terça-feira, 25 de março de 2008

REFLEXÕES, ao correr da pena...

  1. * Ainda que pareça caricato, gosto muito de me refugiar no meu canto, onde ninguém me interrompa o pensamento... e fazer isso, precisamente: PENSAR!
  2. * Os dias de serviço de escala, quando estava a guardar tudo e nada dentro da Unidade, carregando à cinta uma arma... que de nada me serviria... a não ser como adorno, tornaram-me uma pessoa bastante céptica, até quanto ao valor da guarda às instalações militares, talvez porque tivesse ouvido histórias, pouco dignificantes, que se terão passado no meio castrense.
  3. * Um dia, em Tancos, ouvi um ilustre Militar da Força Aérea, detentor de umas asas sobre o peito... mas que mais se parecia com um pavão do que com um gavião, afirmar que a Força Aérea apenas existia porque haviam aviões e pilotos, sendo o resto apenas e tão só paisaigem! Fiquei furibundo com tal afirmação... e decidi que o "dia da expiação" um diachegaria . `
  4. *O tempo "voou" e a ocasião nunca mais se manifestava... até que, um belo dia, quando me dirigia à Base com uma viatura carregada de fardamento, recebido em Alverca, vi o nosso piloto a estender o dedo à caridade de uma boleia. O condutor parou e perguntei ao pavão o que tinha acontecido. Disse-me que tinha ficado sem gasolina, e pedia uma boleia até à Base, para tentar arranjar alguém que lhe cedesse um transporte para ir buscar combustível.
  5. * Porque ele estava a cerca de mil e quinhentos metros de uma bomba de gasolina, perguntei-lhe porque não foi lá buscar o combustível. "Sabe... - disse-me - é que não gosto de deixar o carro abandonado!". Perguntei-lhe como iria fazer isso, porque se ia à Base, o carro ia ficar abandonado... mesmo que fosse por pouco tempo! Resposta pronta do cavalheiro: "Porque julga que você que estou a pedir boleia a viaturas militares? É que deixo aqui um inferior para tomar conta do carro e eu vou mais descansado buscar ajuda!". Disse-lhe que não deixava ali ninguém e que ele se desenrascasse, pois também o não podia levar.
  6. * No dia seguinte, o Comandante do Grupo de Apoio mandou-me chamar e pergunta-me a razão porque não tinha dado boleia ao Sr. Alferes, sabendo que ele estava na estrada sem combustível. De chofre, dei comigo a dizer ao Comandante do Grupo: - "Sabe, Senhor Tenente Coronel? é que a Força Aérea, afinal, não é como o Senhor Alferes dizia! E ainda bem!". "O que é que ele disse? Alguma asneira!".
  7. * Não calculam a alegria que senti quando lhe disse: "É que o senhor Alferes afirmou que a Força Aérea existe porque existem aviões e pilotos! Eu apenas pretendi que ele entendesse que somos todos que fazemos a Força Aérea! Espero que ele assim o tenha entendido!". O Ten.Coronel, que também era Piloto, não tugiu nem mugiu! Será que também entendeu o recado?

domingo, 23 de março de 2008

Cristo está vivo! RESSUSCITOU!


Para todos...

UMA SANTA PÁSCOA!

