quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

OUTRO ANO... A MESMA SAUDADE !!!

para todos os Amigos que, um dia, estiveram na
Base Aérea nº. 3

com muita Saúde, Paz, Amor e Fraternidade!

sábado, 12 de dezembro de 2009

Do Natal... resta a saudade!

e um ANO NOVO cheio de paz, alegria, saúde e trabalho!
Aos Amigos que vivem a saudade da sua Base...
...àqueles que continuam a dar-me o prazer de me ir lendo...
...a todos os que "fizeram" a BA3 e vivem aquela saudade só possível de ter-se quando se ama:
QUE TENHAM UM SANTO NATAL, MAS ESTE ANO NÃO TEREMOS LÁ O PAI NATAL!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

No Advento... já é Natal!!!

Neste tempo de Advento, a Base Aérea nº. 3 já tinha delineada uma estratégia para celebrar o nascimento de Jesus de uma forma condigna... se atendermos ao facto de que se tratava de Unidade com enorme população jovem, constituída por formandos dos vários cursos ali ministrados. Mas também existia uma zona residencial bastante importante, o que aumentava a responsabilidade de se promover a celebração do Natal de uma forma marcante.
O Capelão era a pessoa que planificava aquilo que havia a fazer em termos da religiosidade dos eventos, mas também se dava um cunho natalício a algumas camaratas, aos clubes, Messes, Cantina e à Capela, como é lógico acontecer.
Os presépios eram montados, as árvores de Natal, preparava-se a festa para as crianças, filhos do pessoal Militar e Civil, com todo o carinho possível... porque a Consoada não iria ser ali feita para toda a gente, nem mesmo para os moradores do Bairro. Restava o pessoal de serviço e alguns que seriam de mais longe e não iam ter tempo para se deslocar a casa... porque serviço é serviço, conhaque é conhaque, e a tropa é para se marchar, não para andar a fazer festinhas de Natal.
O que é certo é ir celebrar-se a Missa do Galo na Capela da Base, ou nas Madeiras, se o Comandante estiver pelos ajustes e colocar um autocarro à disposição! É que ainda são uns quilómetros e depois da ceia deve ser um pouco complicado. O que interessa é que os Recrutas tenham a noção de que naquela Unidade o nascimento de Jesus não é olvidado, porque todos sentem orgulham em poder dizer "GLÓRIA A DEUS... PAZ NA TERRA...", mesmo sendo Militares ao serviço de Portugal!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Ainda o 25 de Novembro

Uma imagem do 25 de Novembro
Hoje, no Parlamento, quando da votação de um voto de congratulações pelo 25 de Novembro, apresentado pelo CDS, ouviram-se alguns ataques, impropérios e desvirtuações ao significado daquela data, proferidos por sectores mais esquerdistas da política portuguesa, como não poderia deixar de ser.
O inefável pseudo historiador Fernando Rosas destilou venenos por todos os poros, coisa que não é para admirar, dado tratar-se de um verdadeiro defensor das "inverdades democráticas" que o seu partido vai defendendo hoje como a UDP defendeu ontem. Para ele o 25 de Novembro foi mais uma tentativa de desvirtuar o 25 de Abril levada a cabo pelos odiosos fascistas de direita, mas jamais conseguiram esse desiderato - afirma o probo historiador -, porque os verdadeiros democratas não deixaram que tal pudesse acontecer.
Este excelso representante da extrema esquerda devia rever os seus conceitos de história e lêr atentamente aquilo que Marcus Tulius afirmava no ano 35 antes de Cristo.Mas a minha admiração mais completa advém daquilo que foi dito pelo heróico e distintíssimo Capitão de Abril - mesmo sabendo que não foi promovido nesta data... - Marques Mendes, que colhe os louros da sua heroicidade nos corredores da Assembleia da República... e no auditório, enquanto deputado.
Ele não ficou satisfeito por o texto do CDS não haver feito referências ao 25 de Abril , apenas se centrando naquilo que foi o 25 de Novembro. Já viram ter de ser ele a recordar que participou no 25 de Abril e no 25 de Novembro? Brada aos céus, caramba! Aqueles heróis que ousaram fazer uma revolução para não estarem sujeitos a ir para o mato em África, não podem ser esquecidos! Por tal razão, o Capitão de Abril - não sei se chegou a ser promovido a outro posto, pelos feitos revolucionários - não se coibiu de lançar algumas farpas aos proponentes do voto, mesmo que tenha dito estar satisfeito por estes se terem lembrado da data que foi há dois dias comemorada... apenas por alguns, convenhamos,
Pergunto... porque se teima em fazer a ligação entre uma data e outra? Que razões justificam haver tantos pruridos a vencer? Julgará o senhor deputado Capitão que os acontecimentos, um e outro, foram de algum modo necessários no contexto, a pontos de, de certa maneira, se complementarem um ao outro? Não!!!
O 25 de Abril trouxe a queda de um regime... proporcionou a entrega do Ultramar aos autóctones... mais liberdades entre as pessoas, no falar e no escrever... mesmo que tal liberdade seja considerada um excesso, como está mais que provado e os nossos "escritores", até então privados de liberdade criativa por causa da censura, puderam mostrar à saciedade que... não tinham nada escrito, pois a amputação da liberdade criativa era uma falácia e nada mais.
Alguém se recordará do que foi aquela "democrática" tomada das Bases e outras estruturas da Força Aérea levada a cabo pelas tropas Pára-quedistas? Alguém se lembra haverem morrido Militares dos Comandos... porque pretenderam lutar contra os projectos de determinada corrente política, empenhada em levar Portugal para uma ditadura de esquerda? Alguém se esqueceu da prepotência das prisões arbitrárias levadas a cabo pelo sinistro COPCON, que mais não era que um braço armado criado por determinada esquerda para levar o País rumo ao totalitarismo?
O 25 de Novembro foi a data em que se afastou Portugal do espectro de uma queda no abismo para onde os partidos de esquerda e extrema esquerda o pretendiam lançar. Isto seria o que os Marques Mendes, os Fernando Rosas ou as cliques comunistóides marxistas, trostskistas, leninistas, maoístas ou quejandas pretendiam.
Por estas razões... e pelo que eu próprio sofri às mãos dos Páras, quando da sua "heróica" tomada da Base Aérea nº. 3, em Tancos, onde eles me prenderam nesse dia... Viva o 25 de Novembro!!!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

25 de Novembro - 34 anos depois...

Eu estava em Tancos, na Base Aérea nº. 3, naquele Novembro de 1975 em que aconteceu a assembleia do MFA em Tancos, em resultado da qual a esquerda militar foi afastada dos órgãos político-militares e de comandos militares.
O mês de Novembro veio a mostrar à saciedade estar Portugal fora de controle. Era no tempo do VI Governo provisório e surgem no ar várias histórias sobre a criação do AMI, afirmando-se que este seria um grupo de intervenção militar com ligações com a direita, respondendo a esquerda com o assalto à Rádio Renascença, que se viu reocupada por forças da esquerda radical, levando a que, no dia 7 de Novembro, alguns Oficiais Pára-quedistas se dirijam às instalações da Rádio Renascença e façam explodir o emissor. A este acto seguiu-se, logo no dia 8, a "resposta dos Sargentos e Praças Pára-quedistas", que se recusaram a receber na Base Escola de Tropas Páraquedistas o então Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, General Graduado Pilav Morais da Silva e tomam conta da unidade.
Em 21 de Novembro realizou-se um mais que polémico arremedo de juramento de bandeira, apelidado de revolucionário, no Regimento de Artilharia de Lisboa, o famoso Ralis. Era o PREC militar em toda a sua plenitude! SUV, COPCON, ocupações de herdades, ocupação de empresas, saneamentos, prisões arbitrárias...
Depois, no dia 23, dá-se uma ridícula disputa pelo controle de um Batalhão de Pára-quedistas que regressa de Angola. Este Batalhão é composto por homens que não viveram as convulsões revolucionárias e não estão por dentro da "guerra" em que, cá em Portugal, os Pára-quedistas, se têm visto metidos.
Quando o barco da polícia marítima foi fazer o primeiro contacto com o navio, com a decisão de que não deveria atracar no cais, leva um enviado do Chefe de Estado-Maior da Força Aérea que é o portador de uma mensagem dirigida ao Comandante da Unidade embarcada, Tenente-Coronel Heitor Almendra, na qual este é prevenido de que os Páras não seguem para para a Base Escola de Tancos e que não deverá deixar entrar no navio qualquer um dos Sargentos que também iam no barco, que vinham mandatados pelos Pára-quedistas que se haviam revoltado em Tancos e que pretendiam ter aquelas Tropas a seu lado.
Em Lisboa, nesse mesmo dia, realiza-se um comício em apoio do VI Governo . Mal desponta o dia 25 de Novembro, as tropas Pára-quedista estão em polvorosa, pois foi-lhes cortada a água, a luz e a alimentação, ao mesmo tempo que correm os boatos de que os "contra-revolucionários" iriam dar um golpe.
Durante a noite foi formado, no SDCI, um estado-maior da esquerda militar, que estaria ainda pouco consolidado e cujas ramificações no Copcon parecem insuficientes. Está em contacto com os pára-quedistas quando foi posto a correr o boato que a Força Aérea estava pronta para começar a bombardear. Que melhor ou pior pretexto precisariam os "páras" para saír? Sairam com um aparato que apenas se poderiam pensar ser possível se fosse tomado para um acto de guerra.
As Forças Armadas leais estavam preparadas e viram que havia condições para ser dado o contragolpe. Têm toda a legitimidade institucional e o apoio do Presidente da República, que foi decisivo para o retorno à calma. Do outro lado apenas uma coisa digna de registo: - Deu-se o desaparecimento do Copcon...
34 anos após estes acontecimentos, vemos os Pára-quedistas donos e senhores da nossa velha Base, mais parecendo uma retaliação por ter havido Bases, entre elas a de Tancos, que ousaram fazer frente à rebelião de uma força de élite a quem a Força Aérea tudo deu, desde prestígio a condições de sobrevivência. Hoje devem rir-se, porque lhes foi entregue a Base que sempre ambicionaram, do mesmo modo que alguém um dia resolveu entregar o Ultramar: sem dignidade!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

