terça-feira, 30 de dezembro de 2008

JURAR BANDEIRA ...


...é uma prática ancestral, vinda desde tempos já distantes, quando o jovem era admitido nas fileiras e, logo que terminava o seu período básico de instrução, tinha de jurar perante a Bandeira Pátria, símbolo máximo do seu País, que o defenderia de qualquer agressão perpetrada por outrém, mesmo com risco da própria vida.
Já nos tempos da cavalaria medieval se fazia uma Velada de Armas, a anteceder o acto de armar cavaleiros os jovens mancebos, que juravam lealdade à coroa, na pessoa do seu soberano, ao seu brazão de família, que juravam honrar, à sua dama, que juravam proteger, tal como as mais nobres loeis da cavalaria. Era este o cerimonial que antecedeu os Juramentos de Bandeira que, durante muitos anos, foram realizados na nossa saudosa Base Aérea 3.
O poema que se segue recorda-nos o significado daquele pedaço de tecido, que era apresentado com todas as honras aos Recrutas, naquele dia inolvidável, que era o do Juramento de Bandeira:
*
À Bandeira
*
Salve, bandeira sagrada,
Bandeira de Portugal!
No cimo do monte agreste,
No fundo do ameno val'
Ergue-te, bandeira, santa,
Bandeira de Portugal!
Salve, símbolo sagrado
Da Pátria que é nossa mãe,
A quem eu respeito e amo,
Como não amo ninguém!
Salve, bandeira que lembras
A Pátria que é minha mãe!
Feita do sol da glória,
Bandeira do meu país,
Tens sulcado os mares longínquos

Em tanto dia feliz,
E ganho tanta batalha,
Bandeira do meu país!
Oh! Bandeira azul e branca!
Azul, como o belo çéu,
Branca, cor dos brancos anjos...
Que grande encanto é o teu!
As cores da nossa bandeira
Vieram ambas do çéu!
Grava-te bem na minha alma,
Bandeira minha querida!
Que eu nunca em vida me esqueça
De que à Pátria devo a vida,
O sangue, a glória, tudo,
Bandeira minha querida!
Salve, bandeira formosa,
Bandeira do meu país,
Que por ele é minha vida
E que eu morria feliz,
Se na morte me abraçasses,
Bandeira do meu país!
Porque eu te amo no mundo,
Como não amo ninguém,
Salve, bandeira que lembras
A Pátria que é minha mãe!
d
Autor:
António de Oliveira Salazar
aos vinte anos
*
Repare-se que o Autor do poema fala das cores azul e branca, que eram as que a Bandeira de Portugal ostentava então. No entanto ele referia-se à Bandeira Portuguesa, porque símbolo da Pátria, a quem ele chamava mãe!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Feliz ANO NOVO

Cada ano que passa acentua mais a saudade de todos aqueles que, um dia, deixaram a Base Aérea nº. 3 e o Polígono de Tancos, destinando-se uns ao Alentejo, na Base Aérea nº. 11, outros a Sintra, na Base Aérea nº. 1... e muitos para onde quer que a Força Aérea deles necessitasse, porque eram profissionais e sabiam estar dependentes daquilo que o interesse nacional ditava em termos de Defesa.
Outros optaram simplesmente por saírem do Serviço Militar activo, porque os anos passados nas antigas possessões Ultramarinas, na chamada "Guerra Colonial", lhes havia dado um "super havit" em tempo de serviço que lhes permitiria a passagem à situação de Reserva ou de Reforma.
Com a chegada do ano de 2009, não podiam os que serviram em Tancos deixar de pensar na "sua" Base, que é mote para tantas coisas que as saudades vão ditando, porque ela era um parte de cada um dos que a traziam no peito com um amor que abrasa, talvez por ser uma Base diferente, construída nas páginas de glória que as asas dos seus aviões deixaram escritas nos ares deste País!
2009 é mais um ano para recordar que por "ACTOS E NÃO PALAVRAS" escreveram os Aviadores que voaram na BA3 páginas indeléveis de bravura, beleza, espírito de missão e aventura, pois o binómio avião/Piloto dava ares de ser parte de uma partitura onde o virtuosismo se dava as mãos e lançava maviosas notas a convidar à dança!
Com mais este ano passado e o outro que está para chegar, somos forçados a aceitar ser de todo irreversível aquilo que aconteceu à BA3, que foi fechada um tanto forçadamente, porque era uma Unidade com uma história grandiosa, com uma saga pioneira das coisa do ar capaz de levar outros a pensarem duas vezes antes de entregar ao Exército algo que era obra de todos nós, os que fizemos uma Base enorme para o serviço de uma Força Aérea que não estava preparada para bater o pé à sua destruição como alfobre de Pilotos, Navegadores, Polícias Aéreas e outras especialidades que deixaram bem vincada a qualidade da instrução recebida em Tancos, quando chamados a defender a Pátria por terras de África.
É assim que deixamos a todos aqueles que passaram por Tancos e pela BA3, os desejos de continuação de Festas Felizes... e um
FELIZ ANO NOVO!!!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