segunda-feira, 17 de março de 2008

UNIDADES QUE FIZERAM A FORÇA AÉREA

BASE AÉREA Nº. 3 - TANCOS
--------------------------------------------- Uma vista da antiga Base
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  • ---- Situava-se a Base Aérea nº. 3 no Polígono de Tancos, entre Vila Nova da Barquinha e Constância, e entre estas Vilas, ficava o Castelo de Almourol, que funcionava como um maravilhoso ex-libris que convidava a uma visita.
  • ---- Esta Unidade foi fundada aos 27 dias do mês de Outubro de 1921, com o nome de Esquadrilha Mista de Treino e Depósito, sendo também nesse dia que ali aterraram, pela primeira vez, dois aviões Caudron G-3, pilotados respectivamente pelo Capitão Ribeiro da Fonseca, que viria a ser o 1º. Comandante da Unidade, e pelo Capitão Luis Gonzaga.
  • ---- No dia o1 de Janeiro de 1926, a Unidade passou a ser designada por Esquadrilha nº. 1 de Caça, adoptando desde então o Galgo como o seu símbolo.
  • ---- Em 28 de Outubro de 1927, a Unidade passou a ser o Grupo Independente de Aviação de Protecção e Combate, mas era mais conhecida por Grupo de Caça, sendo equipada com os modernos monoplanos de asa alta Morane Saulnier 3/MS 133, que foram considerados, ao tempo, como os melhores aviões de caça existentes .
  • ---- No dia 01 de Dezembro de 1937, recebeu o seu primeiro Estandarte. Era, nesta data, comandada pelo Major Piloto Aviador Francisco Higino Craveiro Lopes, que viria a ser o 1º. Inspector Geral de Aeronáutica... e, mais tarde, o Presidente da República Portuguesa e o 1º. Marechal da Força Aérea.
  • ---- Até ao dia 31 de Dezembro de 1938, manteve a designação de Grupo de Caça, mas entre 01 de Janeiro de 1939 e 29 de Outubro do mesmo ano, passou a chamar-se Base Aérea de Tancos... até que, no dia 30 de Outubro, adoptou oficialmente a designação de BASE AÉREA Nº. 3, que usou, orgulhosamente, até à data em que foi encerrada e entregue à tutela do Exército, para aí instalar a Base de Aviação Ligeira das Tropas Aerotransportadas do Exército, de apoio aos Páraquedistas.
  • ---- A Base Aérea nº. 3 teve como divisa a máxima latina RES NOM VERBA, significando que nela se praticavam "ACTOS E NÃO PALAVRAS", como forma de estar ao serviço da Pátria, mantendo esta conduta durante durante toda a sua existência, até à sua extinção.
  • ---- Por tudo o que a Base Aérea nº. 3 representou no universo das Forças Armadas Portuguesas, e até pelo facto de ter sido a Base mais antiga do País, aqueles que nela serviram nunca esquecem "a Quinta" - nome carinhoso porque era conhecida - porque enorme é a saudade que ficou, levando a que se afirme, com convicção, que A B.A.3 ÉTERNA!
  • ---- Voltaremos a falar desta Unidade, pois dela há muito para contar!