OS PIONEIROS DE UMA AVIAÇÃO QUE NÃO CHEGOU A EXISTIR III

Pipper Cub L 21

3. A "AVENTURA" AMERICANA
Apresentados no Departamento de Comando de Fort Hamílton, em Brooklyn (Nova Iorque), os quatro oficiais seguiram para San Marcos (Texas), onde chegaram depois de uma longa viagem ferroviária de mais de 24 horas, para percorrer cerca de '/4 da distância que separa as duas fronteiras terrestres dos EUA.
Na inspecção médica pormenorizada efectuada na Base Aérea, apenas passaram sem reserva os dois alferes, dado que os dois tenentes tinham deficiências de visão, mais acentuada para o tenente Lopes Cerqueira. Este oficial regressaria directamente a Portugal, enquanto o tenente Azevedo Coutinho, depois de não ter tido êxito no treino de pilotagem, viria a frequentar o Curso de Transmissões da Escola de Infantaria do Exército dos EUA em Fort Benning.
0 Curso de "Liaison Pilot Training" tinha uma duração de 20 semanas e integrava dois sectores: um de ensino académico, em que eram ministradas lições de princípios de voo, instrumentos de voo, navegação, comunicações, meteorologia e manutenção, e outro de treino de pilotagem e navegação, em aviões "Piper Cub" L-21 e L-4 e L-5 (para o treino de voo de instrumentos), com um complemento de treino em simulador (linktraining"). Havia ainda uma sessão semanal de instrução de educação física "rudimentar" ministrada em grupo.
O ensino académico e o treino de pilotagem decorriam, em semanas alternadas, na parte da manhã ou na parte da tarde, com algumas noites reservadas ao treino de pilotagem.
Todos os instrutores eram militares da Força Aérea, exclusivamente oficiais para o treino de pilotagem, oficiais e alguns sargentos para o ensino académico e, inclusive, praças para a educação física.
Dado que se tratava de um curso que tinha por finalidade preparar pilotos para ingressarem, de seguida, na Escola da Aviação do Exército (Curso de "Army Aviation Tactics"), donde a maior parte dos pilotos ali graduados (pilotos do Exército) seguia para a Coreia, o treino de pilotagem era extremamente exigente, visando que os oficiais alunos conseguissem pilotar "por instinto" mantendo, em permanência, "a sua atenção fora dos aviões", por forma a escapar às armas anti aéreas e aos aviões de caça inimigos.
Assim, as áreas reservadas aos voos de treino de pilotagem eram intencionalmente exíguas para os cerca de uma centena de aviões que nelas manobravam em simultâneo. As 130 horas de voo programadas eram "religiosamente" cumpridas.
Sempre que as condições meteorológicas não permitiam voar com segurança, voava se aos sábados e domingos. Quatro classes, de cerca de 100 oficiais cada uma (na maioria segundos tenentes/alferes), seguiam o curso ao mesmo tempo, desfasadas de cerca de quatro semanas. As eliminações, em regra por deficiente coordenação revelada no treino de pilotagem ou por prática de manobras perigosas, ultrapassavam os 40% do efectivo inicial. E, contudo, alguns dos oficiais alunos tinham sido pilotos de aviões de hélice da Força Aérea dos EUA. Os eliminados (os "wash out") eram previamente presentes a uma junta formal ("board") que lhes proporcionava a oportunidade para exporem as suas razões de queixa ou simples desabafos.
Por vezes, a Junta decidia conceder mais algumas horas de treino de pilotagem, integrando para o efeito os oficiais alunos na classe imediatamente precedente (eram assim "wash back"). Foi o que aconteceu com o alferes Belchior Vieira que, tendo deparado inicialmente com algumas dificuldades nas aterragens (um "arredondar" do avião para a atitude de perda demasiado alto), veio a receber as "asas" de piloto do Exército dos EUA um mês depois do alferes Pacheco Rodrigues.
Na classe ("'53 E") em que foram incluídos os oficiais portugueses havia apenas mais três oficiais alunos estrangeiros: dois tenentes do Exército Norueguês e um tenente do Exército Francês. Todos eles se tornaram pilotos do Exército dos EUA.
0 Curso de "Army Aviation Tactics" tinha uma duração de 12 semanas e decorria na Escola de Aviação do Exército dos EUA (que se considerava a "melhor Escola de Aviação do Exército do mundo" ... ), então situada no perímetro da Escola de Artilharia em Fort Sill Oklahoma.
Tal como o curso de "Liaison Pilot Training", este curso compreendia dois sectores: um de ensino académico, com lições de organização, observação aérea, reconhecimento aéreo, fotografia aérea, operações especiais, métodos de instrução e regulamentação, e outro de treino de pilotagem e navegação, com aterragens e descolagens em pistas de circunstância ou improvisadas e técnicas de apoio às forças terrestres, em aviões "Cessna" L-19, num total de cerca de 100 horas de voo. Os instrutores do treino de pilotagem eram oficiais do Exército e alguns civis contratados. 0 número e a variedade do tipo de pistas para o treino de aterragens e descolagens era impressionante.
Impressionante era também a eficácia e prontidão dos serviços de manutenção, tanto na Escola de Aviação do Exército como na Base Aérea de San Marcos. Os danos provocados nos aviões por condições meteorológicas extremas eram prontamente reparados, sendo mínimas as perturbações provocadas no prosseguimento do treino programado. As eliminações no Curso de "Army Aviation Tactics" eram raras.
Em Junho de 1953, o alferes Pacheco Rodrigues e, em Julho do mesmo ano, o alferes Belchior Vieira tornam se os primeiros oficiais (e viriam a ser únicos, até hoje ... ) graduados pela Escola de Aviação do Exército dos EUA. Porém, não viriam a ser os primeiros pilotos da nossa Aviação do Exército...

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A BASE AÉREA Nº. 3... PORQUÊ EM TANCOS?

