domingo, 28 de junho de 2009

CENTENÁRIO DA AERONÁUTICA PORTUGUESA

Quem havia de dizer que a Aeronáutica faz 100 ... e a Força Aérea 57 anos!
A Base Aérea nº. 3, se ainda estivesse classificada como Unidade de Aeronáutica, faria em Outubro 90 anos, o que seria qualquer coisa de extraordinário, dado ter apenas 10 anos de diferença em relação à implementação da Aeronáutica em Portugal, acontecida no ano de 1909 com a fundação do Aero Club de Portugal!
Como se sabe, a Força Aérea Portuguesa (FAP) é o ramo aéreo das Forças Armadas Portuguesas e as suas origens remontam a 1912, altura em que começaram a ser constituídas as aviações do Exército e da Marinha. Em 01 de Julho de 1952, as aviações do Exército (Aeronáutica Militar) e da Marinha (Aviação Naval) foram fundidas num ramo independente denominado Força Aérea Portuguesa.
Já a Base Aérea nº. 3 é originária na Aeronáutica Militar e do Aeródromo Militar de Tancos, activado em 1919 com a instalação da Esquadrilha Mista de Depósito, que viera transferida de Alverca. Em 1921 passa a designar-se Campo de Tancos e tem sediada a Esquadrilha de Caça nº. 1 - a 1ª. Esquadrilha de Aviação de Caça em Portugal - , que passa a designar-se Grupo Independente de Aviação de Protecção e Combate, a partir de 1927, mantendo a vertente "Aviação de Caça". No ano de 1938 passa a designar-se Base Aérea de Tancos - base de aviação de caça - e em 1938 passa então a designar-se como Base Aérea nº. 3, ainda como base de aviação de caça.
Em 1952, com a criação da FAP, continuou como aviação de caça até que, em 1955, passou a ter a missão de base de aviação de ligação, transporte e treino de tropas páraquedistas.
No ano de 1993, com o regresso da Base ao Exército, voltou a designar-se como Aeródromo Militar de Tancos, nela estando sediado o Comando de Tropas Aerotransportadas e o futuro Grupo de Aviação Ligeira do Exército.
Poderá afirmar-se que perdeu a Força Aérea Portuguesa uma das suas mais emblemáticas Unidades, detentora de uma história a todos os títulos honrosa e digna de ser recordada por quantos nela tiveram oportunidade de prestar serviço!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

A FORÇA AÉREA ESTÁ A DESAPARECER!