terça-feira, 11 de março de 2008

11 DE MARÇO DE 1975 -- 33 ANOS


--- Precisamente neste dia de hoje, "comemoram-se" 33 anos sobre os "acontecimentos" da "inventona", "intentona" ou o que queiram chamar a mais um dos tradicionais embustes de que Portugal foi vítima durante o famigerado PREC, de tão gratas recordações para alguns dos ditos Partidos Democráticos que proleferaram como cogumelos depois do 25 de Abril de 1974.
--- Podia contar algumas das muitas peripécias acontecidas na Base Aérea nº. 3, em Tancos, de onde o então General António de Spínola "se ausentou" para a Base de Talavera de la Reyna, a fim de "passar umas férias descançadas" e para não ter de aturar aquela rapaziada entusiasta que, na Praça de Touros do Campo Pequeno, no dia 28 de Setembro do ano da Revolução, o "aclamara" de um modo tão ternurento. Mas não vou contar muita coisa, porque já se disse tanto - e tão pouco - sobre este assunto, com mentiras e verdades, recusa e assunção de protagonismos que levam a poder afirmar que nesta verdade que foi o 11 de Março, se ouviram demasiadas mentiras. Porquê? Por quem? Para quê? Será que algum dia saberemos o que realmente aconteceu? Não será muito difícil desmontar a cabala em que caíu Spínola e os seus fiéis.
--- Uma das histórias muito mal contadas é a participação da R.T.P. em todo este processo. Quando os aviões da Base Aérea nº. 3 cruzaram os céus sobre o Regimento de Artilharia nº. 1 - rebaptizado RALIS ou Regimento de Artilharia de Lisboa, após a "inventona" - já os jornalistas e operadores de imagem da Televisão estatal se encontravam a postos, nos pontos mais favoráveis e prontos a recolher tudo o que pudessem para mostrar, em diferido, ao País. Quem os avisou? O Adelino Gomes poderia já ter feito luz sobre o assunto, mas nada! A RTP fez uma cobertura exaustiva de todos os acontecimentos daquela manhã, a partir de locais que foram préviamente escolhidos, como se alguém lhes houvesse distribuido o guião da festa com muita antecedência. Foram avisados pelo PC ou pelo General Spínola?
--- Tendo sido o Major César Neto Portugal um dos Pilotos que atacou o RALIS e sendo ele cunhado de Vasco Gonçalves, não repugna pensar-se que teria sido este a avisar a Televisão. Ramalho Eanes teria tomado conhecimento através do próprio César Neto Portugal e, de uma forma imprevidente, deu conhecimento a Vasco Gonçalves? Ou será que a RTP foi realmente informada por quem encenara todo o espectáculo e que assim armadilhou o golpe spinolista? Muitos Militares, comprometidos com Spínola, esperaram pacientemente pela emissão da RTP para saberem o que se teria passado em Lisboa, porque a ideia era esta: se em Lisboa tudo estivesse a correr como combinado, eles sairiam para a rua, caso contrário iriam permanecer quietinhos, para a "coisa" não estourar. Mas a RTP, às 13H00, estava a emitir um programa para crianças, pelo que deveria alguma coisa ter corrido mal em Lisboa. Assim ficaram desde logo fora de acção os homens de mão de Spínola em Lisboa e evitou-se que o resto do País se entusiasmasse e aderisse em massa ao golpe.
--- Porque falhou o golpe? Porquê a desmobilização dos spínolistas, cujo ânimo parece ter esfriado na "hora H"... ou porque a Televisão não noticiou nem mostrou imediatamente aquilo que recolhera sobre o ataque em força ao RALIS? E não o fez... porquê?
--- O Movimento das Forças Armadas considerou de imediato ter havido "um golpe reaccionário contra o 25 de Abril e declarou desde logo como reaccionários todos os militares implicados no 11 de Março, pois pretenderiam repôr a situação anterior ao 25 de Abril". O ter a Televisão feito silêncio serviu para que o MFA os acusasse de mostrar "que o contragolpe da esquerda estava a vencer, interessando dizer às forças civis progressistas que poderiam manter a esperança de que a 'reacção não passaria'!"
--- Eu estive em Tancos, porque havia sido escalado como Comandante da Guarda na Base Aérea nº. 3, e assisti a algumas coisas acontecidas na noite de 10 para 11 de Março, naquela Base, que veio, mais tarde, a sofrer a retaliação que tardou, mas não faltou: - Viu encerrada a sua actividade aérea e de instrução, passando para as mãos do Exército, o 1º. utente daquele espaço, quando da passagem para a Aeronáutica Militar e, posteriormente, para a Força Aérea Portuguesa.
--- E os comunistas jamais deixaram em paz a Unidade que, depois do cobarde ataque feito pela ARA, com a destruição total de várias aeronaves, utilizaram os Páraquedistas, no 25 de Novembro, para a ocupar, juntamente com outras Bases... até que vieram a conseguir os seus intentos, quando o Governo deu a BA3 aos homens da Boina Verde. Não acredito em bruxas... mas que as há...há! Não foi isto uma vingança, pelo papel da BA3 no 11 de Março? Alguém terá dúvidas? Eu não!