Há algumas zonas "nebulosas" na história mais conhecida da antiga Base Aérea nº. 3, que se prendem com o facto de as infraestruturas que deram lugar à primeira unidade de aeronáutica militar sediada no Polígono de Tancos serem pertença do Exército, mas essa zona obscura da história deixa de existir se tivermos em conta que a Força Aérea nasceu das extintas Aeronáutica Militar e Naval, uma nascida em Vila Nova da Rainha, com extensão à Amadora e a Espinho, enquanto a outra o foi no Arsenal do Alfeite, com extensão na Doca do Bom Sucesso e em São Jacinto.
Na realidade, em 1911 havia sido criada a Companhia de Aerosteiros do Exército Português, em Vila Nova da Rainha (Azambuja), que foi a primeira unidade aeronáutica militar portuguesa. Esta unidade, mais tarde tornada Batalhão de Aerosteiros, tinha por principal missão a operação de aeróstatos, sobretudo balões de observação, e em 1912, a título experimental, foram integrados na Companhia de Aerosteiros os primeiros aviões, o primeiro dos quais um Deperdussin B, nascendo assim a aviação militar portuguesa.
Em 1914 criou-se no Exército Português o Serviço Aeronáutico Militar e a Escola Militar de Aeronáutica (EMA), igualmente instalada em Vila Nova da Rainha, junto ao Batalhão de Aerosteiros, enquanto no ano de 1917 foi criado na Marinha Portuguesa o Serviço e Escola de Aviação da Armada, com a primeira base aeronaval, o Centro de Aviação Marítima do Bom Sucesso, em Lisboa.
1917 foi o ano em que os primeiros aviadores portugueses entram em combate, em França, na 1ª Guerra Mundial, estando prevista a criação dos Serviços de Aviação do Corpo Expedicionário Português, para participar no conflito mas não chegam a ser activados, razão porque a maioria dos pilotos militares enviados para França, para formarem o serviço, são integrados em unidades de aviação francesas e britânicas.
1918 foi o ano da aviação do Exército ser reorganizada, passando a chamar-se Serviço de Aeronáutica Militar, com uma Direcção de Aeronáutica dependente directamente do Ministro da Guerra, as Escolas Militares de Aviação e de Aerostação, as Tropas Aeronáuticas (de Aviação e de Aerostação) e o Parque de Material de Aeronáutica, em Alverca, dotado de capacidades para a construção de aviões e motores, ao mesmo tempo que o Serviço de Aviação da Armada foi igualmente reorganizado, passando a designar-se como Serviços da Aeronáutica Naval.
Em 1919 foi criado o Grupo de Esquadrilhas de Aviação "República" (GEAR) , na Amadora. Foi a primeira unidade operacional da aviação militar em Portugal, integrando esquadrilhas de combate (caças), de bombardeamento e de observação, que em 1921 se tranferiu para o Polígono de Tancos, ficando estacionado nas instalações do Batalhão de Aeroesteiros de Engenharia.
Em 1924 a Aeronáutica do Exército tornou-se arma independente, em paridade com as Armas da Cavalaria, Infantaria, Artilharia ou Engenharia. Era a Arma de Aeronáutica Militar. Em 1931, os Serviços de Aeronáutica Naval são transformados nas Forças Aéreas da Armada.
Em 1937 foi reorganizada a Aeronáutica Militar , passando a dispor de um comando autónomo, o Comando-Geral da Arma da Aeronáutica, que a torna, práticamente, num ramo independente, apesar de administrativamente dependente do Exército. Criou-se o Comando Terrestre de Defesa Aérea e na nova organização passam os principais aeródromos militares a ser designados por Bases Aéreas. Nasceu assim a Base Aérea de Tancos, conjuntamente com as Bases de Sintra e Ota, extinguindo-se então as Unidades Aéreas da Amadora e de Alverca, mantendo-se nesta última as Oficinas e um Depósito de Material Aeronáutico.
O Subsecretariado de Estado da Aeronáutica foi criado 1950, para tutelar toda a aviação militar portuguesa.
RESUMINDO: - O Aeródromo Militar de Tancos foi activado em 1919, como Esquadrilha Mista de Depósito, transferida de Alverca para ali. Em 1921 é a sede da primeira unidade operacional de aviação de caça portuguesa, a Esquadrilha de Caça Nº 1.
Com a criação da Força Aérea Portuguesa em 1952, o aeródromo passou a ser tutelado por este ramo, já como base aérea.
Em 1993 o aeródromo é transferido para o Exército Português, operando como base de tropas paraquedistas.
Pelo que se pode vêr, fica desvendado o mistério de a Base Aérea nº. 3 haver nascido numa unidade do Exército... para o seio do qual acabou por voltar.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A BASE DA SAUDADE

No dia 24 deste mês foi dia de "matança" das saudades!
No Restaurante Manjar dos Templários, ali mesmo à mão de semear quando se vira para a Barragem do Castelo de Bode, nas cercanias de Santa Cita e a dois passos da Feira de Santa Iria, que continua a fazer as delícias dos visitantes da cidade dos Templários, essa vestuta Thomar de que D. Gualdim Paes se fez mister promover como lugar de romagem pelos séculos infindos, reuniram-se os saudosos da Base onde se afirmava que "RES NON VERBA" não saberemos nunca porquê.. ou talvez venhamos a saber que a nossa Base era única, senão a primeira entre todas as Unidades da Força Aérea onde primeiro se trabalhava, depois se falava.
Cumpriu-se o programa a preceito e lá tivemos o nosso antigo Capelão, o Padre António Bernardo, a celebrar a Santa Missa em Acção de Graças e sufrágio pelos nossos companheiros que partiram.
Depois... bem... se o bacalhau estava apetitoso, o leitão estava supimpa. Entre umas garfadas e una goles do precioso néctar da região, foram mitigadas as saudades juntamente com a fome... até porque esta é de 3 dias e apenas lá estivemos 1 e incompleto.
Foi bom rever amigos e fazer uma saúde e manifestando o desejo de que para o ano seja possível voltar a reunir a "malta" amiga que, um dia já muito distante, viu fecharem-se as cancelas do Posto 1, pois a Base foi ocupada por outras tropas, outras gentes, outros interesses!
O GALGO continuará sempre a correr por nós, na atitude de caça que sempre foi seu mister... mas nós, que da Base apenas temos a memória dos tempos nela vividos, apenas queremos que a saudade não seja daquelas que nos fazem soçobrar.
A Base Aérea nº. 3 completava a bonita idade de 88 anos! Mesmo não estando dentro dos seus muros, não a esquecemos e cantámos-lhe os parabéns... desejando que esta data se continue a comemorar.
É pela saudade que vamos ganhando a coragem necessária para a continuar a recordar! Ela bem o merece!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

OS PIONEIROS DE UMA AVIAÇÃO QUE NÃO CHEGOU A EXISTIR - II

Pipper Super-Cub L-21
2. PRIMEIRAS MEDIDAS TOMADAS PELO GENERAL ABRANCHES PINTO COMO MINISTRO DO EXÉRCITO
- Assumida a pasta ministerial do Exército, o General Abranches Pinto agiu de imediato no sentido da criação de uma Aviação Ligeira de Observação de Artilharia. Para isso, determinou:
"0 estudo e elaboração de um projecto de decreto-lei para a criação de uma aviação ligeira no Exército, com pilotos recrutados entre os oficiais de Artilharia voluntários (pílotos-observadores), ou provenientes de qualquer outra Arma, se tal fosse julgado conveniente pelo Ministério do Exército".
As revisões e as grandes reparações dos meios aéreos seriam realizadas, em princípio, nas Oficinas de Material Aeronáutico. A formação base dos pilotos-observadores e dos especialistas de conservação e manutenção dos aviões (apenas para pequenas reparações) eram asseguradas pela Aeronáutica Militar, mas a instrução de observação aérea dos pilotos-observadores era atribuída a centros de instrução do Exército. Era ainda prevista, como responsabilidade do Exército, "a construção e conservação de hangares, pistas e aeródromos especiais".
0 estudo e construção de uma pista e de um hangar no Polígono de Tiro da Escola Prática de Artilharia (EPA), em Vendas Novas, onde passaria a funcionar um centro de instrução de observação aérea "integrante da Formação Escolar da EPA".
Em 1952 é inaugurado, em Setembro, no Polígono de Tiro da EPA, o campo de aviação "General Abranches Pinto".
0 conceito da aviação ligeira pretendida para Exército evoluiu no sentido de uma aviação não confinada às missões de
"observação de artilharia", seguindo o modelo americano. 0 primeiro manual do Exército dos EUA relativo à sua Aviação (ligeira)
foi, entretanto, traduzido integralmente na EPA.
0 Exército recebeu dos EUA, ao abrigo do MIAP ("Mutual Defense and Assistance Pact"), 22 aviões "Piper Super-Cub" L-21 e um lote de sobressalentes, sendo 8 destes aviões atribuídos à EPA. Previa-se, para mais tarde, uma dotação de helicópteros.
É feito convite aos aspirantes a oficiais de Artilharia do Tirocínio (TAO) de 1951-52 e a oficiais subalternos de Infantaria e Cavalaria para a frequência dos Cursos de "Liaison Pilot Training" (treino de Piloto de Ligação), na Base Aérea de San Marcos Texas, e de "Army Aviation Ractics" (Tácticas da Aviação do Exército) na Escola de Aviação do Exército em Fort Sill Oklahoma. Estes dois cursos constituíam, desde 1950, a formação de base dos pilotos do Exército dos EUA.
Ainda em 1952, em Outubro, seguem para os EUA, os alferes de Artilharia Guilherme de Sousa Belchior Vieira e João António Leite Pacheco Rodrigues, que interromperam então o Estágio de Artilharia Anti-Aérea frequentado no Regimento de Artilharia Anti-Aérea de Queluz, e os tenentes Manuel José Lopes Cerqueira e Victorino de Azevedo Coutinho, respectivamente, de Cavalaria e Infantaria. Os alferes eram os dois primeiros classificados do seu Curso da Escola do Exército (tinham sido cinco os voluntários do TAO para os cursos nos EUA), o tenente Lopes Cerqueira possuía um certificado de piloto de "Gliders" obtido na Alemanha e o tenente Azevedo Coutínho possuía um certificado de piloto de aviões ligeiros.
Os oficiais nomeados não receberam qualquer tipo de instrução prévia ou de ensino de inglês técnico, nem sequer foram submetidos a uma inspecção médica específica em Portugal. Os dois alferes tiveram o seu "baptismo de voo" no avião "Super Constellation" da "TWA" que os transportou de Lisboa para Nova lorque, via Santa Maria, Gander (Terra Nova) e Boston... (CONTINUA)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

