceu linda como um anjo. Num braço tinha marcada a vermelho uma flôr que a princesa beijou, com muita ternura. - Ábidis, assim te chamarás!
Melícola mandou pôr o recém-nascido num cesto e lançar o cesto ao rio. O cesto ficou encalhado numa praia do Tejo. Vieram as corças beber ao rio. Uma delas aproximou-se do cesto. Puxou-o e deu de mamar a Ábidis. O Príncipe foi criado pelos animais do bosque.
Ábidis tornou-se num belo rapaz, que se alimentava de peixe do rio e frutos silvestres, e estava habituado a conviver com os animais. Mas um dia, uns caçadores surpreenderam aquele rapaz selvagem, capturaram-no e levaram-no à presença de Calipso, sua mãe. Calipso reconheceu em Ábidis, através de um sinal de nascença, o seu filho abandonado.
Ora, o rei Gorgoris já estava muito velho e andava desgostoso, porque não tinha herdeiro varão, para o suceder no trono. Quando soube que o neto tinha sido encontrado, ficou muito feliz e resolveu educá-lo como seu sucessor. Ábidis tornou-se assim no rei dos Lusitanos, um rei justo, sábio e humano, que mandou edificar uma cidade no sítio onde viveu os primeiros anos da sua vida.
A essa cidade chamou Esca-Ábidis, que significa manjar do príncipe Ábidis, o primeiro nome da cidade de Santarém, cujos habitantes são até hoje conhecidos por escalabitanos."

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

OS CONTRATADOS DA FAP

No dia em que tive o desgosto de vêr entregar ao Exército a antiga Base Aérea nº. 3, recordo ter dito ao então Capelão Chefe, o saudoso Padre Manuel Baptista Gonçalves Pedro, que lá havia sido Capelão, que aquilo era o sinal dos tempos e a Força Aérea, de cedência em cedência, iria acabar por desbaratar todo o seu património, pois os anéis estavam a começar a ser vendidos ao desbarato.
Tive de imediato o pressentimento de que a coisa não iria ficar por ali, pois forçoso seria diminuirem os quadros, até porque não havia necessidade de tanta gente, depois que fecharam as Unidades no Ultramar, e agora estavam a ser encerradas as Unidades metropolitanas... logo o pessoal seria reduzido forçosamente, o que veio a verificar-se.
Depois tentou-se a semi-profissionalização dos Militares, fazendo-se contratos daqueles que se tornavam necessários para o regular funcionamento das Unidades, mas poderei afirmar ter sido um tiro no pé dado pela hierarquia, já que o terem terminado com o Serviço Militar Obrigatório forçosamente acabou com os Soldados, desfalcando de um modo especial a Polícia Aérea, que nunca mais conseguiu ter efectivos completos, chegando-se ao ponto de se ter pensado em colocar empresas de segurança a policiar as Unidades e Serviços... esquecendo que bastaria pagar aos jovens que na FAP foram especializados em Polícia Aérea o mesmo que iriam pagar às firmas de Segurança e tinham o problema resolvido.
Mas agora... O GOVERNO RESOLVEU REDUZIR EM 3.000 O NÚMERO DE CONTRATADOS QUE ESTÃO AO SERVIÇO!
AINDA VEREMOS OS SARGENTOS A FAZEREM SERVIÇO DE GUARDA E REFORÇO E OS OFICIAIS SUBALTERNOS COMO CABOS DA GUARDA!
Longe vão os tempos em que as Paradas se enchiam de garbosos rapazes que enchiam o peito de orgulho no dia do seu Juramento de Bandeira!
Longe vão os tempos em que a Força Aérea tinha orgulho em dar formação aos jovens que nela haviam escolhido servir a Pátria, pois o facto de envergarem a farda azul ou o camuflado com a Boina Azul na cabeça dava-lhes a noção de que estavam a contribuír para a dignificação e o prestígio cada vez maior da Arma de Aeronáutica Militar Portuguesa.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

ENCONTRO DE PESSOAL DA EX-BA3

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Não é o 10º. Encontro mas sim o 9º. O que interessa é informar que vai ser realizado mais um convívio e aqueles que ainda sentem no peito o apelo da antiga Base Aérea nº. 3 devem dizer presente...

REFORMAS NA SAÚDE MILITAR

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Comentários para quê? Leiam e pensem maduramente neste documento! Lima Coelho e a Associação de Sargentos que preside têm de saber que podem contar com cada um de nós, Sargentos e Praças, esperando-se que a Associação de Oficiais não se mostre contra a possibilidade de um dia poder haver um Sindicato dos Militares das Forças Armadas, única forma de lutar contra o estado de coisas a que se chegou.
Não é uma questão de vencimentos, de reformas na Saúde Militar, Progressão de Carreiras ou qualquer outro interesse corporativo! Não! São as mentiras constantes que ouvimos por parte dos titulares da Instituição Militar, a começar pelo Exmº. Ministro da Tutela e os seus Secretários e Chefes dos Ramos das Forças Armadas.
Nós, antigos Militares que agora estamos na Reforma, temos medo pelo que está para acontecer aos que se encontram ainda ao serviço, pois não auguramos nada de bom, a avaliar pelos sinais que vamos constatando no quotidiano.
Perder a dignidade... nunca!!!