Sem comentários, porque desnecessários, damos à estampa este trabalho do Ten.Cor. PILAV na Reforma João José Brandão Ferreira, sobre a Força Aérea que fomos ontem, somos hoje e seremos amanhã, no momento em que estamos na curva descendente da vida da Instituição, que está já ligada à máquina, aguardando que a desliguem. Extrema Unção já foi ministrada pelo oficiante Severiano.
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- "Falcões Brancos check in"
- "two, three, four"
- " branco one"
"A Força Aérea nasceu como Ramo independente em 1 de Julho de 1952, reunindo a arma de Aeronáutica Militar, existente no Exército, desde 1914, e o Serviço de Aviação Naval criado na Armada, em 1917.
A FA atingiu o seu mais alto nível em 1974, no fim das campanhas de contra guerrilha nos territórios portugueses africanos, iniciados em 1961. Tinha então cerca de 22000 homens e operava 24 tipos diferentes de aeronaves, num total de cerca de 450.
Para se ter uma ideia da verdadeira explosão da actividade aérea, basta dizer que durante o período de guerra foram construídas no ultramar português, cerca de 700 estruturas aeronáuticas...
Em 1975/6, com o fim das operações, o tipo de aeronaves foi reduzido para 12 e o pessoal estabilizou à volta dos 10000, civis e paraquedistas incluídos.
Após a notável acção do general Lemos Ferreira como Chefe de Estado-Maior, que "reafirmou" a FA no seio nacional e lançou as bases da sua modernização, deixando trabalho para mais de 20 anos, a Força Aérea, apesar de ser o Ramo com menos recursos - sem embargo das suas missões terem aumentado -, não parou de se reduzir.
Assim por alto, a FA cedeu (incompreensivelmente, deve dizer-se) a Base Aérea de Tancos ao Exército; entregou o Aeródromo de Manobra nº 2, para a autarquia de Aveiro; a OTA deixou de ter aviões; os Açores estão reduzidos a uma esquadra; o Corpo de Tropas Paraquedistas foi "transferido" para o Exército e as OGMA transformaram-se em Empresa Pública e depois vendida a brasileiros.
A capacidade de sustentação das frotas e o número de horas de voo não tem parado de diminuir.
Pior ainda do que tudo o que foi dito, foi a redução no pessoal com áreas críticas em várias especialidades e as dificuldades de recrutamento. Deve ainda juntar-se ao descrito a degradação no Moral, ponto sensível em qualquer organização. E tal é válido para quem continua no activo, como o que passa à reserva e reforma. E enquanto alguns parâmetros são contabilizáveis, o último não o é. Ultimamente todos os parâmetros se agravaram. A asfixia financeira continua (e é idêntica à dos outros Ramos); o pessoal debanda, por três razões principais:
- degradação acentuada das condições salariais e de apoio à família militar;
- desvalorização social da dignidade da Condição Militar e
- falta de auto estima e coesão interna.
É que antigamente a miséria era "dourada". Agora continua miséria e deixou de ter cor... A degradação da capacidade de sustentação acentuou-se, e a crise na gestão de pessoal está a criar rupturas. A saída de pilotos, por exemplo, é um corropio. já chegou aos generais. Partindo do princípio que a operacionalidade das esquadras de voo é a pedra de toque de qualquer Força Aérea, aquilo que se tem passado nos últimos tempos é de molde a aumentar as preocupações, são exemplos, as baixas prontidões para o voo de praticamente todas as frotas, a saída de pessoal navegante; a lentidão extrema com que se têm feito a modernização dos F-16 (MLU), a que o último acidente com perda total de aeronave, só veio exponenciar; a ultrapassagem em termos práticos da vida útil da frota ALIII (que já merecia uma "Torre e Espada") e a degradação acelerada da mais moderna frota que equipou a FA, os helicópteros Merlin, dos quais já há quatro parados a servirem de fonte de peças, pois a máquina entrou ao serviço sem se ter garantido a respectiva manutenção de 3º escalão. São milhões de contos que estão em jogo e a missão importantíssima de Busca e Salvamento, que ou nos enganamos muito ou o governo está a preparar-se para retirar essa missão das FAs e atribui-la à Protecção Civil e aos Bombeiros. . Os C-130 que representam a face mais visível da FA, arriscam-se a colapsar por não terem tripulantes . Até o Falcon 50 aterra por precaução em Itália, com o Presidente da República a bordo, o que sendo uma coisa que pode acontecer a qualquer um, ocorreu em altura nada conveniente...
Com a ida do novo aeroporto para Alcochete, a FA vai perder o seu campo de tiro ar-solo e nãotem alternativa para o mesmo.
A Base do Montijo vai ver certamente limitações à sua operação. As aeronaves que dão tiros (que são a "força" da FA) estão reduzidas a duas (o P3C e o F-16), se considerarmos que o que resta do Alpha Jet se destina a converter pilotos para o F-16; a nova frota de 12 C-295, que se destina a substituir os Aviocar arrisca-se, assim, a começar com o "pé esquerdo". A lista não acaba aqui, mas julgo que já disse o suficiente para ilustrar o problema.
Está na hora de reagir. E esta reacção só pode vir de cima para baixo. Mas para ter sucesso é necessário colher o apoio de todo o pessoal até ao mais baixo escalão. E não chega. É preciso mobilizar todos os que serviram na FAP.
Tripulantes, pessoal técnico e administrativo: esqueçam eventuais queixas que tenham ou inimizades que fizeram, é preciso novamente vestir a "camisola" para salvar a Instituição. Antigos oficiais, sargentos, especialistas, praças e civis, toca a reunir que valores mais altos se levantam. E se for preciso solicitar solidariedade aos outros Ramos, que se peça. É um sinal de humildade além do que eles também precisam de nós . Ainda estamos cá por "Mérito Próprio" (Ex-Mero Motu)."
- "Branco um, dentro"
- "Branco um, fora"
- "Branco dois, dentro ."
João José Brandão Ferreira TCor Pilav (Ref) (ex Falcão Mor)

quarta-feira, 10 de junho de 2009

DIA DA FORÇA AÉREA

DIA FAP 2009
(Aumente o cartaz... clickando-lhe em cima )
Parece que foi ontem a sua criação... mas a Força Aérea faz 57 anos no próximo dia 01 de Julho, o que equivale a dizer-se que irá haver festa rija, desta vez na Base Aérea nº. 1.
Não sabemos aquilo que poderá ser o festival aéreo deste ano, a fazer fé na parcimónia nos gastos com a operação dos meios aéreos, pois não podemos esquecer estar o País em crise... e não é por solidariedade com o resto da Europa ou do Mundo. No entanto, podemos contar com o empenho de muita gente apostada em dar o seu melhor para que o dia da FAP tenha dignidade, qualidade e grandiosidade.
Mesmo com a crise, o programa é aliciante e... é tudo gratuito, desde a entrada na Base até ao poder-se olhar para o ar e assistir às evoluções dos aparelhos participantes! Apenas há que proteger as dores do pescoço... se não nos precavemos e olhamos repentinamente de um lado para o outro procurando seguir os "ASAS DE PORTUGAL" ou os "ROTORES DE PORTUGAL"com o olhar!
Espera-se que todos possam ir até à linda Sintra - Granja do Marquês e aí assistir ao evento! Volto a dizer que é de borla... e nos tempos que passam não há muitas coisas por esse preço!

DIA DE PORTUGAL... é sempre!