segunda-feira, 10 de março de 2008

II - AERONÁUTICA MILITAR

--- Continuando a historiar aquilo que foi a implementação da Aeronáutica Militar em terras Lusitanas, podemos concluír que os primeiros tempos foram divididos entre o Exército e a Armada, que para consecução dos seus intentos proveram à implantação da Escola de Aeronáutica Militar, em Vila Nova da Rainha - depois transferida para a Granja do Marquês, em Sintra, na dependência do Exército, e o Serviço de Aviação da Armada, no hangar do Bom Sucesso, em Lisboa, e o Centro de Aviação Marítima em S. Jacinto - Aveiro, da responsabilidade da Armada.
--- Mercê do apoio governamental e popular dados às coisas do ar, as grandes viagens aéreas começam a acontecer, muito se devendo ao incentivo entusiástico de Sacadura Cabral. Brito Pais e Sarmento Beires falham uma primeira tentativa de chegar à Ilha da Madeira, decorria o ano de 1920. No ano seguinte, Sacadura Cabral e Gago Coutinho conseguem efectuar aquela ligação. Logo no ano seguinte, Sacadura Cabral e Gago Coutinho realizam a travessia do Atlântico Sul, depois de um planeamento cuidadoso e rigoroso. Este feito extraordinário dos dois aviadores portugueses tem repercussão mundial e consagraram a competência científica de Gago Coutinho, a par da grande classe como piloto reconhecida a Sacadura Cabral. 1924 leva Brito Pais e Sarmento de Beires a voar de Vila Nova de Milfontes até Macau, contribuíndo decisivamente para o prestígio da Aviação Portuguesa.
--- Voou-se para Angola, Moçambique, Macau, Timor, Índia e grande parte do Oriente. O reconhecimento internacional está patente nos 4 Troféus Clifford Harmon, dos EUA, que premiavam os feitos dos pilotos portugueses a nível mundial.
--- Os pilotos da Armada, até 1925, formavam-se no estrangeiro, mas, a partir desse ano, passaram a ser formados na Escola de Aviação Naval, que a partir de 1934 foi transferida para S. Jacinto - Aveiro, marcando um marco indelével de progresso, de uma renovação bem estruturada, com aquisição de novos aviões de combate. Fez-se um minucioso trabalho hidrográfico e de levantamento da costa. Durante os primeiros anos da II Guerra Mundial, efectuou-se o reapetrechamento da Aeronáutica Portuguesa com novos aviões bombardeiros e de patrulha marítima.
--- Durante a Guerra Civil Espanhola, a Aeronáutica Militar Portuguesa constituiu uma Missão Militar de Observação, que foi colaborar com os nacionalistas, com o voluntariado de vários militares, entre os quais alguns Sargentos Pilotos. Foram condecorados pela sua prestação em situações de combate, onde demonstravam grande bravura e heroísmo. Além destes, também outros pilotos portugueses combateram pelos republicanos.
--- Por causa da II Guerra Mundial, prevendo um possível ataque alemão às ilhas dos Açores, dada a sua posição estratégica, Portugal reforçou as suas forças em S. Miguel e na Ilha Terceira, colocando lá duas esquadrilhas de caça e uma de bombardeamento. Os Ingleses solicitaram a Portugal autorização para efectuar embarque e desembarque de material de guerra e tropas na Ilha Terceira. Como contrapartida pelo auxílio prestado, a Inglaterra dotou Portugal com alguns dos mais avançados aviões, tais como os aviões de combate Hurricane e Spitfire, bombardeiros Blenheim e Beaufigther ou de busca e salvamento B-17.. No aeródromo da Portela, destinado à defesa da capital, ficaram estacionadas duas Esquadrilhas, uma da Armada, equipadas com os C-54 Skymaster. Alguns aviões dos países em confronto,que pelos mais diversos motivos tiveram de aterrar em Portugal, foram igualmente operados pela nossa Aeronáutica.
--- Começava a projectar-se no tempo o aparecimento da aviação civil e dos transportes aéros comerciais, que recrutaram à Aviação Militar e Naval os 13 primeiros pilotos de linha.

domingo, 9 de março de 2008

VAMOS LÁ VÊR ESSA CONTINÊNCIA...