ENCONTRO DE MILITARES

Ninguém pode dizer "DESTA ÁGUA NÃO BEBEREI"... porque todos não seremos demais para "obrigar" as Autoridades (?) Governamentais a dizer o que somos para eles... apesar de haver a impressão generalizada de que apenas interessava a estes senhores quando era necessária "CARNE PARA CANHÃO".
Agora o tempo é de paz... para que interessam os que escaparam das agruras da guerra que tiveram de suportar? Isto falando dos antigos Combatentes, Veteranos ou , na óptica governamental, "Parvos" Militares que se deixaram "comer mais uma vez" ao acreditarem que a Pátria lhes estaria reconhecida e lhes faria justiça, dando-lhes a dignidade necessária até que a morte os possa levar.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

PUBLICAÇÃO AERONÁUTICA

Quando a Euro Impala resolveu editar a sua HISTÓRIA DA AVIAÇÃO, de que neste Blog dei conta, fiquei com imensa curiosidade e congratulei-me pelo facto de haver finalmente uma editora a prestar um serviço que, no meu entender, tardava em ser feito.
A Força Aérea Portuguesa deu o seu apoio, o que achei excelente, porque assim estaria assegurada a idoneidade da obra... pensava eu, até pela larga divulgação das coisas do ar que o MAIS ALTO, ao longo dos anos da sua existência, foi fazendo, dando subsídios extraordinários para o êxito de um trabalho que poderia e deveria ser um orgulho para a FAP.
Não sei se o Coronel Macário, ilustre Director do Museu do Ar, teve conhecimento atempado das matérias que seriam publicadas nos 5 volumes que constituiram a HISTÓRIA DA AVIAÇÂO, pois julgo estar bastante incompleta a parte respeitante à nossa Força Aérea, omitindo-se parte significativa do que foi a Aeronáutica Militar Portuguesa até 1952, ano da criação da FAP. Omite-se por completo o papel que teve a extinta Base Aérea nº. 3, que então era designada como Esquadrilha Mista de Treino e Depósito, existente em Tancos, esquecendo-se a sua Esquadrilha nº. 1 de Caça, fundada em 01 de Janeiro de 1926 e que teve como símbolo o Galgo.
E as Esquadras 502 e 552? Uma operou os míticos NORDATLAS, a outra operava os helicópteros ALOUETTE II e foi o berço dos tão prestigiados ROTORES DE PORTUGAL.
Acabou por ser apenas um aperitivo para uma HISTÓRIA DA AVIAÇÃO que não faça omissões e diga realmente quem foi o quê na história do ar. E não devemos esquecer que a Força Aérea existe porque existem aviões e pilotos... mas também quem arranje uns e dê de comer aos outros. Na BA3 havia essa consciência.
Os Portugueses já mereciam uma história da FAP digna desse nome.

domingo, 19 de setembro de 2010

Memórias...

A Base Aérea 3, talvez pelos muitos anos que "serviu" como Unidade de referência no contexto de uma Aeronáutica Militar, que se haveria de tornar numa Força Aérea de prestígio inegável, sempre foi fértil em figuras quase míticas, carismáticas, que "fizeram" a Base e se tornaram indeléveis da história da FAP.
Todos ouviram contar histórias de A, B ou C, ligadas ao quotidiano de uma Unidade que tinha uma massa humana multifacetada em todos os sentidos, porque havia lá "figuras" que tinham uma cultura esmerada... a par de outras que eram a antítese, provindo de locais dos mais recônditos do País, onde não tiveram hipóteses de conhecer as letras ou a escrita, confinados que estavam à pastorícia exercida nas montanhas e vales transmontanos ou da Beira Alta, ou então na passagem do dia agarrados ao cabo de uma enxada, ao sol das campinas alentejanas ou nas planícies do Ribatejo.
É assim que se ouve falar do Canavilhas, do "Pistolas", do Jofre, do Zé Maria, do Marinho, do Bento Pinto, do Cabo Xico, do "Mata Carros", do Lopes ou do "Barracas". Contam-se histórias, umas mais verdadeiras que as outras, histórias para todos os gostos, que têm muito o cunho da admiração, da amizade, dos ódios de estimação que se adquiriram nas mais diversas situações do quotidiano da Base... enfim! Há de tudo como na farmácia.
Não podemos esquecer que a história de OVNIS mais badalada no País se terá passado com um Militar da BA3, quando da execução de um voo nocturno.
Algumas mortes acontecidas na Unidade também serviram para se fantasiarem casos, chegando alguns a encher páginas de jornais, como a do Capitão Ribeiro, que terá sido assassinado no ginásio da Base, segundo a versão apresentada pelo pai do inditoso Militar, que apenas e tão só terá sido acometido de uma síncope e acabou por falecer por falta de socorro, porque ninguém se apercebeu da sua presença no local onde pereceu.
Também se contaram histórias de faca e alguidar a propósito do ataque às aeronaves perpetrado pela ARA - Acção Revolucionária Armada, uma célula terrorista do Partido Comunista Português, criada, segundo afirmam, para lutar contra as guerras no Ultramar e contra a ditadura do regime.
No dia 08 de Maio de 1971 foram colocados pela ARA diversos engenhos explosivos num dos hangares da Base, de que resultou a destruição de 28 aviões e helicópteros.
Sabe-se que entre os terroristas da ARA, para além do conhecido Jaime Serra, e do membro do Comité Central do PCP Rogério de Carvalho, que vivia na clandestinidade, havia um Tenente Páraquedista de nome Cassiano Bessa, outro Tenente, mas este miliciano, que seria estudante de Economia e um estudante de engenharia que dava pelo nome de Raimundo Narciso.
Muitas histórias há para contar... mas vamos esperar pela oportunidade para o fazer, porque tal como a Nau Catrineta, também Asas nos Céus tem muito... muito que contar! Aguardem serenos, que eu volto já!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

HISTÓRIA DA AVIAÇÃO

Para aqueles que gostam de saber a história das coisas, neste caso as origens da Aviação, têm agora a possibilidade de adquirir uma colecção hoje lançada pela Euro IMPALA, com o apoio da Força Aérea.
O primeiro livro da HISTÓRIA DA AVIAÇÃO tem como título "O Sonho dos Pioneiros" e narra os primeiros passos, da Passarola aos irmãos Wright e dos primeiros voos à Primeira Guerra Mundial.
É uma colecção de 5 títulos, a saber:
1 - O Sonho dos Pioneiros; 2 - Máquinas de Guerra; 3 - O Negócio dos Ares; 4 - À Conquista do Espaço; 5 - Portugal a Voar.
Espero que valha a pena a aquisição. Se tiverem o interesse do primeiro volume...

