terça-feira, 31 de março de 2009

HÁ SEMPRE UM SONHO...

Hoje é a véspera de amanhã... sei que já o sabem, claro, mas é sempre bom lembrar que o amanhã, início do mês de Abril, começa hoje, fim do mês de Março, e isto algo tão imutável como o destino.
Esta noite sonhei estar em Tancos, algures no Monte D. Luis, a respirar o ar puro dos arvoredos que são a envolvente da Base Aérea 3... desculpem lá: da Base Aérea de Tancos será "muita areia para a camioneta" dos novos senhores do pedaço - como diriam os brasileiros - porque uma Base é para aquelas que são, verdadeiramente, Forças do Ar, como é o caso da FAP, ou para a "Maruja", que tem este nome feudal registado para o seu Alfeite desde há muitos anos.
No Exército temos os Batalhões, os Esquadrões, os Regimentos, as Escolas de..., mas as Bases são património com marca registada, e estamos conversados a este respeito, parece.
Como eu falava de um sonho, posso dizer que deste constava um "flick-flack com mortal empranchado e enrolamento ventral" feito pelo Dr. Severiano, pois este devolvia à Força Aérea o pleno uso daquele pedaço de chão que nos é tão querido e tão saudoso, tão... tudo aquilo que quizerem, desde que não venham atrapalhar o meu sonho!
Nesse sonho vi uma BA3 toda engalanada, exuberantemente vestida de gala e plumas, com muita música no ar para receber de volta os aviões e helicópteros que eram uma razão da sua existência, tal como o foram aquelas "hordas ululantes" de jovens em instrução, que ansiavam pelo dia do Juramento de Bandeira ou do fim do curso, porque apenas aqui terminariam o estafado rame-rame do "esquerdo... direito... esquerdo...direito... um... dois... esquerdo..." do marchar cadenciado que lhes ia sendo orientado pela voz monocórdica de um graduado que nunca se cansava de lhes repetir: "esquerdo... direito... esquerdo... direito... um... dois... esquerdo...".
Voltei a ouvir a sirene, outrora "comandada" superiormente pelo Cabo Bento Pinto e agora pelo Cabo Chico... ou qualquer outro designado para o efeito.
Ainda me é possível "ouvir" o Capitão Neves - o Barracas para os amigos - a perorar sobre o seu Benfica e as dificuldades em controlar o material da EMI, especialmente as redes mosquiteiras ou o Sheltox para as moscas que demandam o Bairro de Oficiais e a Messe respectiva. Depois é o "Tenhôr" Marinho que tem a culpa ou o Ajudante Eugénio Carlos, pois não comprou o que era preciso.
Na Cantina, o Sr. Antunes vai cortando um bacalhau em postas, enquanto o Ajudante Domingos dos Santos vai dando dois dedos de conversa ao Ajudante Silva e ao Capitão Pereira. O Capitão Prazeres providencia a divulgação de mais um dos seus magníficos trabalhos para a Prevenção de Acidentes enquanto o Primeiro Manuel Estrela vai tratando dos cartões de livre circulação nesta Base, onde o Chico e a sua equipa procuram deixar bem limpinha da Silva, um verdadeiro brinquinho, como soe dizer-se. Na Messe temos o Capitão Goulart, o Primeiro Franco e o Estevão a dar mil voltas à "mona" para que o almoço possa ter uma boa apresentação, seja do agrado de todos, em quantidade e com boa qualidade, enquanto o Capitão Tomaz espera, ansioso, que nasçam mais uns leitões, enquanto comtempla o gado vacum que costuma pastar nos verdejantes prados do Seival.
Não sei bem se foi algum "calhau" que caíu em cima da árvore sobre a qual eu dormitava, pois apenas sei dizer que acordei... e vi que estava em pleno dia 01 de Abril, nada mais nada menos que o DIA DAS MENTIRAS.
Todo o sonho não passou disso mesmo, de uma mentira colossal... bestial... talvez mais isto do que outra coisa, porque num País onde há um Governo autista... quem se atreveria em ir contra a vontade daquele outro que era formado por masoquistas, daqueles que davam "aquilo e oito tostões" para conseguir ver o Zé desiludido!
Nem é preciso ser-se Severiano, porque há Nogueiras que foram Ministros da mesma estirpe de outras pessoas capazes de destruír um sonho... possivelmente porque nunca sonharam e nunca pensaram sériamente no dia de amanhã: 01 de Abril de 2009.

sábado, 28 de março de 2009

AO SABOR DA PENA...