OS PIONEIROS DE UMA AVIAÇÃO QUE NÃO CHEGOU A EXISTIR

É já no próximo mês que se "comemora" o 88º. aniversário daquela que foi a Base Aérea nº. 3, que alguém resolveu alienar a favor do Exército... cumprindo um desejo de muitos anos que esta Arma sempre manifestou de forma clara e inequívoca: Como a Base tinha sido instalada em infraestruturas que foram da Aeronáutica Militar, que pertenceu ao Exército até que, em 1952, foi entregue à Força Aérea Portuguesa, então criada.
Não importa que tenha a F.A.P. construído importantes infraestruturas naquela Unidade! Muito do que se construíu não aproveita aos Paraquedistas, porque era destinado a aviões e não pára-quedas. Gastaram ali o que tinham e não tinham, para depois se ter de passar tudo para as mãos de um pseudo GALE - Grupo de Aviação Ligeira do Exército, que foi "criado" mas não concretizado, como está claramente demonstrado. Leia-se o artigo que segue, que esclarece muita coisa... e nada.
"O Exército Português ainda não opera helicópteros em Portugal (nem em qualquer outra parte do mundo). Recentemente houve, e ainda está a haver, uma tentativa de adquirir helicópteros ligeiros e posteriormente helicópteros de transporte.
O processo não está a ser pacífico, mesmo nada. Avanços e recuos sucessivos associado a falta de decisão política condimentado pelo facto de Portugal passar um período de escassos recursos financeiros.
Diz o povo que a história se. repete. E de facto assim parece ser. Senão leiam com atenção um artigo elaborado pelo General Belchior Viera, publicado na Revista de Artilharia e que tomo a liberdade de transever na integra, se bem que por capítulos.
«É criada a Aviação Ligeira de Observação de Artilharia encarregada da utilização dos materiais ligeiros necessários para a Artilharia assegurar a observação e a conduta de tiro (..) sobre objectivos que não são vistos dos observatórios terrestres".
(De um projecto de Decreto/Lei do Ministério do Exército de 1950-51)
"0 grupo de Aviação Ligeira do Exército é a nova unidade que permitirá ao Exército actuar na terceira dimensão do campo de batalha".
(Do Livro Branco da Defesa Nacional 1994)
1. INTRODUÇÃO
Em 20 de Agosto de 1950, foi designado Ministro do Exército o general Adolfo do Amaral Abranches Pinto que, como brigadeiro, vinha exercendo as funções de Adido Militar e Aeronáutico junto da nossa Embaixada em Washington, desde Fevereiro do mesmo ano. O Exército dos Estados Unidos da América desenvolvia, então, uma série de experiências de doutrina táctica e organização operacional com base nos ensinamentos colhidos durante a II Guerra Mundial e nos novos tipos de armamento e equipamento com que passara a ser dotado. Entre este equipamento, contavam-se os aviões ligeiros, orgânicos de unidades do Exército e pilotados e mantidos por pessoal deste Ramo. Utilizados com frequência em missões de observação na II Guerra Mundial (70% das regulações do tiro de artilharia foram realizadas por observadores aéreos), os aviões ligeiros (os "piper Cub" L-4 e L-5) só depois do final desta guerra surgiram integrados num primeiro ordenamento orgânico . Mas, foi, sem dúvida, na guerra da Coreia que os aviões ligeiros alcançaram a sua "maioridade operacional", com a utilização diversificada e intensa do avião "Cessna" L-19, conhecido como "Bird Dog". Os helicópteros do Exército, surgidos no TO coreano, só viriam a alcançar notoriedade, mais tarde, no Vietname.
Na Coreia, os L-19 foram utilizados em missões de observação (regulação e verificação do tiro de artilharia e morteiros, aquisição de objectivos, reconhecimento de itinerários e posições, segurança de colunas de viaturas, pesquisa de actividade do inimigo, fotografia aérea, vigilância) e de transporte (ligação, serviço postal, lançamento e recolha de mensagens, evacuação de feridos, lançamento de fio telefónico, "relais" rádio, reabastecimento de emergência).
Artilheiro e entusiasta da aviação, tinha obtido o "brevet" internacional de pilotagem civil na Alemanha (1923) e especializara-se em observação aérea em balão e avião no Exército Francês (1934-35), o general Abranches Pinto trouxe consigo para Portugal a "ideia" de uma aviação ligeira do Exército, decidido a concretizá-la entre nós numa "escala" compatível com o nosso potencial militar. Não o conseguiu, apesar de nela ter empenhado todos os seus esforços.
Quase meio século passado, aquela "ideia" renasceu entre nós. Vingará agora?
Uma reflexão "histórica" poderá ser muito útil para os políticos e militares responsáveis pelo programa em curso."
(CONTINUA)

sábado, 12 de setembro de 2009

B.A.3 - Uma Base com história

Muitas vezes me têm perguntado porque razão refiro sempre ter saudades da Base Aérea 3, uma vez que tenho uma Base "mesmo ao pé da porta", como é o caso da Base Aérea 5, de Monte Real, dado ser natural de Leiria. Costumo responder que "não há amor como o primeiro"... e porque foi em Tancos que recebi o meu quinhão de saudade, ao ser incorporado na Força Aérea, é esse facto determinante no que se refere a ser-me suscitado tal sentimento.
Posso dizer que assisti à inauguração da BA5, mas foi no GDACI que tive o primeiro contacto oficial com a FAP, uma vez que fui lá inspeccionado para o Serviço Militar, enquanto na Base de Tancos fui incorporado, fiz toda a instrucção Militar e jurei Bandeira. Também foi na Base Aérea 3 que fiz o meu curso.
Fui colocado na BA5 após regressar de Angola, mas os dois anos ali passados não me fizeram esquecer Tancos, mesmo que tenha sido também um tempo importante o que vivi... numa Base que era a antítese daquilo que se preconizava encontrar numa Unidade Militar cinco estrelas, algo tornado necessário para quem estava no meio castrense, como seja: CAMARADAGEM entre todas as classes, sem os indesejáveis separatismos entre especialidades que eram apanágio da Base de Monte Real, onde se vivia segundo as "castas", ao passo que em Tancos havia uma noção arreigada de que o espírito Militar e o espírito de Família não estavam dissociados! Era a casa enorme onde cabia toda a grande família da Força Aérea, porque também os outros, que à BA3 iam adir para efeitos da frequência de qualquer curso ou em missão de serviço, eram integrados nessa grande família!
Não estava arreigada no espírito de ninguém a convicção de que "A FORÇA AÉREA EXISTE PORQUE EXISTEM PILOTOS E AVIÕES!", como por vezes se ouvia dizer em Monte Real. Em Tancos também existiam aviões e Pilotos, mas existiam igualmente os Mecânicos de Material Aéreo e Terrestre, Electricistas, de Rádio, de Armamento, havia o pessoal de Controle, de Meteorologia ou Comunicações, para não falar nos Abastecimentos, nos Amanuenses, na Polícia Aérea, nos Bombeiros, nos Condutores, nos Clarins... e até nos Cozinheiro, bastante importantes para cozer as batatas que eram servidas à mesa de todos os outros, como importantes eram aqueles "fulanos" que limpavam a pista, a iluminavam, a conservavam... sendo que eram todas estas pessoas que permitiam que os aviões fossem para o ar, no cumprimento das missões que lhes eram cometidas, cientes de que todos tinham dado o seu contributo para o cumprimento da missão!
Era assim a Base Aérea nº. 3, que honrava por completo a sua divisa... e a Força Aérea de que se orgulhava ser uma parte importante.
Foram muitos os anos que deram àqueles que fizeram a Força Aérea Portuguesa motivos de sobra para se reverem na história que ajudaram a escrever. Muitos daqueles que um dia passaram os portões da Base, já hà muito foram para junto do Criador, pois é essa a natureza humana, mas nós, que ainda esperamos a nossa hora, não esquecemos aqueles que nos antecederam nos 88 anos de vida da nossa Base Aérea 3.
Esta Base é eterna... enquanto estiver guardada na nossa memória!

domingo, 23 de agosto de 2009

VERBA VOLANT, SCRIPTA MANENT

O título em epígrafe, significando "AS PALAVRAS VOAM MAS OS ESCRITOS FICAM", poderia ser aqui utilizada de muitas maneiras, principalmente agora que se tem procurado dotar o nosso Museu do Ar com aeronaves que foram emblemáticas na saudosa Base Aérea nº. 3.
Dirão os mais atentos... que raio tem esta locução latina a vêr com a recordação, a memória, a lembrança ou o quer que seja que se possa dizer que venha relacionar a BA3 a tal citação?
A Base também tinha uma locução latina como divisa, mas totalmente diferente desta, segundo se apercebem... apesar de em ambas constar o termo "PALAVRAS"!, pois se nesta "AS PALAVRAS VOAM..." na da Base apelava-se a que se usassem "ACTOS E NÃO PALAVRAS"!
É assim que poderemos começar por estabelecer que as palavras estão relacionadas com a BA3... e neste caso até se afirma que voam, o que corresponde a uma relação causa/efeito bastante curiosa!
No Dia da Força Aérea, celebrado na Base Aérea nº. 1, os visitantes puderam vêr em Sintra, onde está instalado um núcleo museológico da FAP bastante importante, um velho mas bastante bem restaurado Junkers JU-52, a primeira aeronave que voou na Base Aérea nº. 3 para o lançamento de páraquedistas. Este trimotor tinha uma envergadura de asa que lhe dava enorme capacidade de "planar", sendo reputado como excelente para a largada das forças aerotransportadas.
Seria excelente se a Direcção do Museu se lembrasse de colocar alguma indicação bibliográfica que referisse o facto de os aviões "x", "y" ou "z" haverem sido operados na Base Aérea nº. 3, nos anos tal, porque deste modo AS PALAVRAS FICARIAM E FARIAM A MEMÓRIA DAQUELA QUE FOI UMA UNIDADE DE EXCELÊNCIA... e que bem merece ser recordada, concorde-se comigo ou não.
Quando alguém pretenda saber que IN ILLO TEMPORE houve uma Base Aérea que ostentava a divisa RES NON VERBA, concordarão que VERBA VOLANT, SCRIPTA MANENT, porque é uma verdade que jamais poderá ser contestada... já que a escrita poderá ser eterna, como é o caso da escrita romana, que perdura através dos séculos!
A Base Aérea nº. 3 também será eterna!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

A BASE AÉREA Nº. 3 FAZIA... 88 ANOS!

