quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A BASE DA SAUDADE

No dia 24 deste mês foi dia de "matança" das saudades!
No Restaurante Manjar dos Templários, ali mesmo à mão de semear quando se vira para a Barragem do Castelo de Bode, nas cercanias de Santa Cita e a dois passos da Feira de Santa Iria, que continua a fazer as delícias dos visitantes da cidade dos Templários, essa vestuta Thomar de que D. Gualdim Paes se fez mister promover como lugar de romagem pelos séculos infindos, reuniram-se os saudosos da Base onde se afirmava que "RES NON VERBA" não saberemos nunca porquê.. ou talvez venhamos a saber que a nossa Base era única, senão a primeira entre todas as Unidades da Força Aérea onde primeiro se trabalhava, depois se falava.
Cumpriu-se o programa a preceito e lá tivemos o nosso antigo Capelão, o Padre António Bernardo, a celebrar a Santa Missa em Acção de Graças e sufrágio pelos nossos companheiros que partiram.
Depois... bem... se o bacalhau estava apetitoso, o leitão estava supimpa. Entre umas garfadas e una goles do precioso néctar da região, foram mitigadas as saudades juntamente com a fome... até porque esta é de 3 dias e apenas lá estivemos 1 e incompleto.
Foi bom rever amigos e fazer uma saúde e manifestando o desejo de que para o ano seja possível voltar a reunir a "malta" amiga que, um dia já muito distante, viu fecharem-se as cancelas do Posto 1, pois a Base foi ocupada por outras tropas, outras gentes, outros interesses!
O GALGO continuará sempre a correr por nós, na atitude de caça que sempre foi seu mister... mas nós, que da Base apenas temos a memória dos tempos nela vividos, apenas queremos que a saudade não seja daquelas que nos fazem soçobrar.
A Base Aérea nº. 3 completava a bonita idade de 88 anos! Mesmo não estando dentro dos seus muros, não a esquecemos e cantámos-lhe os parabéns... desejando que esta data se continue a comemorar.
É pela saudade que vamos ganhando a coragem necessária para a continuar a recordar! Ela bem o merece!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

OS PIONEIROS DE UMA AVIAÇÃO QUE NÃO CHEGOU A EXISTIR - II

Pipper Super-Cub L-21
2. PRIMEIRAS MEDIDAS TOMADAS PELO GENERAL ABRANCHES PINTO COMO MINISTRO DO EXÉRCITO
- Assumida a pasta ministerial do Exército, o General Abranches Pinto agiu de imediato no sentido da criação de uma Aviação Ligeira de Observação de Artilharia. Para isso, determinou:
"0 estudo e elaboração de um projecto de decreto-lei para a criação de uma aviação ligeira no Exército, com pilotos recrutados entre os oficiais de Artilharia voluntários (pílotos-observadores), ou provenientes de qualquer outra Arma, se tal fosse julgado conveniente pelo Ministério do Exército".
As revisões e as grandes reparações dos meios aéreos seriam realizadas, em princípio, nas Oficinas de Material Aeronáutico. A formação base dos pilotos-observadores e dos especialistas de conservação e manutenção dos aviões (apenas para pequenas reparações) eram asseguradas pela Aeronáutica Militar, mas a instrução de observação aérea dos pilotos-observadores era atribuída a centros de instrução do Exército. Era ainda prevista, como responsabilidade do Exército, "a construção e conservação de hangares, pistas e aeródromos especiais".
0 estudo e construção de uma pista e de um hangar no Polígono de Tiro da Escola Prática de Artilharia (EPA), em Vendas Novas, onde passaria a funcionar um centro de instrução de observação aérea "integrante da Formação Escolar da EPA".
Em 1952 é inaugurado, em Setembro, no Polígono de Tiro da EPA, o campo de aviação "General Abranches Pinto".
0 conceito da aviação ligeira pretendida para Exército evoluiu no sentido de uma aviação não confinada às missões de
"observação de artilharia", seguindo o modelo americano. 0 primeiro manual do Exército dos EUA relativo à sua Aviação (ligeira)
foi, entretanto, traduzido integralmente na EPA.
0 Exército recebeu dos EUA, ao abrigo do MIAP ("Mutual Defense and Assistance Pact"), 22 aviões "Piper Super-Cub" L-21 e um lote de sobressalentes, sendo 8 destes aviões atribuídos à EPA. Previa-se, para mais tarde, uma dotação de helicópteros.
É feito convite aos aspirantes a oficiais de Artilharia do Tirocínio (TAO) de 1951-52 e a oficiais subalternos de Infantaria e Cavalaria para a frequência dos Cursos de "Liaison Pilot Training" (treino de Piloto de Ligação), na Base Aérea de San Marcos Texas, e de "Army Aviation Ractics" (Tácticas da Aviação do Exército) na Escola de Aviação do Exército em Fort Sill Oklahoma. Estes dois cursos constituíam, desde 1950, a formação de base dos pilotos do Exército dos EUA.
Ainda em 1952, em Outubro, seguem para os EUA, os alferes de Artilharia Guilherme de Sousa Belchior Vieira e João António Leite Pacheco Rodrigues, que interromperam então o Estágio de Artilharia Anti-Aérea frequentado no Regimento de Artilharia Anti-Aérea de Queluz, e os tenentes Manuel José Lopes Cerqueira e Victorino de Azevedo Coutinho, respectivamente, de Cavalaria e Infantaria. Os alferes eram os dois primeiros classificados do seu Curso da Escola do Exército (tinham sido cinco os voluntários do TAO para os cursos nos EUA), o tenente Lopes Cerqueira possuía um certificado de piloto de "Gliders" obtido na Alemanha e o tenente Azevedo Coutínho possuía um certificado de piloto de aviões ligeiros.
Os oficiais nomeados não receberam qualquer tipo de instrução prévia ou de ensino de inglês técnico, nem sequer foram submetidos a uma inspecção médica específica em Portugal. Os dois alferes tiveram o seu "baptismo de voo" no avião "Super Constellation" da "TWA" que os transportou de Lisboa para Nova lorque, via Santa Maria, Gander (Terra Nova) e Boston... (CONTINUA)