--- Com uma simples continência, ninguém compra a consciência! Isto para dizer que, em termos de saudação entre Militares, a continência faz todo o SENTIDO! Tal como acontece com a continência aos símbolos nacionais, que não deve ser de somenos importância , como alguns membros da "nomenklatura" deste País parecem desejar, a todo o custo , fazer acreditar.
--- Pensam que a continência não passa de um mero sinal de subalternidade, de subserviência por parte dos mais pequenos, e fazem tudo para provar que a razão está do seu lado, porque os outros, a plebe, a ralé, apenas têm que se perfilar e bater a palada que os Regulamentos exigem!
--- Contam-se muitas histórias... eu assisti mesmo a algumas que primariam pela graça, não fosse tão triste a figura que alguns chegam a fazer. Por exemplo, que dizer de uma Praça que passa na rua, vê vir da sua direita um Tenente, que se aproxima. Automáticamente, prepara-se para olhar à direita e fazer a continência da ordem. Só que, pelo seu lado esquerdo vê surgir um Major , que se também se aproxima... e não lhe restou outra alternativa: - Ergue os dois braços e faz em simultâneo, a continência aos dois Oficiais! Estava cumprida a sua obrigação de cumprimentar, militarmente, os seus superiores!
--- A continência expressa um sinal de liberdade, é uma inequívoca demonstração de paz! Já na antiguidade se usava o gesto de saudar com a mão direita erguida, simbolizando que quem o fazia estaria desarmado ou estava sem possibilidades de pegar na espada. Apenas as pessoas livres se saúdam! Os escravos não tinham liberdade para saudar os senhores, dada a condição que tinham.
--- Quando ouvem o Hino Nacional ou se estiver a Bandeira Portuguesa a ser hasteada, os Militares devem perfilar-se em continência, porque é este um sinal de que respeitam a sua Pátria!