(para aumentar o cartaz... clicar sobre ele)

PORQUE TEMOS SAUDADES...???
É uma verdade inquestionável! A nossa Base iria fazer, no próximo mês de Outubro, a bonita idade de 88 anos! Nasceu no seio de outra família, mas fomos nós, os tais que levámos a Cruz de Cristo pelo mundo, como outrora aconteceu com as caravelas, que lhe demos estatuto, experiência, estabilidade, responsabilidade, sangue, suor e lágrimas... só que muitas destas também o foram de alegria pelo dever cumprido para além dele próprio! Sim! Porque o dever cumpre-se para além dele mesmo, quando utilizamos o coração para medir o quanto nos é querido algo que aprendemos a amar com intensa paixão aquilo que fazemos pela nossa felicidade... e na Base Aérea nº. 3 havia gente feliz, pelo seu passado, que nunca renegaram, pelo presente que então viviam e pelo amanhã que estavam a construír! Mas por certo os "Páras" já haviam adquirido outros valores nos tempos em que foram parte integrante da Força Aérea... e um desses valores terá sido o seu sentido de pertença... e nós sabemos que a Base Aérea 3 cimentou todo o seu crescimento num berço do Exército, razão porque não nos admira pugnarem pelo regresso do filho pródigo... que neste caso era uma filha que havia crescido com outros pais... e estes não estavam à espera que um qualquer juíz pudesse entregar a "criança" a outros pais, que neste caso até seriam os... biológicos. Porque apenas e tão só os "pais de coração" desejam a felicidade plena para a "cachopa", ficamos tristes e muito pesarosos com a ida da nossa "Base Aérea nº. 3" para o colo dos seus "papás" do Exército, esperando que nos seja permitido visitar a nossa "menina dos olhos" quando nos aprouver... ou a saudade apertar!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

1910 – Tancos e as 1ªs. experiências da aviação Portuguesa

"A Força Aérea Portuguesa (FAP) é o ramo mais jovem das Forças Armadas, uma vez que se tornou independente em 1 de Julho de 1952. A instalação de muitas das Unidades militares é anterior a 1952. A Aviação Militar remonta, no nosso país, à primeira década do século XX.
Uma das primeiras experiências realizou-se precisamente em Tancos, no dia 10 de Março de 1910, um voo de aeroplano, acontecimento verificado na carreira de tiro do polígono.
O avião denominado Gomes da Silva II, de 6,75 metros de envergadura, com um peso de 185 quilos e equipado com um motor Anzani de 28 CV, montado em Tancos, deslocando-se para sul, fez várias tentativas falhadas devido às más condições da pista. O avião rolou umas dezenas de metros e veio a acidentar-se num talude ao lado da carreira de tiro e em consequência foi abandonado o projecto.
Davam-se os primeiros passos na aviação. Depois das desilusões várias emoções. Em 1937, na sequência da reorganização da Aeronáutica Militar, a unidade recebe o 1.º estandarte nacional. Foi seu primeiro comandante o futuro marechal Craveiro Lopes, que assumiu o comando em 21-8-1938 e no ano seguinte a unidade passou a denominar-se Base Aérea de Tancos – BA3. Na sequência da extinção das unidades da Amadora e Alverca vieram para a BA3 os aviões Vickeres, Potez, Hawker Hind. No ano seguinte chegaram os Gladiator à data excelentes aviões de caça e de acrobacia. Já durante a II Guerra Mundial foram construídos 2 hangares. Em 1944 chegam os Spitfire e depois vêem os Hurricane. Em 1953, agora já como ramo autónomo das Forças Armadas, e nos anos seguintes, a unidade é dotada de aviões F-47 Thunderbolt.
Em Setembro de 1957 é instalada em Tancos a Esquadra de Instrução Complementar de Pilotagem de Aviões de Caça, esquadra composta por 15 aviões T-33-A. Entretanto, na década de 60, chegam os Alouette II e III. Dá-se inicio à guerra do Ultramar. Em consequência deste facto a BA3 perdeu algum laboratório mas, em contrapartida, adquire o apogeu da incorporação de militares para a Força Aérea.
Face à guerra é necessário fazer a formação desses homens. Os seus efectivos atingem valores significativos essencialmente da área de serviços o denominado serviço geral (polícia aérea, amanuenses, condutores, bombeiros, clarins, serviço religioso, etc). Por esta unidade, entre 1960 e 1994, passaram milhares e milhares de cidadãos que cumpriam o serviço militar obrigatório e que deram a conhecer à Nação a nossa região e o nosso concelho. A Base Aérea nº. 3 detinha a máxima latina “RES, NOM VERBA”, com o significado "ACÇÃO E NÃO PALAVRAS". Os seus homens, sempre ao serviço da Pátria, mantiveram bem viva esta máxima até à sua extinção facto que ocorreu em consequência da publicação do Decreto-Lei nº. 128/94, de 19 de Maio.
Fiz grandes amigos na BA3 que vou encontrando no caminho da vida.Por último, não posso deixar de dizer que senti uma grande honra e um inexcedí­vel orgulho em ter por companheiros, e conselheiros de jornada, muitos militares e civis que ali serviram. Recordo por acções de grandeza o ex-Comandante da BA3 (1983-1986), e depois Director de Pessoal da Força Aérea, Major-General Martins Rodrigues, pois o seu mérito de condutor de homens, o seu nobre proceder, a sua consumada prudência e humanismo cristão continuam a ser referência para o meu dia-a-dia."
Texto de Edgar P. da CostaCardoso
in "História da Força Aérea Portuguesa"
- 3.º Volume -1984

domingo, 5 de julho de 2009

FESTIVAL AÉREO DIA FAP...

No dia 05 JULHO a abertura da Base Aérea nº. 1 ao público será às 09H00 com fecho às 21H00
Em parque exterior, com 12 500m2, estarão expostas 20 aeronaves, representando a história da Força Aérea, bem como um espaço de lazer dedicado aos mais radicais como sejam uma torre de escalada, rapel e slide. Também neste espaço poderá ser visitado um balão de ar quente pertencente aos Pára-Quedistas do Exército e o Centro de Treino Cinotécnico da Força Aérea (CTCFA) realizará para o público várias demonstrações com cães militares.
O dia 1 de Julho foi assinalado com uma Cerimónia Militar com desfile aéreo e das Forças em Parada que teve a presença de bastante público.
Do programa da Cerimónia Militar constou:
- às 10H00 a chegada dos visitantes ao local da cerimónia, tendo a entrada sido feita pela Academia da Força Aérea)
- às 11H30 deu-se inicio à cerimónia militar, sendo prestadas as honras militares ao General CEMFA , seguindo-se uma alocução feita pelo mesmo e a cerimónia de homenagem aos militares e civis da Força Aérea falecidos, com um minuto de silêncio e a passagem de quatro F16. Logo após, procedeu-se à imposição de condecorações e a um desfile das Forças em Parada e um desfile Aéreo, envolvendo cerca de 550 militares da Força Aérea, ao desfile das forças apeadas, com cerca de 415 militares, desfile das Forças Motorizadas , com 11 viaturase ao desfile Aéreo com várias aeronaves. Estas Cerimónias Militares terminaram cerca das 12H45.
As Comemorações intensificaram-se a partir do dia 3 com a entrada em exposição do balão de ar quente e com a chegada das aeronaves convidadas, nacionais e estrangeiras, que foram parqueadas na BA1 para o Festival Aéreo Internacional de hoje, elevando-se o número de aeronaves visitáveis para 40. Hoje é o último dia das Comemorações, que irá ser preenchido com o Festival Aéreo Internacional, em que poderão ser vistas entre as 09H00 e as 18H00, demonstrações das Patrulhas Acrobáticas da Força Aérea, os Asas de Portugal e os Rotores de Portugal, e também algumas patrulhas nacionais civis e aeronaves militares e civis estrangeiras, como por exemplo o caça Eurofighter espanhol. Na organização e condução de todos estes eventos, estiveram envolvidos directamente cerca de 1000 militares, com o restante dispositivo da Força Aérea a prestar apoio de bastidores e o planeamento e execução da Exposição Temática, da Cerimónia Militar e do Festival Aéreo a serem tratados como se fosse uma operação militar.