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

NUM PAÍS EM CONVULSÃO...CONFUSÃO!!!


Quando estava na que em tempos se chamou Base Aérea nº. 3 - agora "potencial" santuário dos futuros "zingarelhos" que se espera venham um dia a equipar um nova aeronáutica... sonho de algum menino que falhou a entrada na FAP e resolveu que se um dia fosse alguém na "Tropa", iria lutar pela reintrodução das "asas" no Exército -, houve uma tentativa de dotar a Força Aérea de capacidade para combater incêndios florestais e não só, utilizando os meios aéreos para o lançamento de caldas retardantes que permitissem prestar ajuda aos Soldados da Paz no combate às chamas.
Os aviões C-130 foram preparados para esse trabalho, com a instalação de "kites" para a largada da calda, foi instruído o pessoal necessário para a execução dessa missão, fizeram-se algumas largadas experimentais, até no festival aéreo nas comemorações do Dia da Força Aérea, como aconteceu na Covilhã, por exemplo, e tudo parecia estar na santa paz dos anjos... até que o
Governo resolveu que a Força Aérea não podia estar a "roubar" o pão às firmas especializadas no fornecimento de meios de combate a incêndios.
Alegava-se que ao Estado não era permitido competir com as empresas civis em nenhuma circunstância... razão que está implícita na privatização das OGMA e outras empresas por aí fora, incluindo a Manutenção Militar.
Bem... julgo que está bem latente o porquê de muitas das lutas contra as empresas estatizadas... especialmente agora que todo o País está em chamas e o combate aos incêndios está cada vez mais dificultado. Os Voluntários, pese embora toda a heroicidade colocada no combate aos incêndios, sentem que não está a ser coroada de êxito... porque a alguém não interessa uma coordenação que leve à extinção das chamas... porque então teria de parar a árvore das patacas que é o aluguer de meios aéreos de combate aos incêndios.
Enquanto não houver uma entidade estatal responsável pelos meios aéreos, como de certo modo acontece com o INEM, estes meios vão sendo alugados por autênticas fortunas... e os meios nunca são do Estado... que já pagou o valor deles e de que maneira.. e isso é o que pretendem as empresas privadas.
- Crie-se uma divisão aerotransportada especializada no combate aos incêndios, dando-lhes os meios necessários e vão a vêr se a coisa não resulta;
- Regulamente-se a limpesa das matas e multe-se exemplarmente quem não cumpra;
- Entregue-se a essa divisão, que pode ser coordenada pelo Serviço Nacional de Bombeiros, pelos Sapadores ou por outra entidade a designar, a premente responsabilidade de erradicar os incêndios das nossas matas e parques naturais, promovendo inspecção de todo o espaço nacional no que respeita a limpeza de matas, verificação de leitos de cheia, inspecção de arribas, do parque habitacional... erm suma: de tudo o que possa contribuír para a segurança de pessoas e bens em casa do calamidades eventuais.
Isso sim, era um bom serviço prestado ao País... que vai ardendo... ardendo...
Os Kits para o C-130 combaterem os incêndios continuam no Montijo.
Portugal tem, há mais de 20 anos, equipamentos para instalar nos C-130, com o objectivo de combater os incêndios. Esses kits foram adquiridos em 1985, como alternativa mais económica à aquisição dos "Canadairs", mas os sucessivos Governos optaram pelas empresas civis, que alugam os aviões especializados no combate aos incêndios.
Alguém me dirá que estas empresas sobrevivem sem incêndios??? É que não acredito!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

FUZILADO...