NATAL DE ONTEM...HOJE...SEMPRE!

Natal é sempre que o Homem quizer... mas não tenhamos ilusões: NATAL É ALGO QUE TERÁ DE NASCER NO CORAÇÃO DOS HOMENS DE BOA VONTADE... DEIXANDO DE SER UMA MERA OPERAÇÃO MERCANTILISTA, UM PERÍODO EM QUE SE CONVIDAM AS PESSOAS A DAR LARGAS AO SEU ESPÍRITO DE BENEMERÊNCIA, COMPRANDO E OFERECENDO TUDO E MAIS ALGUMA COISA, COMO SE LIMPASSEM CONSCIÊNCIAS DE UM ANO EM QUE HOUVE APENAS E TÃO SÓ EGOÍSMOS, FALTAS DE SOLIDARIEDADE, PROMESSAS VÃS DE PROPÓSITOS NÃO CUMPRIDOS!
Natal é a festa dos simples, daqueles que ainda vêem na Família a base em que assenta a verdadeira sociedade que deseja apenas e tão só a felicidade de todos os seus membros. No Natal somos convidados à partilha solidária e não ao consumismo desenfreado que tem sido uma constante neste jardim da Europa à beira mar plantado que se chama Portugal!
Em Tancos, nos tempos da Base Aérea 3, o Natal era mesmo a festa da Família Militar que nos orgulhávamos de ser! Era um período de convívio fraterno entre todos os Militares e Civis, não faltando a chegada do Pai Natal, que podia vir de avião, helicóptero ou de... carro! O que importava era o espírito criado entre todos, a alegria das crianças, as guloseimas da época, as prendas que o velho das barbas brancas trazia lá da Lapónia distante... bastando que houvessem tido o cuidado de se comportar como deve ser, dizia ele, enquanto piscava o olho, pois trazia tudo o que era necessário para fazer os miúdos felizes.
Como eram felizes esses Natais da Base! Como nos deixam nostalgia bem sentida, porque sabemos que não mais será possível viver esse espírito... porque a Base Aérea nº. 3 já não faz parte do património aeronáutico do País, e não creio que o Exército viva essa data com a mesma alegria com que o fazia o pessoal da FAP, habituado que estava a andar mais perto de Deus, quando cruzava os céus de Tancos.
Mesmo assim...
FELIZ NATAL... FELIZ ANO NOVO... BOAS FESTAS!!!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

REFLEXÃO...