A Força Aérea irá assim pôr à prova e treinar as suas capacidades de resposta logística, bem como a flexibilidade e a mobilidade que são características do Poder Aéreo.
Fonte: FAP

domingo, 28 de junho de 2009

CENTENÁRIO DA AERONÁUTICA PORTUGUESA

Quem havia de dizer que a Aeronáutica faz 100 ... e a Força Aérea 57 anos!
A Base Aérea nº. 3, se ainda estivesse classificada como Unidade de Aeronáutica, faria em Outubro 90 anos, o que seria qualquer coisa de extraordinário, dado ter apenas 10 anos de diferença em relação à implementação da Aeronáutica em Portugal, acontecida no ano de 1909 com a fundação do Aero Club de Portugal!
Como se sabe, a Força Aérea Portuguesa (FAP) é o ramo aéreo das Forças Armadas Portuguesas e as suas origens remontam a 1912, altura em que começaram a ser constituídas as aviações do Exército e da Marinha. Em 01 de Julho de 1952, as aviações do Exército (Aeronáutica Militar) e da Marinha (Aviação Naval) foram fundidas num ramo independente denominado Força Aérea Portuguesa.
Já a Base Aérea nº. 3 é originária na Aeronáutica Militar e do Aeródromo Militar de Tancos, activado em 1919 com a instalação da Esquadrilha Mista de Depósito, que viera transferida de Alverca. Em 1921 passa a designar-se Campo de Tancos e tem sediada a Esquadrilha de Caça nº. 1 - a 1ª. Esquadrilha de Aviação de Caça em Portugal - , que passa a designar-se Grupo Independente de Aviação de Protecção e Combate, a partir de 1927, mantendo a vertente "Aviação de Caça". No ano de 1938 passa a designar-se Base Aérea de Tancos - base de aviação de caça - e em 1938 passa então a designar-se como Base Aérea nº. 3, ainda como base de aviação de caça.
Em 1952, com a criação da FAP, continuou como aviação de caça até que, em 1955, passou a ter a missão de base de aviação de ligação, transporte e treino de tropas páraquedistas.
No ano de 1993, com o regresso da Base ao Exército, voltou a designar-se como Aeródromo Militar de Tancos, nela estando sediado o Comando de Tropas Aerotransportadas e o futuro Grupo de Aviação Ligeira do Exército.
Poderá afirmar-se que perdeu a Força Aérea Portuguesa uma das suas mais emblemáticas Unidades, detentora de uma história a todos os títulos honrosa e digna de ser recordada por quantos nela tiveram oportunidade de prestar serviço!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

A FORÇA AÉREA ESTÁ A DESAPARECER!

Sem comentários, porque desnecessários, damos à estampa este trabalho do Ten.Cor. PILAV na Reforma João José Brandão Ferreira, sobre a Força Aérea que fomos ontem, somos hoje e seremos amanhã, no momento em que estamos na curva descendente da vida da Instituição, que está já ligada à máquina, aguardando que a desliguem. Extrema Unção já foi ministrada pelo oficiante Severiano.
....
- "Falcões Brancos check in"
- "two, three, four"
- " branco one"
"A Força Aérea nasceu como Ramo independente em 1 de Julho de 1952, reunindo a arma de Aeronáutica Militar, existente no Exército, desde 1914, e o Serviço de Aviação Naval criado na Armada, em 1917.
A FA atingiu o seu mais alto nível em 1974, no fim das campanhas de contra guerrilha nos territórios portugueses africanos, iniciados em 1961. Tinha então cerca de 22000 homens e operava 24 tipos diferentes de aeronaves, num total de cerca de 450.
Para se ter uma ideia da verdadeira explosão da actividade aérea, basta dizer que durante o período de guerra foram construídas no ultramar português, cerca de 700 estruturas aeronáuticas...
Em 1975/6, com o fim das operações, o tipo de aeronaves foi reduzido para 12 e o pessoal estabilizou à volta dos 10000, civis e paraquedistas incluídos.
Após a notável acção do general Lemos Ferreira como Chefe de Estado-Maior, que "reafirmou" a FA no seio nacional e lançou as bases da sua modernização, deixando trabalho para mais de 20 anos, a Força Aérea, apesar de ser o Ramo com menos recursos - sem embargo das suas missões terem aumentado -, não parou de se reduzir.
Assim por alto, a FA cedeu (incompreensivelmente, deve dizer-se) a Base Aérea de Tancos ao Exército; entregou o Aeródromo de Manobra nº 2, para a autarquia de Aveiro; a OTA deixou de ter aviões; os Açores estão reduzidos a uma esquadra; o Corpo de Tropas Paraquedistas foi "transferido" para o Exército e as OGMA transformaram-se em Empresa Pública e depois vendida a brasileiros.
A capacidade de sustentação das frotas e o número de horas de voo não tem parado de diminuir.
Pior ainda do que tudo o que foi dito, foi a redução no pessoal com áreas críticas em várias especialidades e as dificuldades de recrutamento. Deve ainda juntar-se ao descrito a degradação no Moral, ponto sensível em qualquer organização. E tal é válido para quem continua no activo, como o que passa à reserva e reforma. E enquanto alguns parâmetros são contabilizáveis, o último não o é. Ultimamente todos os parâmetros se agravaram. A asfixia financeira continua (e é idêntica à dos outros Ramos); o pessoal debanda, por três razões principais:
- degradação acentuada das condições salariais e de apoio à família militar;
- desvalorização social da dignidade da Condição Militar e
- falta de auto estima e coesão interna.
É que antigamente a miséria era "dourada". Agora continua miséria e deixou de ter cor... A degradação da capacidade de sustentação acentuou-se, e a crise na gestão de pessoal está a criar rupturas. A saída de pilotos, por exemplo, é um corropio. já chegou aos generais. Partindo do princípio que a operacionalidade das esquadras de voo é a pedra de toque de qualquer Força Aérea, aquilo que se tem passado nos últimos tempos é de molde a aumentar as preocupações, são exemplos, as baixas prontidões para o voo de praticamente todas as frotas, a saída de pessoal navegante; a lentidão extrema com que se têm feito a modernização dos F-16 (MLU), a que o último acidente com perda total de aeronave, só veio exponenciar; a ultrapassagem em termos práticos da vida útil da frota ALIII (que já merecia uma "Torre e Espada") e a degradação acelerada da mais moderna frota que equipou a FA, os helicópteros Merlin, dos quais já há quatro parados a servirem de fonte de peças, pois a máquina entrou ao serviço sem se ter garantido a respectiva manutenção de 3º escalão. São milhões de contos que estão em jogo e a missão importantíssima de Busca e Salvamento, que ou nos enganamos muito ou o governo está a preparar-se para retirar essa missão das FAs e atribui-la à Protecção Civil e aos Bombeiros. . Os C-130 que representam a face mais visível da FA, arriscam-se a colapsar por não terem tripulantes . Até o Falcon 50 aterra por precaução em Itália, com o Presidente da República a bordo, o que sendo uma coisa que pode acontecer a qualquer um, ocorreu em altura nada conveniente...
Com a ida do novo aeroporto para Alcochete, a FA vai perder o seu campo de tiro ar-solo e nãotem alternativa para o mesmo.
A Base do Montijo vai ver certamente limitações à sua operação. As aeronaves que dão tiros (que são a "força" da FA) estão reduzidas a duas (o P3C e o F-16), se considerarmos que o que resta do Alpha Jet se destina a converter pilotos para o F-16; a nova frota de 12 C-295, que se destina a substituir os Aviocar arrisca-se, assim, a começar com o "pé esquerdo". A lista não acaba aqui, mas julgo que já disse o suficiente para ilustrar o problema.
Está na hora de reagir. E esta reacção só pode vir de cima para baixo. Mas para ter sucesso é necessário colher o apoio de todo o pessoal até ao mais baixo escalão. E não chega. É preciso mobilizar todos os que serviram na FAP.
Tripulantes, pessoal técnico e administrativo: esqueçam eventuais queixas que tenham ou inimizades que fizeram, é preciso novamente vestir a "camisola" para salvar a Instituição. Antigos oficiais, sargentos, especialistas, praças e civis, toca a reunir que valores mais altos se levantam. E se for preciso solicitar solidariedade aos outros Ramos, que se peça. É um sinal de humildade além do que eles também precisam de nós . Ainda estamos cá por "Mérito Próprio" (Ex-Mero Motu)."
- "Branco um, dentro"
- "Branco um, fora"
- "Branco dois, dentro ."
João José Brandão Ferreira TCor Pilav (Ref) (ex Falcão Mor)

quarta-feira, 10 de junho de 2009

DIA DA FORÇA AÉREA

DIA FAP 2009
(Aumente o cartaz... clickando-lhe em cima )
Parece que foi ontem a sua criação... mas a Força Aérea faz 57 anos no próximo dia 01 de Julho, o que equivale a dizer-se que irá haver festa rija, desta vez na Base Aérea nº. 1.
Não sabemos aquilo que poderá ser o festival aéreo deste ano, a fazer fé na parcimónia nos gastos com a operação dos meios aéreos, pois não podemos esquecer estar o País em crise... e não é por solidariedade com o resto da Europa ou do Mundo. No entanto, podemos contar com o empenho de muita gente apostada em dar o seu melhor para que o dia da FAP tenha dignidade, qualidade e grandiosidade.
Mesmo com a crise, o programa é aliciante e... é tudo gratuito, desde a entrada na Base até ao poder-se olhar para o ar e assistir às evoluções dos aparelhos participantes! Apenas há que proteger as dores do pescoço... se não nos precavemos e olhamos repentinamente de um lado para o outro procurando seguir os "ASAS DE PORTUGAL" ou os "ROTORES DE PORTUGAL"com o olhar!
Espera-se que todos possam ir até à linda Sintra - Granja do Marquês e aí assistir ao evento! Volto a dizer que é de borla... e nos tempos que passam não há muitas coisas por esse preço!