Clicar sobre o recorte para aumentar
O recorte dá conta das diligências de um grupo de estudos sobre a 1ª. Guerra Mundial, para que seja reabilitada a memória de um Soldado "chaufeur", de sua graça João Augusto Ferreira de Almeida, que foi condenado à morte por fuzilamento, pela prática do crime de TRAIÇÃO à Pátria.
Procurando saber que tipo de traição terá cometido, aquele condenado, apurei o seguinte, que consta do auto de notícia respectivo:
"No dia 30 de Julho de 1917, foi mandado apresentar no Batalhão de Infantaria 23, pelo Capitão Mousinho de Albuquerque, o Soldado António Reis, por força das declarações de excepcional gravidade que este prestou contra o Soldado Ferreira de Almeida.
Foi de imediato aberto processo crime, sendo ouvidas para o efeito nove testemunhas, sendo sete com patente de Soldado e duas com patente de Sargento. Globalmente todas confirmaram o facto de que, durante o dia 29 de Julho, o Soldado chaufer João Ferreira de Almeida procurou saber qual o caminho que o levaria às linhas alemãs, declarando já ter oferecido dinheiro a um soldado para que este lhe prestasse tal informação; mostrou ainda intenção de vir a indicar as posições portuguesas ao inimigo alemão, logo que desertasse, estando para o efeito munido de dois mapas. Insistiu por várias vezes que não terminaria de cumprir os sessenta dias de prisão a que fora condenado, pois passaria para o lado alemão antes disso.
Nestes termos, o processo foi remetido ao Juiz auditor no dia 07 de Agosto, para que este emitisse parecer nos termos do artigo 33º. do Código do Processo Criminal Militar, o que este fez, concluindo ter o arguido tentado passar-se para o inimigo, pelo que se achava incurso na caução do nº. 1 do artigo 54º. do Código de Justiça Militar e assim, pelo artigo 1º. do Decreto de 30 de Novembro de 1916, cabia-lhe a pena de morte.
Era pois parecer do juiz auditor que o arguido poderia ser julgado sumáriamente, conforme dispunha o artigo 337º. do Código do Processo Criminal em vigor.
Foi com base nestes elementos que o então comandante do Corpo Expedicionário Português, General Fernando Tamagnini de Abreu e Silva determinou que o soldado em causa responderia perante o Tribunal de Guerra, a fim de lhe ser feita a respectiva aplicação da lei, pois entendia que João Augusto Ferreira de Almeida, Soldado chaufer nº. 502, cometera os seguintes crimes:
- 1º. - Tentara passar-se para o inimigo, para o que perguntara a várias praças qual o caminho a seguir, chegando até a oferecer dinheiro para conseguir obter essa informação;
- 2º. - Quereria indicar ao inimigo os locais ocupados pelas tropas portuguesas, que constavam de duas cartas itinerárias de que a praça era detentora.
Concluídas as necessárias diligências, o Presidente do Tribunal de Guerra, Coronel de Infantaria António Luis Serra de Carvalho, marcou o julgamento para 15 de Agosto, em Conselho de Guerra reunido em Roquetoire assim constituído: - Presidente; Juiz auditor Dr. Joaquim de Aguiar Pimenta Carreira e Júri, constituído por cinco Oficiais: - Major Joaquim Freire Ruas, Capitães Adriano Augusto Pires e David José Gonçalves Magno, Alferes Joaquim António Bernardino e Arnaldo Armindo Martins. O Promotor foi o Capitão Herculano Jorge Ferreira e Secretário o Tenente José Rosário Ferreira.
Foi feita a chamada do júri e das testemunhas e foram lidas as principais peças do processo, sendo identificado o réu e feitos os interrogatórios e alegações, ditando o Juiz auditor os seguintes quesitos:
1º. - O facto de o arguido, em 29 de Julho, encontrando-se na primeira linha, ter tentado passar para o inimigo, perguntando a várias praças o caminho e oferecendo a uma dinheiro para que lhe prestasse a informação;
2º. - O facto de o arguido querer indicar ao inimigo os locais ocupados pelas tropas portuguesas, constantes de duas cartas itinerárias de que era portador;
3º. - O mau comportamento do réu;
4º. - O crime ser cometido em tempo de guerra;
5º. - O réu ter cometido o crime com premeditação;
6º. - O crime ter sido cometido, tendo o agente a obrigação especial de o não cometer;
7º. - O estar ou não provado o imperfeito conhecimento do mal do crime.
Sobre estes quesitos se pronunciou o júri, que provou haver sido cometido o crime de traição do primeiro quesito, pelo que ficou incurso na sanção do artigo 54º. - nº. 1 do Código de Justiça Militar, que diz: "Será condenado à morte com exautoração o militar que passar para o inimigo". Tendo provado as circunstâncias agravantes, o Promotor conclui: "Julgo, pois, procedente e provada a acusação e nos termos do artº. 1º. do decreto de 30 de Novembrio de 1916 condeno o réu à morte com axautoração".
Houve recurso, mas não obteve resultados, sendo cumprida a sentença a 16 de Setembro, cerca das 07H45 da manhã, com a execução do Soldado chaufer João Augusto Ferreira de Almeida, em, Pincantin, próximo de Laventie, na presença do Promotor de Justiça do Tribunal de Guerra junto do Quartel General do CEP e da tropa reunida. Foram cumpridos todos os preceitos regulamentares, conforme consta do processo.
Havendo tantas injustiças disciplinares cometidas durante a Guerra do Ultramar, gostaria de saber se estes senhores também tencionam reabilitar aqueles Oficiais, Sargentos e Praças que em África hajam sido condenados injustamente. Eu posso indicar alguns desses casos...

domingo, 18 de julho de 2010

"...em perigos e guerras esforçados..."


Uma das Sub-Unidades que orgulhou a ex-Base Aérea nº. 3, que foi sediada em Tancos, foi a Esquadra 552, constituída a partir de Novembro de 1978 por acção da reorganização verificada na Força Aérea, que produziu importantes alterações na sua estrutura orgânica.
Na B.A.3 o antigo Grupo 301 mudou de designação para Grupo Operacional 31, constituído pelas:
- Esquadra 111 - à qual passou a competir a Formação de Pilotos de Helicópteros, Aviocar e Navegadores;
- Esquadra 552 - ficou como responsável por toda a actividade operacional dos helicópteros, em conjunto com a Esquadra 551, da Base Aérea nº. 6 - Montijo.
Mercê de uma nova reorganização verificada na Força Aérea, em Outubro de 1986 é extinta a Esquadra 551, no Montijo, o mesmo acontecendo à Esquadra 111 no mês de Abril de 1993. Os efectivos em aeronaves e as competências operacionais passam para a égide da Esquadra 552.
Foi na Base Aérea nº. 3 que, a partir de Abril de 1976 e integrados na então Esquadra 33, se formou a patrulha acrobática "ROTORES DE PORTUGAL", que teve a sua primeira actuação no festival aeronáutico realizado na Base Aérea nº. 1 - Sintra. Aos comandos dos quatro hélis Alouette III estavam o Major Pilav Félix Rafael, o Capitão Piloto Rui Jofre, o Capitão Pilav Mário Reis e o Tenente Pilav João Cavaleiro. Como responsável pela manutenção das aeronaves o Capitão TMMA Cancela. O fumos foram uma ideia do Capitão Rui Jofre, passando o seu uso a ser feito, partir de 1978, em todas as exibições.
Deixaram de se exibir entre 1980 e 1982, ano em que voltaram, mas agora integrados na Esqª. 552. Entre 1991 e 1992 os ROTORES estiveram integrados na Esquadra 111 e era composta por Pilotos instrutores, que operavam 3 helicópteros em simultâneo.
Com a extinção da Base Aérea nº. 3, a partir de 1994 é a Esquadra 552 transferida para a Base Aérea nº. 11, em Beja, mantendo-se como fiel depositária das tradições aeronáuticas inerentes ao emprego operacional dos helicópteros ligeiros em Portugal, pelo que lhe foram concedidas, ao longo dos anos, as mais diversas condecorações, outorgadas pelos mais altos representantes do País e por diversas instituições nacionais e estrangeiras. Entre as mais importantes conta-se a Medalha de Ouro de Valor Militar, atribuída em 07 de Fevereiro de 1992.