No dia de hoje, em Santarém, em cerimónia presidida pelo Presidente da República Cavaco Silva, celebra-se o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades. Do vasto programa de eventos, salienta-se a homenagem a Salgueiro Maia, com a deposição de uma coroa de flores na base do seu monumento, a que se seguirá uma Parada Militar com as Forças Armadas de Mar, Terra e Ar, que antecederá a imposição de condecorações a várias individualidades para o efeito designadas.
Depois de ter sido suprimida do calendário a participação das Forças Armadas... talvez pela vergonha que estava a ser a reestruturação dessas mesmas Forças Armadas e pela indigna forma como estão a ser tratados os Militares do activo ou da reforma! A GNR é agora a menina bonita do Governo... talvez pelo peso que têm na consciência relativamente aos outros Militares.
Haveria tanto para se dizer... mas para quê? Valerá a pena pugnar pela justiça nas Forças Armadas que somos?
A Capital do Gótico é hoje, como o foi ontem, o palco de uma Feira de Vaidades, que decorrerá conjuntamente com a Feira Nacional da Agricultura! Não é que a cidade de Santarém não mereça ter recebido este evento do Dia de Portugal, nem é isso que pretendo dizer, mas se até as televisões levaram todas as câmaras para fazer a cobertura da festa - "é bonita a festa, pá, estou contente..." - e nem uma palavra para dizer que em Belém, à mesma hora, estava a decorrer a cerimónia do Dia dos Combatentes, que bem merecida seria.
No mesmo momento a que o Presidente da República presidia às cerimónias do Dia de Portugal em Santarém, junto ao monumento aos Combatentes em Belém também se desenrolava um outro Dia de Portugal, mas este feito pelas saudade e a gratidão àqueles que já partiram para Deus, no cumprimento do dever a que foram chamados, lá longe, pelas terras do antigo Ultramar Português!
Talvez não faça sentido haver duas cerimónias separadas, porque dá uma ideia de que o País está dividido, que de um lado estão os Combatentes que se sentem honrados por ter lutado pela continuidade de Portugal "num mundo em pedaços repartido", como dizia o Poeta, e do outro lado está outro País que ignora os que se imolaram em África para dar valor apenas àqueles que andam em missão no estrangeiro, principescamente pagos, como se de soldados da fortuna se tratassem - para não usar o termo mercenários, que seria demasiadamente forte -, que dão o seu contributo a quem lhes pague.
Haverá quem diga que não será assim, que estão em missão de soberania... que sofrem lá longe... que estão sujeitos... esquecendo-se de dizer que essas dificuldades estão apenas patentes no número de vezes que aceitam "o seu sacrifício", pois o número de VOLUNTÁRIOS é imenso! Há muita gente a querer "sofrer pela Pátria", fazendo o sacrifício de fazer mais um pé de meia com os altos vencimentos pagos, em detrimento dos que eram auferidos pelos Homens do Ultramar, que agora são ostracisados por uma Pátria que para uns é Mãe e para os outros Madrasta!

sábado, 6 de junho de 2009

Aniversário da Base Aérea 3




A BASE AÉREA Nº. 3 FAZIA, ESTE ANO, 88 ANOS!
PARABENS!?!?
O Ju-52 foi um ex-libris da BA3
- Quando chegar o próximo dia 27 de Outubro, deveria comemora-se o 88º. aniversário da 1ª. aterragem, na Esquadrilha Mista de Treino e Depósito - que foi uma predecessora da Base Aérea nº. 3 - sediada no Polígono de Tancos, dos dois aviões Caudron G-3, pilotados pelos Capitães Ribeiro da Fonseca e Luis Gonzaga.
- No pretérito dia 01 de Janeiro de 1994 passaram-se 15 anos sobre o encerramento daquela que foi uma das mais importantes Unidades da Aeronáutica Militar, onde funcionou a Esquadrilha nº. 1 de Caça, tendo adoptado como símbolo o GALGO, que viria a perdurar até ao seu encerramento.
- Enquanto Grupo Independente de Aviação de Protecção e Combate - ou Grupo de Caça, como era designado - teve a honra de ter como seu Comandante o então Major Piloto Aviador Francisco Higino Craveiro Lopes. Manteve ainda este Oficial no seu comando quando passou a ser designada como Base Aérea de Tancos (01 de Janeiro de 1939) e, posteriormente (30 de Outubro de 1939), como Base Aérea nº. 3.
- Caso não houvesse sido desactivada como Unidade da Força Aérea, a designação de BA3 perduraria 70 anos efectivos... feitos com esforço, dedicação, abnegação, coragem, sentido de missão, doação total, confiança no porvir, lealdade... e tudo o mais que se poderia dizer quanto ao carácter adquirido honrando o signo do Galgo e a divisa "RES NON VERBA"!
- E não podem ser suscitadas dúvidas de que a Base Aérea nº. 3 cumpriu para além do dever em prol da Força Aérea e soube honrar o nome de Portugal nos 55 anos em que manteve tal designação... mau grado os detratores que usam a maldicência para justificar o injustificável, que foi a sua entrega ao Exército.
- Sabemos que ainda ninguém contestou a afirmação de que cada País valerá, em questões de defesa, pela Força Aérea que possa ter como força constituída... mas uma Força Aérea apenas valerá pela capacidade de execução das missões que as suas Unidades possam ter... e a Base Aérea nº. 3, indubitávelmente, foi um baluarte na defesa da Pátria.