Brasão da antiga Base Aérea nº. 3
...
Com o início do Advento, com esta vaga de frio que nos tolhe os movimentos e com as saudades daqueles tempos em que, por imperativo da solidariedade a que o Natal nos convida, lançava mãos à tarefa de preparar as Festas do Nascimento de Jesus, procurando levar um pouco de alegria a cada um daqueles que na Base davam cumprimento à missão que lhes estava atribuída no seio da Força Aérea, eis que dou comigo a recordar esses tempos, com muita saudade.
Mas hoje, até pelo facto de a Base Aérea ter sido passada a "patacos" para as mãos ávidas dos Páraquedistas, que obtiveram assim completa vitória sobre a Força Aérea na vingança que lhes faltava por causa daquele malfadado dia 25 de Novembro. Alguns poderes públicos mais ligados a essas coisas à esquerda da política portuguesa, estavam ansiosos por conseguir encerrar a BA3... e esta foi oferecida de mão beijada àqueles que a haviam atacado tempos antes.
Mas falo de Advento, logo será meu propósito falar de Natal. Na Base era uma tradição que sempre foi respeitada. E claro que também as crianças eram lembradas. Havia festa rija, com a chegada do Pai Natal, distribuição de lembranças, um lauto muito animado lanche... além de que também se fazia um jantar de Natal para todos os Militares e Civis e famílias. Através dos tempos ficaram na memória as ofertas de Natal de enxovais para os filhos dos Miliares e Civis da Base, nascidos nesse ano.
Muitas vezes me pergunto sobre a razão que esteve subjacente ao encerramento de uma Base cheia de tradições, que era a mais antiga das Unidades existentes em Portugal, pois mesmo sendo a nº. 3 ela foi a nº. 1, pois foi a que primeiro iniciou as suas actividades aéreas, após a sua criação, uma vez que a BA1 instalou-se numa granja que teve que ser adaptada para servir de Base, a BA2 foi construída de raiz e a BA3 instalou-se onde já havia uma estrutura pertencente ao Batalhão de Aeroestateiros do Exército.
Foi um regresso às origens, ao fim e ao cabo, a entrega da Base ao Exército... com o senão de haver sido malbaratada uma fortuna na resselagem da pista, na construção de infraestruturas diversas, na montagem de sistemas ILS, VOR e outros, que orçaram em largos milhares... deitados ao lixo, como soe dizer-se. E depois há que acabar com certos e determinados direitos dos Militares, para fazer face à falta de vil metal para comprar melões, desculpem, de dinheiro para que as Forças Armadas funcionem sem sobressaltos.
Que importa às Chefias se o pessoal fica bem ou mal? Se estão mal... vão embora que a gerência agradece. Direitos? Qual quê? O Militar não tem direitos, pois é um escravo do País. Há quem tenha sofrido nas Guerras do Ultramar? "Porque não ficaram todos lá" ? - perguntarão os nossos diletos governantes, que até nem à "tropa" terão ido!
O poder político de hoje ignora as Forças Armadas, sabemos que sim, deixando ao abandono aqueles que deram o melhor de si mesmo ao serviço do País, pois deixaram lá a juventude, a saúde, anos de vida não vivida em plenitude, vieram diminuídos nas suas capacidades ou simplesmente dentro de um caixão, quando vieram, pois muitos ficaram com as suas tumbas espalhadas e ao abandono um pouco por toda aquela África que falava português.
Nos dias de hoje, neste tempo de Advento, apenas podemos pedir ao Menino Deus, nascido há 2008 anos em terras da Galileia, que nos dê a Sua Paz e aos homens que governam a terra a lucidez necessária para praticarem a Justiça de uma forma justa e coerente.
SAIBAMOS ESTAR ATENTOS... O SENHOR VIRÁ NA SUA GLÓRIA E TRARÁ COM ELE JUSTIÇA E PAZ OPARA AS NAÇÕES, QUE NELE CONFIAM!

sábado, 22 de novembro de 2008

O 25 DE NOVEMBRO DE 1975...