É Missão Primária da Esquadra:

- A execução operacional de apoio aéreo ofensivo;
- O apoio aéreo próximo;
- O apoio aéreo táctico;
- A execução de operações de transporte aéreo táctico;
- As operações aero-transportadas;
- O apoio aéreo logístico;
- As evacuações sanitárias.

Como Missão Secundária, compete-lhe:

- A execução de operações de salvamento;
- A execução de operações de transporte aéreo geral.
Foi um orgulho para a Base Aérea nº. 3 ter sido "mãe" de tal Esquadra, porque ela honrou a BA3, a Força Aérea e o País. Nesta Esquadra se criou um alfobre de Homens que elevaram bem alto o nome da Pátria que juraram SERVIR, cumprindo para além do dever "EM PERIGOS E GUERRAS ESFORÇADOS"!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Passagem baixa...

Avião Junker´ JU52
*
Ao longo dos muitos anos em que o Galgo foi a imagem de marca de uma Unidade que honrou a Aeronáutica Militar em Portugal, muitas histórias aconteceram dentro dos seus muros, umas com características humoristicas, outras configurando situações dramáticas, mas que serviram, certamente, para cimentar o espírito de unidade que se via patenteado entre todos os que na Base Aérea 3 tiveram a honra de servir.
Houve Comandantes para todos os gostos, sendo que uns tinham uma maneira de sentir a missão que lhes cabia como líderes dos Homens que lhes estavam confiados, outros teriam outra, uns seriam dados à disciplina férrea, outros à consentida... mas todos, sem excepção, foram importantes para que fosse possível levar a Base a cumprir com excelência as missões que lhe eram confiadas.
Desde sempre a Aeronáutica marcou as mentalidades das populações vizinhas da Unidade, que começou por ser o local onde os "Aerosteiros" do Exército preparavam o lançamento dos seus balões de ar quente, para depois, lenta mas progressivamente, se ir tornando numa Base Aérea de referência, depois que dois aviões Caudron G-3, pilotados pelo Capitão Ribeiro da Fonseca - que veio a ser 1º. Comandante da Unidade - e pelo Capitão Luis Gonzaga, efectuaram a aterragem na Esquadrilha Mista de Treino e Depósito, no Polígono de Tancos, em 27 de Outubro de 1921.
Em 1926, com a implementação da Esquadrilha nº. 1 de Caça, passou a usar o Galgo como símbolo, uma vez que este é o animal mais representativo da missão que à Esquadrilha foi cometida a partir de então.
Ao longo dos anos, foram operados na Base Aérea 3 vários tipos de aeronave:
- CAUDRON e MARTINSYDE em 1921/22; MORANE-SAULNIER e AVRO-ARDISCO em 1927/28; HANKER FURY em 1933; VIKER, POTEZ e WAWKERHIND em 1937; GLADIATOR em 1939; CUNTIN MOHAWK em 1944, SPITFIRE E HURRICANE em 1947, THUNDERBOLT em 1952; CUB, MAGISTER, OXFORD e JU-52 em 1955; T-33 em 1958; DORNIER (DO-27) e HELICÓPTEROS ALOUETTE ll e ALOUETTE lll em 1964/65; T-6, NORD-ATLAS e HELICÓPTEROS SA-330 (PUMA) em 1965/70; a partir de 1974 a Base operou ALOUETTE lll, CASA 212 (AVIOCAR) e CESSNA FTB-337G.
Em 9 de Setembro de 1923, foi inaugurado o primeiro Hangar.
Em 1933, chegaram os primeiros aviões de caça da aviação Portuguesa: 3 FURY.
Em 1 de Dezembro de 1937, recebeu o primeiro Estandarte Nacional, que foi uma gentil oferta de um grupo de senhoras de Abrantes.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Dia dos Combatentes