sexta-feira, 7 de março de 2008

I - AERONÁUTICA MILITAR

-------------------- Reabastecimento de um avião POTEZ 25, nos anos 30
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---- Sendo a Força Aérea a lídima sucessora da Aeronáutica Militar, mau seria que não se revisse na história da sua antepassada. É uma história em que podemos vêr de que "massa" são feitos aqueles que souberam vencer vicissitudes de vária ordem para, com perseverança, coragem, querer, confiança e muito saber, souberam transmitir aos vindouros o gosto pela coisas do ar, projectando-se no futuro de modo decisivo. Os Homens que hoje fazem a Força Aérea são herdeiros de outros Homens de corpo inteiro, que fizeram o caminho capaz de nos levar ao cabal cumprimento da Missão que à Força Aérea é cometida.
---- A vontade de voar é inerente ao próprio Homem, não lhe sendo de estranhar esta atracção pelas lendárias "aventuras" de Ícaro, a inspiração de Leonardo DaVinci, o balão a ar quente de Montgolfier, os relatos de Júlio Verne do voo do balão clássico, a "Passarola" do Pe. Bartolomeu Lourenço de Gusmão, o planador de Lilienthal, o primeiro avião dos irmãos Wright...não esquecendo o impulso dado pelos famosos Bleriot, Santos Dumund, Gago Coutinho, Sacadura Cabral, Lindberg, os irmãos Whittle e tantos outros pioneiros da aviação mundial.
---- Em Portugal, até porque fomos sempre acompanhando a evolução das coisas do ar, sendo nomeada uma Comissão de Aeronáutica Militar, composta por oficiais do Exército e da Armada, sendo estes que vieram a lançar a 1ª. Escola de Aeronáutica Militar e o Campo de Aviação Militar, que a Lei publicada em 14 de Maio de 1914 foram legalmente instituídas e instaladas em Vila Nova da Rainha, próximo da Azambuja. Teve, inicialmente, dois aviões a equipá-la : um "DEPERDUSSIN B" e um "FARMAN MF4", a que vieram juntar outros dois "FARMAN MF11", em 1916, no mês de Outubro.
---- O 1º. curso de Piloto iniciou-se com a frequência de 14 oficiais, dos quais "chumbaram" 3, que acabaram por concluír o curso numa data posterior. Em 1917 o número de aviões foi aumentado para 13, com a aquisição de novos aparelhos.
---- Logo após o 1º. Curso de Pilotagem realizado em Vila Nova da Rainha, o Exército e a Armada seguiram caminhos distintos, mas de grande incremento à causa do ar. É assim que aparece a Escola de Aviação da Armada, em 1916, adquirindo-se os primeiros hidroaviões, sobre a supervisão do Comandante Sacadura Cabral. Construíu-se o hangar do Bom Sucesso, em Belém, e entrou am actividade o Centro de Aviação Marítima de São Jacinto, na zona de Aveiro, passando a Armada, através da missão integrada destes dois Centros, a ser a responsável pela vigilância e defesa da costa Atlântica Portuguesa, no pós I Guerra Mundial.
---- Ao ser constituído o CEP - Corpo Expedicionário Português - para combater em França, ao lado dos Aliados, constituiu-se também o Grupo de Esquadrilhas composto pela Esquadrilha de Caça e as Esquadrilhas de Reconhecimento e Regulação de Tiro de Artilharia, integrando este Grupo de Esquadrilhas 31 Pilotos, alguns observadores aéreos e pessoal de apoio logístico.
---- Se em Moçambique se deu o 1º. acidente aéreo que causou uma vítima - o Alferes Jorge Gorgulho -, em França tivemos um Piloto morto em combate, que foi o Capitão Piloto Óscar Monteiro Torres, herói condecorado com a Torre e Espada - condecoração Portuguesa - e com a Legião de Honra, concedida pela França.
---- 1918, logo que terminou a I Guerra Mundial, veio permitir a reorganização e consolidação da Aeronáutica, criando-se, em 1919, o 1º. Grupo de Esquadrilhas de Aviação "República", constituído pela Esquadrilha de Caça e Esquadrilha de Bombardeamento e Observação, que foram instaladas na Amadora.
---- A Escola de Aeronáutica Militar, decorria o ano de 1921, foi transferida para a Granja do Marquês, em Sintra, e mudou o nome para Escola Militar de Aeronáutica. No mesmo local veio a ser instalada, também, a Base Aérea de Sintra, que havia sido criada conjuntamente com a Base Aérea da Ota e a de Tancos. Na reorganização de 1924, a Aeronáutica Militar passou a ser uma Arma do Exército. A Esquadrilha da Amadora foi extinta, de forma gradual.
---- Em Alverca do Ribatejo desde há muito que se construíam aviões e motores, no Parque Militar Aeronáutico, instalado desde 1920. Construiram-se ali alguns aviões como o "CAUDRON G III- durante os anos 20 foram construídos 50 destes aparelhos -, o "MORANE-SAULNIER M.S.233 - construídos, em 1931, 16 aviões -, o "AVRO 626", de que foram fabricados 17, em 1938, e o "TIGER MOTH", que viu serem construídas 91 unidades entre os anos de 1938 a 1952.

quinta-feira, 6 de março de 2008

OS GLORIOSOS MALUCOS...

------------------------Epsilon voando sobre as pistas
---- A Força Aérea é um autêntico viveiro de "malucos das máquinas voadoras", ainda que estes, para conseguirem o desiderato de virem a voar, tenham de mostrar serem os mais lúcidos entre os lúcidos, os mais sensatos entre os sensatos, ou os mais acisados entre todo o "maralhal" que vai sonhando vir a ser o "Major Alvega" das suas literaturas de "miúdo".
---- A Esquadra 101 tem desde sempre um lema que é por demais elucidativo da complexidade do ser Piloto. É que ela aponta para uma verdade por muitos esquecida... ou ignorada, que é o busilis da dificuldade de ser Piloto, pois SER PILOTO É UMA ARTE... e nem todos têm alma de artista, sensibilidade para a arte! É aí que a Esquadra entre porque sabem sempre que estão "ENSINANDO OS PRINCÍPIOS DA ARTE" aos candidatos a "voadores" E digo "voadores" em vez de "aviadores" propositadamente, porque entre as aves do céu encontramos capacidades muito diversas para o voo, sendo que uma águia ou um falcão não voam como um mero pardalito de telhado!
---- Humildemente, os Instrutores da Esquadra 101 dizem de si próprios que "QUEM NÃO SABE, ENSINA...", porque são Homens conscientes de que não sabem tudo... razão porque vivem mais do que aqueles que pensam saber tudo, pois até são bons mesmo!
---- Também os "RONCOS", os Instrutores do "Epsilon", são Pilotos dedicadas, de corpo e alma, ao mister de ensinar aos princípiantes nestas andanças as melhores técnicas do voo. É que a Força Aérea é "feita" por Homens que fazem da dedicação às coisas do ar um sacerdócio... mesmo que alguém possa pensar ser verdade o tal aforismo humorístico: QUEM NÃO SABE... ENSINA!"

quarta-feira, 5 de março de 2008

CINQUENTENÁRIOS...