Nunca consegui entender muito bem o porquê de muitas coisas que foram acontecendo durante a minha permanência nas fileiras da Força Aérea, talvez porque nunca tinha pensado muito nesses mesmos acontecimentos, que não foram, de modo nenhum, inibitivos para que o gosto pelas coisas que respeitam àquela Arma viesse a crescer de um modo que me faz afirmar, sem receios, ter sido a FAP a minha outra escola para a formação do meu carácter - desculpe-se a falta de humildade - como homem e como Militar.
Sei que vivi bons e maus momentos, fiz bons e maus relacionamentos, conheci bons e maus camaradas de armas... mas as coisas positivas sobrepuzeram-se claramente às negativas, pelo que não há que reclamar da sorte... penso eu de que!
Fiz Amigos verdadeiros, e alguns estarão para sempre no meu pensamento, pela disponibilidade, pela entreajuda, pela solidariedade, pelo despojamento em prol do outro, sem fazer perguntas incómodas ou recriminações indesejáveis, antes acarinhando, incentivando, aconselhando... pois eram assim os membros da grande Família da Base Aérea nº. 3!
Mas também haveriam por ali algumas invejas, ciúmes bacocos, maldades provenientes de alguma deformação de carácter e inversão de valores... para não falar em algo que me custava muito a acreditar pudesse acontecer: - as inimizades provocadas pelas cores políticas defendidas por alguns Homens bastante conhecedores do dever de isenção que lhes era imposto pela sua condição de Militares, pois estes não podem, nos termos regulamentares, estar filiados em qualquer organização política, nem tampouco tomar parte em debates partidários sem estar superiormente autorizado...
... Encontrei, num dia destes, alguém que me interpelou na rua e me perguntou se não tinha estado em Tancos, como Militar. Lógico que confirmei, perguntando ao meu interlocutor se também havia lá estado. Ele sorriu e disse que tinham lá estado o pai, dois irmãos mais velhos... indo ele parar à Ota, onde fez a Recruta e o Curso, partindo dali para Beja, para a Base Aérea 11, estando agora no Montijo, esperando ir frequentar o Curso de Sargentos logo que o chamem para tal.
Como ele não tinha estado ao serviço da BA3, como sabia que eu lá tinha estado? Disse ter acompanhado o pai nos Juramentos de Bandeira dos irmãos e haver falado comigo e com o pai, que podia ter sido da minha Recruta, dada a idade... mas não me recordava dele daí mas sim de Angola, pois é dois anos mais novo que eu... logo foi incorporado mais tarde, porque não ingressou voluntáriamente na FAP, como eu fiz. Ao fim e ao cabo, o que ele me queria dizer é que tinha bastante pena de haver sido encerrada a BA3, pois gostaria de ter a sorte de nela prestar serviço, como aconteceu com o pai e os irmãos, que recordavam com bastante saudade os Juramentos de Bandeira na extinta Base, que consideravam ser das melhores Unidades da FAP em Portugal.
Agradeci os elogios, que sei não me serem dirigidos, uma vez que não sou a Base Aérea 3 nem sequer o seu curador. Apenas e tão só fico feliz por haver gente que não esquece a Unidade onde as contigências da sua condição humana os levaram num belo dia das suas vidas... deixando-os então marcados com o ferrete das saudades que Tancos lhes suscitaram.
Mas acabei por me alongar sem falar das coisas, boas ou más, que me foram acontecendo nos meus dias de Tancos. Ainda recordo daquele famoso petisco, servido nos almoços da Base, que era constituído pelos "JU's com batata camuflada", da "toucinhada gorda com feijão encarnado" e tantos outros acepipes que fariam inveja aos menús do Solar dos Presuntos ou do Gambrinus. O Chefe Evaristo que me desculpe, mas o Solar deveria ter tido o privilégio de ter podido encontrar um Mestre Cuca capaz de ofuscar Pantagruel nas suas fantasias gastronómicas, como acontecia na BA3 "in ilo tempore".