Amanhã, dia 10 de Junho, é dia de recordar os camaradas mortos em Africa, entre 1961 e 1974, ao serviço da Pátria, mesmo que agora muito o não queiram assumir.
Aconteceu uma situação militar que teve de ser enfrentada pelas Forças Armadas Portuguesas, nos primeiros meses de 1974, nos teatros de operações que estavam situados na Guiné, em Angola ou em Moçambique, que acabou por constituir a mais importante e generalizada justificação de um processo que se viu designado por «descolonização», talvez pela forma desastrosa como foi conduzido e pelos resultados trágicos que veio a provocar.
A guerra, ssegundo afirmam alguns teóricos da nossa política, já estaria militarmente perdida. E até o estaria politica e diplomáticamente, segundo outras "doutas" opiniões, pelo que era importante evitar-se, de alguma forma, um desenlace desonroso para as nossas fileiras.
Esta é uma justificação que surge da parte de alguns politicos civis que nos foram impingidos com o 25 de Abril e que este Movimento revolucionário pretendeu tornar importantes. E é curioso de se saber que esses Politicos, na sua grande maioria, viviam luxuosos exílios no estrangeiro, onde se haviam refugiado apenas por oposição aos regimes do Dr. Salazar e do Dr.Marcello Caetano... e também para fugirem ao cumprimento dos seus deveres militares.
Quase todos conviviam ou colaboravam com o inimigo - que na prática eram sempre facções com ideologia marxista, como no caso do PAIGC, MPLA ou FRELIMO -, enquanto os seus concidadãos estavam a combater em defesa do Ultramar e das suas populações. Muitos desses políticos estiveram envolvidos na preparação do 25 de Abril que, ajudaram a executar e a orientar. Foi mesma justificação invocada por alguns dos (então) jovens militares que estiveram implicados na Revolução. Dos politicos civis se pode dizer que não conheciam o Ultramar, nem tampouco a situação militar que ali se vivia, pois muitos, repetito, tinham fugido à guerra, constituindo-se na situação de compelidos, refractários ou desertores.
São alguns desses que amanhã irão deitar cá para fora palavras bonitas para confortar as suas consciências, porque os Combatentes são, no seu subconsciente, uma praga a debelar, porque lhes trazem à lembrança a sua traição à memórias d"aqueles que por obras valerosas, se vão da lei da morte libertando", como escreveu Camões.
O dia 10 de Junho é o Dia do Combatente, de Portugal e de Camões, como o será das Comunidades, da Raça, do Anjo de Portugal... mas apenas uma coisa se pode realçar: O DIA DO COMBATENTE APENAS FARÁ SENTIDO SE ESTES FOREM TRATADOS COM A DIGNIDADE QUE MERECEM, COM O RESPEITO QUE LHES É DEVIDO POR PARTE DE UMA PÁTRIA QUE TARDA EM RECONHECER QUE "PORTUGAL É OBRA DE SOLDADOS"!

terça-feira, 25 de maio de 2010

ENCONTRO DE P.A.´s - NORTE

*Click para ampliar*
Tivestes a honra de servir a Pátria na Força Aérea? Fostes um dos Homens que usou a Boina Azul da Polícia Aérea? Então... porque esperas? No próximo dia 26 de Junho vamos reunir a rapaziada PA na antiga Esquadra 12, em Paços de Ferreira! Será o 1º. Grande Encontro dos PA's no Norte de Portugal! Não esperes mais! Contacta!

domingo, 23 de maio de 2010

PUXANDO PELA MEMÓRIA...

Nos tempos que correm, talvez porque a reforma me tenha concedido um “tempinho” extra para o fazer, vou dedicando parte desse tempo a fazer como o Capitão dos piratas na peça “PETER PAN”, que fazia sempre o seu discurso de despedida e tinha tudo muito bem preparado, por temer não ter tempo para o fazer no momento em que a morte o viesse surpreender.
Como já cumpri a minha missão primária, que era viver em alegria e fazer amigos, agora resta-me manter o nível de felicidade que vim a conseguir.... e para isso procuro que o meu dia-a-dia seja sempre melhor do que ontem, o que me leva a um constante “exame” de consciência capaz de me mostrar as vivências positivas ou negativas dos tempos passados... ainda que de outras autorias mais diversas, porque o que somos é fruto do que sentimos e vivemos, já que a moldagem do carácter se baseia nos miríades de impulsos que recebemos da sociedade onde fomos inseridos, depois de haverem passado pelo crivo da tolerância, da benevolência, da liberdade de escolha, dos “input” que a nossa generosidade acabou por selecionar por serem capazes de fazer de nós seres mais capazes de amar, de sofrer, de compreender, de lutar, de obedecer, de se doar até ao sacrifício da própria vida.
Nesses momentos passamos em revista os exemplos dos nossos antepassados do passado e de um presente mais actual... e tiramos ilações para a construção do Homem que queremos ser.
Num desses exercícios, sem ainda conseguir bem entender o porquê, dei comigo a pensar quão efémera pode ser a glória do mundo, bastando para tanto que nos suba à cabeça o apreço conquistado por alguma acção que tenha sido merecedora do louvor do Povo, levando este a achar que tem, finalmente, um personagem capaz de ser o seu herói, alguém por quem sentir orgulho e admiração... até ao dia que também esse alguém lhe trará a desilusão.
E dei comigo a pensar no dia da Revolução dos Cravos e nas figuras que dela foram suscitadas, desde a modéstia de uns à arrogância de outros, das consequências sofridas pelo País quando teve de passar o PREC... e foi então que um nome me martelou a cabeça: Otelo Saraiva de Carvalho!