DIA DE PORTUGAL... é sempre!

No dia de hoje, em Santarém, em cerimónia presidida pelo Presidente da República Cavaco Silva, celebra-se o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades. Do vasto programa de eventos, salienta-se a homenagem a Salgueiro Maia, com a deposição de uma coroa de flores na base do seu monumento, a que se seguirá uma Parada Militar com as Forças Armadas de Mar, Terra e Ar, que antecederá a imposição de condecorações a várias individualidades para o efeito designadas.
Depois de ter sido suprimida do calendário a participação das Forças Armadas... talvez pela vergonha que estava a ser a reestruturação dessas mesmas Forças Armadas e pela indigna forma como estão a ser tratados os Militares do activo ou da reforma! A GNR é agora a menina bonita do Governo... talvez pelo peso que têm na consciência relativamente aos outros Militares.
Haveria tanto para se dizer... mas para quê? Valerá a pena pugnar pela justiça nas Forças Armadas que somos?
A Capital do Gótico é hoje, como o foi ontem, o palco de uma Feira de Vaidades, que decorrerá conjuntamente com a Feira Nacional da Agricultura! Não é que a cidade de Santarém não mereça ter recebido este evento do Dia de Portugal, nem é isso que pretendo dizer, mas se até as televisões levaram todas as câmaras para fazer a cobertura da festa - "é bonita a festa, pá, estou contente..." - e nem uma palavra para dizer que em Belém, à mesma hora, estava a decorrer a cerimónia do Dia dos Combatentes, que bem merecida seria.
No mesmo momento a que o Presidente da República presidia às cerimónias do Dia de Portugal em Santarém, junto ao monumento aos Combatentes em Belém também se desenrolava um outro Dia de Portugal, mas este feito pelas saudade e a gratidão àqueles que já partiram para Deus, no cumprimento do dever a que foram chamados, lá longe, pelas terras do antigo Ultramar Português!
Talvez não faça sentido haver duas cerimónias separadas, porque dá uma ideia de que o País está dividido, que de um lado estão os Combatentes que se sentem honrados por ter lutado pela continuidade de Portugal "num mundo em pedaços repartido", como dizia o Poeta, e do outro lado está outro País que ignora os que se imolaram em África para dar valor apenas àqueles que andam em missão no estrangeiro, principescamente pagos, como se de soldados da fortuna se tratassem - para não usar o termo mercenários, que seria demasiadamente forte -, que dão o seu contributo a quem lhes pague.
Haverá quem diga que não será assim, que estão em missão de soberania... que sofrem lá longe... que estão sujeitos... esquecendo-se de dizer que essas dificuldades estão apenas patentes no número de vezes que aceitam "o seu sacrifício", pois o número de VOLUNTÁRIOS é imenso! Há muita gente a querer "sofrer pela Pátria", fazendo o sacrifício de fazer mais um pé de meia com os altos vencimentos pagos, em detrimento dos que eram auferidos pelos Homens do Ultramar, que agora são ostracisados por uma Pátria que para uns é Mãe e para os outros Madrasta!

sábado, 6 de junho de 2009

Aniversário da Base Aérea 3




A BASE AÉREA Nº. 3 FAZIA, ESTE ANO, 88 ANOS!
PARABENS!?!?
O Ju-52 foi um ex-libris da BA3
- Quando chegar o próximo dia 27 de Outubro, deveria comemora-se o 88º. aniversário da 1ª. aterragem, na Esquadrilha Mista de Treino e Depósito - que foi uma predecessora da Base Aérea nº. 3 - sediada no Polígono de Tancos, dos dois aviões Caudron G-3, pilotados pelos Capitães Ribeiro da Fonseca e Luis Gonzaga.
- No pretérito dia 01 de Janeiro de 1994 passaram-se 15 anos sobre o encerramento daquela que foi uma das mais importantes Unidades da Aeronáutica Militar, onde funcionou a Esquadrilha nº. 1 de Caça, tendo adoptado como símbolo o GALGO, que viria a perdurar até ao seu encerramento.
- Enquanto Grupo Independente de Aviação de Protecção e Combate - ou Grupo de Caça, como era designado - teve a honra de ter como seu Comandante o então Major Piloto Aviador Francisco Higino Craveiro Lopes. Manteve ainda este Oficial no seu comando quando passou a ser designada como Base Aérea de Tancos (01 de Janeiro de 1939) e, posteriormente (30 de Outubro de 1939), como Base Aérea nº. 3.
- Caso não houvesse sido desactivada como Unidade da Força Aérea, a designação de BA3 perduraria 70 anos efectivos... feitos com esforço, dedicação, abnegação, coragem, sentido de missão, doação total, confiança no porvir, lealdade... e tudo o mais que se poderia dizer quanto ao carácter adquirido honrando o signo do Galgo e a divisa "RES NON VERBA"!
- E não podem ser suscitadas dúvidas de que a Base Aérea nº. 3 cumpriu para além do dever em prol da Força Aérea e soube honrar o nome de Portugal nos 55 anos em que manteve tal designação... mau grado os detratores que usam a maldicência para justificar o injustificável, que foi a sua entrega ao Exército.
- Sabemos que ainda ninguém contestou a afirmação de que cada País valerá, em questões de defesa, pela Força Aérea que possa ter como força constituída... mas uma Força Aérea apenas valerá pela capacidade de execução das missões que as suas Unidades possam ter... e a Base Aérea nº. 3, indubitávelmente, foi um baluarte na defesa da Pátria.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Outros tempos...

...outras gentes, parece ser a sina da antiga Base Aérea nº. 3, nos dias de hoje rebatizada "Base Aérea de Tancos", ainda que não seja mais uma base aérea mas tão só um local para lançamento de páquedistas, seja em "relativo" ou em qualquer das modalidades da chamada "queda livre".
Poderiam os "Páras" desejar outro local mais conseguido que a antiga Base? Qual Arrepiado, qual carapuça! Estar ali é ouro sobre azul, pois fica-se ao pé de casa, deixando de ser necessário andarem viaturas a fazer-se ao caminho de um lado para o outro do Tejo!
Lançam-se lá no Arrepiado os "Catatuas", porque a esses até lhes faz bem andarem a pé. Sempre têm uma vista do castelo de Almourol, para depois contarem aos familiares que andaram a vêr o castelo do D. Gualdim Paes a partir de cima, do mesmo sítio onde deixaram rastos de medo desde o momento em que o largador lhes enfiou o pézinho no trazeiro e os lançou borda fora do avião!
Para mais, nos antigamentes da "Tropa" no Polígono, a Base até havia sido uma casa do Exército, pelo que o bom filho...
...e ninguém mandou a Força Aérea esquecer-se daquele ditado que diz que "fazer filhos em mulher alheia dá sempre mau resultado"! Era uma terra de outras gentes... e essas gentes quizeram voltar à casa mãe, como se fossem emigrantes no regresso a um lar... que esteve sempre em boas mãos e estava um "must" no momento da entrega
Nos tempos em que se ia até à Aringa comprar selos para as cartas para a Maria e uns copos para "matar" a sede que nos devorava naquele fim-de-mundo, havia sempre a possibilidade de encontrar o centauro do Comandante da Engenharia, que gostava se se mostrar como parte integrante de um animal nobre, talvez pela falta de nobreza que o caracterizava.
Recordo o papel ridículo de um "tipo" de militar que fazia gala em criar problemas para si e para os seus homens, quando ordenava que corressem com os "Páras" dali para fora... apenas porque estes não aceitavam ordens dadas por alguém montado num cavalo. "Quem quer mandar... mande como deve ser: DESMONTE!" - terá dito um "calhau" ao cavaleiro... da triste figura!
E o ridículo de alguém que se "orgulhava" de dizer aos seus Soldados, formados à porta da Engenharia, que "EPE" não queria dizer o que pensavam mas sim "ENTRAI, POBRES ESCRAVOS!"
Faz lembrar um célebrado Capitão da Base que, quando lhe solicitavam qualquer benefício a fazer nas infraestruturas da Unidade, costumava dizer: "Não sabem ainda que não há dinheiro para extravagâncias? Sabem o que quer dizer o lema da Base? REZA QUE NÃO HÁ VERBA!"... e o pessoal tinha que se contentar com tal resposta!
A Base também tinha os seus encantos, quanto a aberrações nas relações entre alguns iluminados e a plebe! O mesmo Oficial, que tinha também os Transportes Auto à sua responsabilidade, quando em determinada altura lhe pedi transporte para Tomar ou para Abrantes, onde teria autocarro de carreira para a minha Leiria, disse não haver lugar nos transportes da Unidade, mesmo estando eu a vêr que a viatura nem meia ia.
Eram outros tempos, outras gentes... outras formas de disciplina, que iam fazendo de
nós, Militares, homens capazes de saber ouvir um "NÃO" sem rispostar em nenhuma circunstância, porque havia uma coisa que se chamava DISCIPLINA, outra que dava pelo nome de EDUCAÇÃO CÍVICA, que era ensinada nas escolas e colocada em prática por cada um de nós.
Não havia vontade de esmurrar o nariz aos prepotentes do Reino? Havia! Não se acertavam contas de vez em quando? Talvez não tantas como seria necessário, confesso!
Ao fim e ao cabo, eram outros tempos, outras gentes, é certo, mas também uma outra forma de estar na vida, nada consentânea com aquilo que nos chegou depois desse Abril dos cravos rubros... que conseguiu levar à bancarrota a mística Militar de que estavamos imbuídos, tal como destruíu o conceito de "Família", vitimizada pelas amplas liberdades conquistadas por um Povo ávido de "novidades", no que à democracia concerne.
OUTROS TEMPOS... OUTRAS GENTES... OUTRAS GERAÇÕES!!!
Valeu a pena? Tudo vale a pena... - diz o poeta!