terça-feira, 10 de março de 2009

Os 34 anos do 11 de Março

A "progressista" fórmula do Juramento de Bandeira do RALIS
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Populares (?) armados junto do RALIS
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Na passagem do 34º. aniversário do 11 de Março, continua a perguntar-se o porquê de muitas coisas que levaram à "queda" do General Spínola, na versão apresentada pelo Partido Comunista, à clarificação daquilo que foram os "ideais de Abril", ao caír da máscara de alguns manuseadores de consciências, que se arvoraram então em lídimos representantes do Povo, através da propaganda de uma 5ª. Divisão do EMGFA... que mais pareciam ter tirado a papel químico os métodos da sinistra KBG moscovita dos tempos da União... Soviética.
Ninguém consegue perceber, a esta distância, como estavam operadores da RTP a postos para a recolha de imagens, fotógrafos dos principais órgãos de informação escrita... e até se dão ao trabalho de meter os pés pelas mãos quando tentam passar para a opinião pública uma cronologia onde é notória a tentativa de adivinhar os passos daquela que ficou então conhecida como "INVENTONA" da "OPERAÇÃO MATANÇA DA PÁSCOA".
* A RTP foi avisada por quem? Talvez por quem estivesse interessado em criar um facto, logo o PCP, que poderá ter utilizado os seus cães de fila da 5ª. Divisão e do COPCON, que se sabe estarem infiltrados por membros do PC;
* O facto de afirmarem ser o Fitipaldi dos Chaimites, o Dinis Almeida, quem comandava o Regimento de Artilharia Ligeira 1 - RALIS, teria a vêr com alguma "destituição revolucionária" prevista pelo COPCON para o Comandante da Unidade? Nunca se saberá!
* Quem pode comprovar que o projéctil que atingiu o Soldado Joaquim Luis saíu das metralhadoras dos dos T-6? Uma rajada do T-6 cortava o Soldado ao meio! Mais alguém disparou? Certamente que sim! Os Páraquedistas não dispararam, sabe-se! De dentro do RALIS dispararam-se vários tiros contra os aviões! Não terá sido um desses tiros que matou o Soldado Luis? Alguém fez prova de balística para chegar a uma conclusão? Quem?
* A fazer fé nos relatórios perliminares mandados para os jornais, o número de aeronaves e de homens que afirmam terem participado no evento levam a concluír:
- A Força Aérea estaria mal preparada para uma missão desta envergadura, por não ter meios aéreos capazes de levar a bom porto essa mesma missão? Nem sonhar!
Os Páraquedistas estavam convenientemente preparados para levar por diante qualquer missão e obter êxito, assim como os meios aéreos da FAP eram os suficientes para levar de vencida a missão... se esta não fosse apenas e tão só uma manobra de intimidação.
Leiam só estes mimos de escrita, cada uma a seu gosto político:
"...E logo no rescaldo do 11 de Março é anunciada a nacionalização da banca, dos seguros, das telecomunicações, dos cimentos, de praticamente todas as indústrias de média e grande dimensão. Nasce o PREC (Processo Revolucionário em Curso). As prisões receberam mais presos políticos sem culpa formada, a rua passou a determinar cada vez mais o que se passaria. Soldados em parada juram fidelidade não à Pátria mas ao socialismo e à revolução..."
" O 11 de Março de 1975 foi uma tentativa falhada de golpe militar, organizada pelo general António Spínola, ex-presidente da República, aliado à Força Aérea e ao Exército de Libertação de Portugal (ELP), por oposição ao Comando Operacional do Continente (COPCON) e à Liga de Unidade e Acção Revolucionária (LUAR), na tentativa de pôr fim ao governo de Vasco Gonçalves, defensor de um regime socialista avançado. A missão foi abortada e o golpe foi dado como falhado"
Trinta e quatro anos após o 11 de Março de 1975, ainda há muito para explicar sobre quem colheu (ou tentou colher) os louros dessa inventona! O PCP? O PS? A revolução? O País? É que o PREC foi um período para esquecer, as nacionalizações uma aberração nascida da mente doentia de um Primeiro Ministro louco! Quem poderá, um dia, dar respostas a tanta coisa que ficou sem resposta?