... A Força Aérea Portuguesa já passou a idade em que as pessoas começam a deitar contas à vida, pois comemora este ano, no dia 01 de Julho, 56 anos de vida... como Ramo indepensente das Forças Armadas. Isto porque a partir de 1952 foi concedida a emancipação à mais jovem das nossas Armas... não a independência total, como se compreenderá, pois a FAP depende de um Governo, que tem um Ministro da Defesa a tutelar a Arma... e esta "responde" ainda, hierárquicamente, perante um Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, sendo este o braço direito do Ministério para o cabal cumprimento das Missões que possam ser cometidas às Forças de Terra, Mar e Ar.
... Uma consequência lógica dos 56 anos da FAP, é estarem outros Departamentos, Direcções ou Serviços a cumprir os seus cinquentenários, como, por exemplo; a Direcção dos Serviços de "Intendência e Contabilidade da Força Aérea", o "Serviço Religioso da Força Aérea" ou o " Centro de Recrutamento da Força Aérea", que inicialmente estava "aliado" à Direcção dos Serviços de"Instrução", a DSRI, mas foram separados no decorrer dos anos, autonomizando-se. Apesar de já não estarem integrados no Ramo Aeronáutico, após a sua passagem para aos Quadros do Exército, como Tropas de Infantaria Aerotransportada, também os nossos "Boinas Verdes",os briosos "Páraquedistas" Portugueses, cumpriram agora 50 anos de bons e relevantes serviços, especialmente gratificantes pelo trabalho de excelência efectuado em terras de África, nas 3 frentes da guerra do Ultramar ali acontecidas. Foram trinta e oito os anos de completa integração na Força Aérea Portuguesa, podendo dizer-se que aqui ganharam asas para voar.
--- Mas... quando foi que Portugal se iniciou nestas coisas da conquista do ar? Iremos dissecar esta pergunta, tentando responder à mesma o melhor que podemos e sabemos, com a verdade que usamos pôr em tudo aquilo que fazemos. Para tal razão, iremos revirar os baús da nossa memória e na dos amigos, pois estes estão sempre prontos a colaborar em prol de uma causa que abraçaram e consideram sua: Divulgar as coisas do ar! Não dos últimos 50 anos, como Arma Independente, mas de toda uma vasta epopeia que valerá a pena conhecer, começada com o Padre Bartolomeu de Gusmão e a sua "Passarola" e hoje presente nos modernos F-16MLU, Alpha Jet ou Merlin.

PORQUÊ ESTE BLOG?


--- Não é fácil estar a escrever alhos num local onde apenas deveriam ler-se bugalhos, pois são dois produtos que não exalam o mesmo cheiro... logo não terão o mesmo gosto, penso.
--- Pretende o autor dar a conhecer coisas simples da Força Aérea de hoje, seja ela Portuguesa, Espanhola ou "Chinamarquesa"... mas previlegia-se sempre aquela que nos está no coração, porque não é debalde que se serviu a Força Aérea Portuguesa durante parte importante da vida já vivida.
--- Durante anos, ouviram-se histórias e estórias, cultivaram-se amizades e animosidades, viu-se progresso e retrocesso... mas tudo tem o seu tempo, e a Força Aérea cresceu, fez-se uma Arma em que o profissionalismo do seu pessoal foi determinante para que ela fosse prestigiada dentro e fora de portas.
--- Não é por acaso que se diz, nos bastidores das Unidades da FAP, que "A FORÇA AÉREA SOMOS NÓS!"