Não sei ainda dizer o porquê, mas foi alguém que nunca me suscitou entusiasmo, admiração ou qualquer outro sentimento... nem sequer repulsa ou compaixão.
Ficou-me, sim, uma espécie de frustração, de incredulidade, pelo facto de ele, quando regressou de Cuba onde se deslocara como convidado de Fidel Castro, haver ameaçado o Povo com fuzilamentos sumários no Campo Pequeno; e quando se deu o roubo das G-3 , que foram "desviadas" do Depósito de Beirolas, imediatamente vir afirmar que as armas estavam em boas mãos, coisa que veio a confirmar-se à posteriori, quando ele serviu de inspiração às FP-25, as suas queridas milicias populares armadas que colocaram o País a ferro e fogo, perpetrando assaltos sangrentos a carrinhas de transporte de valores e não só.
Nem sequer esqueço o papel do "seu" COPCON, que actuava apenas sob ordens suas, lembrando-me das inúmeras prisões arbitrárias então acontecidas.
No entanto, por decisão do Presidente e Supremo Magistrado da Nação, Dr. Mário Soares, acabou amnistiado do extenso rol de crimes perpetrados... talvez em nome da “sua” Revolução, quem sabe, e viu-se posteriormente promovido ao posto de Coronel. A memória é curta, é costume dizer-se, pelo que alguns se terão esquecido da pena de prisão a que Otelo foi condenado: - 17 anos de prisão efectiva, pelo crime de Associação Terrorista... Faltam ainda os Crimes de Sangue. Só não cumpriu esta pena porque foi amnistiado pelo Sr. presidente da Republica, com o argumento de que era necessário promover a Pacificação da Sociedade Portuguesa
Mas nas minhas lucubrações penso em tantos Militares que, por faltas disciplinares bastante insignificantes, algumas das vezes, se viram preteridos na promoção, foram privados da liberdade ou se viram até irradiados das fileiras.
Sou o mais sincero possível quando afirmo: OS GRANDES DESTE MUNDO ESTÃO-SE MARIMBANDO PARA QUEM ESTÁ POR BAIXO!
SE É PARA PISAR, PISE-SE, POIS A DISCIPLINA SOMOS NÓS, pensarão alguns pseudo manda-chuva da Pátria, que nem sequer conseguem perceber o significado do termo DEMOCRACIA!
Victor Elias

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Encontro de Militares na Reserva e Reforma

A mesa do Encontro na Casa do Alentejo
Conforme oportunamente havia sido anunciado, realizou-se na Casa do Alentejo, no dia 19 de Maio, pelas 16H00, um Encontro de Militares na Reserva e na Reforma, para debater aquilo que nos vai na alma, como Militares que somos, quanto às medidas que contra nós têm sido tomadas, que têm degradado as nossas condições de vida de forma acentuada, especialmente na assistência na saúde, no Fundo de Pensões em risco, degradação das reformas, aumento da carga fiscal e outros.
Desse mesmo Encontro a COMIL nos dá conhecimento, através do seguinte e-mail:
"Caros camaradas

Hoje, dia 19 de Maio, a COMIL promoveu uma reunião de militares na situação de reserva e de reforma, em Lisboa, na Casa do Alentejo da qual junto algumas fotos.
Estiveram presentes cerca de 120 camaradas.
Nas presenças destacamos os representantes da AOFA, da ANS, da APFA e do Clube de Praças da Armada.
Os trabalhos decorreram muito bem e ficou ali bem patente a indignação dos presentes sobre a sua actual situação em termos de degradação das suas pensões, da não actualização do Complemento de Pensão conforme determina a lei, da degradação cada vez mais acentuada do apoio na doença por parte do sistema de saúde militar, e ainda, devido á últimas medidas sobre o PEC e o Pacote anticrise que afectam de sobremaneira este universo de militares.
Por isso ficou decidido manter a chama da luta acesa e na próxima Quarta Feira, a partir das17.00 horas vamos fazer uma concentração no Largo Camões em Lisboa.
Para esta concertação convidamos os militares do activo a juntarem-se a nós.
Faço assim um apelo à participação de todos nesta iniciativa. Só assim poderemos defender os nossos legítimos direitos.
Com os meus melhores cumprimentos
Comandante Fernandes Torres
"

Um aspecto da assistência ao Encontro

domingo, 16 de maio de 2010

Força Aérea em Angola - Exercício «Himba»

Estava-se no mês de Abril de 1959.
Para marcar o regresso da Aviação Militar ao território de Angola, a Força Aérea levou a efeito o Exercicio «Himba», que veio a despertar bastante entusiasmo não só pela dimensão como pela novidade do evento.
Foram num total de 14 os aviões que formaram a formidável caravana de meios aéreos, que foi deslocada da Metrópole para aquela Provincia e se compunha de 6 aviões «Skymaster», 2 aviões «Dakota» e 6 aviões «PV-2», que transportaram um total de 212 Militares da Força Aérea, desta maneira divididos: 52 Oficiais, 74 Sargentos e 86 Praças.
Durante o tempo em que esses aviões da FAP permaneceram em Angola, puderam proporcionar várias centenas de baptismos de voo, nas visitas que foram efectuadas aos aeródromos de Carmona, Santo Antonio do Zaire, Cabinda, Malange, Henrique de Carvalho ou Lobito, tendo sido efectuadas exibições de largada de pára-quedistas nas cidades de Sá da Bandeira - a pioneira da Aviação Militar em Angola -, e em Nova Lisboa, cidade que veio a herdar as tradições Aeronáuticas de Sá da Bandeira e onde esteve sediado o grupo de Esquadrilhas do Huambo.
No Aeroporto Craveiro Lopes,em Luanda, realizou-se , no dia 27 de Abril de 1956, o principal festival aéreo deste Exercício, que foi preparado e dirigido superiormente pelo então Brigadeiro Piloto Aviador João Albuquerque de Freitas - que foi o 12º. Comandante da BA3 -, tendo como chefe do Estado-Maior o, ao tempo, Tenente-Coronel Piloto Aviador Ivo Ferreira e sob a presidência do Subsecretário de Estado de Aeronáutica, que se fez acompanhar por aquele que veio a ser Comandante da 2ª Região Aérea, o Coronel Tirocinado Piloto Aviador Fernando Pinto Resende.
O festival teve início cerca das 1oh30, com a largada espectacular de 80 Pára-quedistas que foram transportados em dois «C-54». Foi assaz curiosa a forma como a assistência se interessou pelos preparativos dos Pára-quedistas, desde o momento da colocação dos pára-quedas às costas, até à fixação e ajuste dos arnezes e a posterior deslocação, em formação, até os aviões. Após haverem saltado, os "Páras", formando grupos de dez elementos, trataram de recolher os pára-quedas e foram concentrar-se, após o que desfilaram perante uma multidão entusiasmada que encheu por completo uma vasta área do aeroporto.
Logo de seguida começou a demonstração aérea, desfilando uma formação de «PV-2», que efectuou uma sessão de bombardeamento real com projécteis «Napalm» (incendiários) numa zona escolhida nos limites da pista orientados a S/SO, onde se encontravam os alvos que simulavam casas, após o que foram largadas bombas explosivas de 40 kg, cujo efeito de sopro se fez sentir junto dos espectadores. Por último, eis que ganham altura para depois descerem em voo picado, efectuando várias rajadas de metralhadora sobre alvos fixos, que se encontravam dispostos no solo.