sábado, 7 de março de 2009

SIC TRANSIT GLÓRIA MUNDI

É transitória a glória do mundo, na realidade, especialmente quando vemos que a história de uma instituição pode ser interrompida segundo o livre arbítrio de quem tem "autoridade" para decidir alterar essa história, sem se importar com as consequentes críticas que possam daí advir, pelo facto de terem rasgado páginas indeléveis onde se narrava a existência de uma Unidade em que Homens de valor intrínseco se entregaram por inteiro a uma causa: elevar bem alto o nome da Força Aérea e, por arrasto, o de Portugal!
Na Base Aérea nº. 3 foram formados milhares de homens, em especialidades que abrangiam váriados saberes, porque a Força Aérea não é apenas constituída por aviões e Pilotos, como alguém chegou a sugerir, talvez um Piloto que tivesse a convicção de não necessitar de mais ninguém para poder voar... o que é utópico, porque todas as especialidades têm uma finalidade na composição desse todo que se chama FAP.
Não foi a Base Aérea nº. 3 a terceira na escala das Bases, pois apesar de ter sido criada pelo mesmo Decreto das irmãs BA1 e BA2, foi a primeira a ser inaugurada, já que era uma Unidade ligada às coisas do Ar muito antes das outras, sendo nela que funcionou o 1º. Batalhão de Aeroestateiros do Exército e mais tarde uma Esquadrilha de Caça, razão suprema do símbolo escolhido para o seu emblema: O GALGO.
Nunca ninguém saberá a verdade dos factos conducentes ao encerramento da BA3, mas talvez fosse uma velha aspiração dos Páraquedistas virem a ter aquele espaço como seu, porque sempre mostraram ser-lhes apetecível uma Unidade que tinha tudo para satisfazer as maiores exigências de quem quer que fosse, até pelo magnífico Bairro e Messe de Oficiais, as modelares instalações dos Clubes de Sargentos e Praças, o magnífico estádio de futebol, que causava engulhos no pessoal das várias unidades do Polígono, os alojamentos e outras valências da Base... que até já tinha sido do Exército. Porque não exigir a devolução à procedência? Não se devolveu também Macau? São Tomé? Angola? Moçambique? Guiné? Cabo Verde? E não aconteceu o mesmo a Timor porque os Indonésios o tomaram de assalto antes que tal acontecesse!
Não podemos colocar tudo no mesmo saco, porque uma coisa é uma coisa e outra coisa nada tem a vêr com o caso, mas é só para se perceber que se devolvem Países... com muito mais à vontade se devolve uma Unidade histórica como era a BA3. Nela aconteceram muitas coisas, como a intervenção no 11 de Março de 1975, culminada com a ida do General Spínola para o exílio, ou no 25 de Novembro, quando os Páraquedistas tomaram de assalto a Unidade, ou a sabotagem perpetrada pela LUAR, de inspiração comunista, com a destruíção de várias aeronaves e um hangar de manutenção, causando milhares de Euros de prejuízo. Houve acidentes trágicos, em que perderam a vida vários Militares, recordando aquele acidente do NORD em que pereceram o Major Pilav Pessoa, o Capitão PIL Eiró Gomes, o Tenente Moreira, o 1º. Sargento Brás Marques, o 1º. Sargento Gabriel Lopes, o 2º. Sargento Horta e um Soldado SAPBOM de que recordo o mome Silva, ou ainda o acidente com o planador onde pereceram o Tcor PILAV Brogueira e o Tcor PILAV Hermínio Oliveira.
Outros houve, porque a história da Base foi bastante extensa em anos... e os acidentes aconteciam, mas não só os aéreos.
Irei proseguindo a resenha histórica daquela Base da Força Aérea que teve a sua existência em Tancos, porque é uma forma de mitigar a saudade.