sábado, 25 de abril de 2009

25 de Abril... 35 anos depois...

Hoje comemora-se a revolução "dos Cravos", "dos Capitães" ou do "25 de Abril", acontecida à 35 anos atrás por iniciativa de um grupo de militares, que se vieram a constituir como Movimento das Forças Armadas.
Trinta e cinco anos depois desse Abril revolucionário, muitas coisas aconteceram, umas positivas outras negativas, algumas perigosas outras... ingénuas por demais para serem verdadeiras.
Porque as independências das possessões ultramarinas foram uma consequência lógica da revolução, não se acautelaram os interesses de milhares de pessoas que, depois de uma vida de trabalho insano tido nos lugares mais inóspitos de África, tiveram de deixar tudo para salvar as suas vidas e a dos seus.
Este foi um dos "D" programáticos do MFA que não foi pensado pelos revoltosos. Descolonizar era necessário, mas não era do modo como se processou.
O outro "D", correspondente a Democratizar, também teve um resultado muito àquem do pretendido, porque o Povo não estava/está preparado para assumir tão "amplas liberdades"... e a liberdade demasiada é sempre má conselheira. Veja-se o que aconteceu no após 26 de Abril: fizeram-se campanhas de dinamização cultural - o terceiro "D", de Dinamizar - , ocuparam-se propriedades urbanas e agrícolas, sanearam-se entidades patronais, usaram-se bombas para matar em nome da liberdade, assaltaram-se sedes de partidos, houve o PREC, o COPCOM, com o comandante deste a pretender encerrar o Povo no Campo Pequeno, surgiram os SUV's, as FP-25 de Abril, o 11 de Março, as nacionalizações, a destruição do aparelho produtivo, o assalto aos postos chave da economia, com a colocação dos "amigos" nas administrações...
...até que chegou a hora de encerrar aquelas Unidades da Força Aérea que não se vergavam perante as insidiosas tropelias dos novos senhores da Pátria, que não olharam a meios para atingir os seus fins. E ASSIM SE ENCERROU A BASE AÉREA Nº. 3, com a passagem das suas instalações para as mãos daqueles que sempre a cobiçaram, como era o caso do Exército.
Mas o 25 de Abril também veio proporcionar outras coisas impensáveis, como foi o caso da mudança da moeda do Escudo para o Euro, a subserviência à Comunidade Europeia, que tenta levar Portugal a tornar-se uma pequena província de uma grande nação chamada Europa, a hipoteca total da economia do País à mania das grandezas, como é o caso do TGV, imposto pela governação europeia ou Ibérica, tanto faz, para não estar a falar do novo aeroporto, porque este é um mal necessário... mesmo que pareça pretender-se entrar para o Guiness construíndo um aeroporto a rivalizar com os mais modernos do mundo. Seja na Ota, em Alcochete, em Alcabideche ou no alto da Torre da Serra da Estrela, o Lino faz! O Lino é o maior, desde que o povo tenha paciência e continue a apertar o cinto, pois o Sócrates tem de ter o melhor para os seus amigos Zapateros, Eduardos dos Santos ou Hugos Chavez. O Partido assim o quer...
Trinta e cinco anos depois de Abril de 74, seria oportuno mandar-se celebrar uma Missa em Acção de Graças pela ingenuidade dos portugueses, que continuam a acreditar nos cantos de sereia do Primeiro Ministro... e depois queixam-se!
Que São Nuno de Santa Maria nos valha!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

O 25 de Abril...

A passagem de testemunho de Caetano para Spínola
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Há 35 anos um grupo de militares, oriundos dos três Ramos das Forças Armadas e das Forças de Segurança, levaram a cabo a enorme "gesta" do derrube do regime do Estado Novo, impondo ao País uma Junta de Salvação Nacional que, logo que se escreveu uma nova Constituição, que tinha a pretensão de levar esta Nação para o... socialismo, talvez porque Portugal era agora uma democracia...
Viveu-se um PREC, houve a Maioria Silenciosa, com prisões arbitrárias; houve o 11 de Março, originado numa dita "Matança da Páscoa", de inspiração comunista, e continuaram a haver prisões... e deu-se a fuga de Spínola para Espanha; houve saneamentos, barricadas, FP 25 de Abril, MDLP, ELP, ciou-se o COPCON, perpetraram-se assaltos a sedes de Partidos de Direita, aconteceram nacionalizações, promoções, despromoções, euforias, confusões... até que, por fim, chegou umoutro 25, mas este agora foi em Novembro, que c e teve como finalidade colocar no devido lugar alguns politiqueiros mais exaltados e remeter os Militares revolucionários para os Quarteis.
Algumas sequelas da revolução chamada dos Cravos ainda fazem doer uma boa parte da sociedade portuguesa... mercê da exemplar descolonização levada a cabo por um Governo composto por gente comprometidoa com muitas das mortes acontecidas nas guerras de África, pela ajuda e apoio que as Internacionais socialista e comunista iam dando aos Movimentos de Libertação.
Recordemos o 25 de Abril:
"Revolução dos Cravos" foi o nome atribuído ao golpe de estado militar que, apenas num dia, derrubou, sem grande resistência das forças leais ao governo - que cederam perante a revolta das Forças Armadas - um regime político que vigorava em Portugal desde 1926.
Este levantamento, também conhecido pelos portugueses como "o 25 de Abril", foi levado a cabo, em 1974, por oficiais intermédios da hierarquia militar (conhecido por MFA), na sua maior parte capitães que haviam participado na Guerra do Ultramar.
Considera-se, em termos gerais, que esta revolução trouxe a liberdade ao Povo Português, denominando-se como "Dia da Liberdade" o feriado que em Portugal comemora esta revolução.
A primeira reunião clandestina dos capitães foi realizada em Bissau, no dia 21 de Agosto de 1973, possivelmente esquecidos de que haveria camaradas de armas que estavam a morrer... no preciso momento em que eles conspiravam. Uma nova reunião aconteceu em 09 de Setembro do mesmo ano, agora no Monte Sobral (Alcáçovas) passando então a conspiração a ser designada por Movimento das Forças Armadas.
No dia 05 de Março de 1975 foi aprovado o primeiro documento do movimento: "Os Militares, as Forças Armadas e a Nação". Este documento foi posto a circular clandestinamente.
No dia 14 de Março o governo demitiu os generais António de Spínola e Francisco Costa Gomes dos cargos de Vice-Chefe e Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, alegando que por se terem recusado a participar numa cerimónia de apoio ao regime. No entanto, a verdadeira causa da expulsão dos dois Generais terá sido o facto de o primeiro ter escrito, com cobertura do segundo, o livro, "Portugal e o Futuro", no qual, pela primeira vez uma alta patente advoga a necessidade de se encontrar uma solução política para as revoltas separatistas nas colónias e não de uma solução militar. No dia 24 de Março aconteceu a última reunião clandestina, onde foi decidido o derrube do regime pela força.
TERÁ VALIDO A PENA? EM DETERMINADOS ASPECTOS SIM! MAS OUTROS HÁ QUE SUSCITAM DÚVIDAS!