Para coroar a sua exibição, a formação de «PV-2» reuniu-se numa forma geométrica e em voo razante, efectuou várias passagens ruidosas sobre a pista, perante o enorme júbilo da assistência. (Dados coligidos do livro "Presença da Força Aérea em Angola", do Cor. Edgar Cardoso)

sábado, 24 de abril de 2010

"ONDE ESTAVAS NO 25 DE ABRIL?"

Muitas vezes tenho pensado na resposta que daria à mais que batida pergunta "ONDE ESTAVAS NO 25 DE ABRIL?" e até já me vi a dar como resposta que andava por Moçambique, magicando como fazer novos Wiriamus, Muedas, Cassanges ou qualquer outra forma expedita capaz de tornar a guerra numa coisa mais "interessante" aos olhos daqueles que fazem uma determinada corrente de opinião, talvez porque tenha constatado que esses, depois que a guerra terminou, se tornaram detratores da mesma, moralistas capazes de chamar aqueles que por lá andaram de tudo e mais alguma coisa... acredito que apenas porque a sua cobardia necessitaria de justificação e esta surgiu-lhes depois que o 25 de Abril acabou vencedor d as agruras da guerra.
Sei que o Baptista Bastos não fez a pergunta para ouvir uma resposta destas, mas também eu não nasci para andar a penar em África... e tive de o fazer por cerca de 12 anos, que não estou agora a classificar de bons ou maus, porque tiveram de tudo e não é agora o momento para dissecar tal situação.
No dia 25 de Abril estava em Moçambique, efectivamente, mais concretamente na bela Nampula, depois de ter estado algum tempo em "estágio" no Niassa, mais concretamente em Nova Freixo - hoje Cuamba -, havendo ainda a registar uma meteórica mas importante passagem por Lourenço Marques.
Apercebi-me de que algo não estaria bem quando vi o Exército a montar um prímetro de segurança à zona Militar da cidade, permitindo apenas a entrada nesse perímetro aos militares fardados, sem que alguém desse qualquer explicação sobre o assunto. Como havia ido à Manutenção Militar, retirei-me e fui a casa levar alguns mantimentos que havia comprado, indo dali para a Direcção de Obras nº. 2 de Delegação das Infras da Força Aérea, onde prestava serviço. Informei o meu chefe do que estava a acontecer e ele, sorrindo, apenas disse - "Já aconteceu!", o que me levou a perguntar-lhe o que aconteceu realmente... mas recebendo como resposta um "vá para casa e se tem um bom rádio ligue para a Metrópole, que logo saberá!". Assim fiz.
Sintonizando a Emissora Nacional, apercebo que se tocava o "E depois do Adeus", do Paulo de Carvalho, algumas baladas do Zeca Afonso, entre elas a "Grândola, vila morena" e algumas desconhecidas músicas de intervenção... até que a notícia se torna mais coerente: O GOVERNO CAÍRA, após uma revolta militar protagonizada por um "Movimento das Forças Armadas ou dos Capitães", encabeçado pelos Generais Spínola e Costa Gomes. Ouvi também o nome de Galvão de Melo e Diogo Neto, mas este último ainda o tinha visto na manhã do dia 25, dirigindo-se para o "seu" FIAT G-91, com que costumava passear-se por Moçambique, quando as conspirações revolucionárias lhe davam tempo para o fazer.
Não senti pena de não andar a passear a G-3 enfeitada com cravos vermelhos, em primeiro lugar porque não gosto da cor, que me lembra demasiado os comunistas, o Benfica... e eu sou do Sporting, ou o sangue dos companheiros mortos na defesa da Pátria. Em segundo lugar, porque julgo que toda aquela manifestação de folclore era muito bem o prenúncio de um descalabro no prestígio das Forças Armadas, que eram aclamadas no momento mas viriam a tornar-se algo a abater, porque os comunistas iriam colocar o país a ferro e a fogo, porque a União Soviética tinha ali a sua oportunidade para criar mais um satélite... e a Espanha iria caír logo a seguir, pensava eu.
Infelizmente e contra aquilo que era o meu desejo mais sincero, acabei por ter razão em algumas das minhas premonições... e as Forças Armadas estão hoje cada vez mais desacreditadas, apesar de andarem a vender o seu potencial belicista a quem mais dá. Ser antigo Combatente é anátema para determinada franja da sociedade... e até muitos daqueles que fizeram a revolução têm sofrido o opróbio do ostracismo, porque não quizeram abraçar nenhuma posição socializante... e esta é a posição que ficou na mó de cima no deve e haver do 25 de Abril!
Dizem ser isto consequência da dita democracia...