Figuras... ou figurões do 25 de Novembro?
...
... o que foi, o que representou... quem venceu?
Poderá dizer-se que Portugal teve aqui a grande oportunidade para experimentar aquilo que uma guerra civil poderá fazer pelo bem estar de um povo, e estou ciente de que as Forças Armadas terão vivido um dos períodos mais negros da sua história, provocado pela situação de indisciplina que grassava em muitas Unidades e que era devidamente fomentada pelo Partido Comunista através da acção de alguns militares/militantes, que do partido recebiam e transmitiam instruções precisas para que fosse conseguido o caos nas fileiras, utilizando-se para tanto os famosos SUV (Soldados Unidos Vencerão) e outras marionetes.
Ouvem-se muitas opiniões sobre aquilo que foi o 25 de Novembro, mas eu sei bem o que foi, porque vivi a data num local previlegiado, em camarote à boca de cena, pelo facto de haver estado de serviço de escala, como Comandante da Guarda, de 24 para 25 de Novembro, sendo, inclusivé, detido pelos "Paras" que assaltaram e tomaram a Base Aérea nº. 3.
Ao dar-se a substituição de alguns comandantes militares e a dissolução da Base-Escola de Tropas Pára-quedistas, de Tancos, decretada pelo Conselho da Revolução, acendeu-se o rastilho capaz de fazer "detonar" o 25 de Novembro. Devidamente "embrutecidos" e manipulados pela acção de alguns (poucos) Oficiais e Sargentos, os Pára-quedistas da B.E.T.P partiram para a ocupação das Bases Aéreas 3, de Tancos, 2, da OTA , 5, de Monte Real, 6, do Montijo, A.T.1, na Portela, GDACI, em Monsanto, sendo convenientemente "ajudados" por via da "heróica" acção de uns tantos militares "revolucionários", daqueles que, infelizmente, proliferavam nas várias Unidades, Direcções e Serviços, enquanto as "disciplinadas" tropas do Ralis trataram de tomar as convenientes posições estratégicas para fazerem o controle das vias de comunicação de acesso a Lisboa.
Na manhã do dia 25 de Novembro de 1975, na sequência de uma decisão tomada pelo Chefe do Estado Maior da Força Aérea, General Morais da Silva, que havia mandado passar à disponibilidade, alguns dias antes, cerca de 1000 Soldados Paraquedistas, da B.E.T.P. de Tancos, os camaradas destes assaltaram e ocuparam o Comando da Região Aérea, em Monsanto, e seis outras Unidades da Força Aérea. Prenderam então o General Aníbal de Pinho Freire e exigiram a imediata demissão do CEMFA, Morais da Silva.
Tal acto foi considerado, pelos Militares do Grupo dos Nove, como um indício de que poderia estar a ser preparado um golpe de estado, com certeza originado nos sectores mais radicais da esquerda. Os Militares do Grupo dos Nove foram apoiados pelos partidos políticos mais moderados, como o PS e PPD, e logo que o Presidente da República, General Francisco da Costa Gomes veio a conseguir obter, da parte do PCP, a promessa de que não seriam convocados os militantes e apoiantes do partido, visando qualquer acção de rua, decidiram então intervir militarmente, procurando controlar definitivamente o destino político deste país.
O presidente da República teve necessidade de decretar o estado de sítio.
Os planos militares de quem comandava os revoltosos do 25 de Novembro seriam fracos? Nem por sombras, se atentarmos que qualquer militar menos dado a estas coisas da estratégia sabe que a ocupação do Comando Operacional da Força Aérea e das principais Bases Aéreas operacionais não é tarefa ao alcance de um qualquer. Tratava-se de um plano bastante inteligente... que até poderia ter feito pender a balança do poder para a esquerda pró-comunista.
Convenhamos que estando a principal força militar - o Exército - maioritariamente dominada pelos moderados, só com o desequilíbrio dos outros ramos das Forças Armadas - a Marinha e a Força Aérea - conseguiriam poder obrigar o Exército a um realinhamento com a esquerda, para impedir uma eventual acção deste mesmo Exército para a reposição da ordem no País.
A tomada do comando da Força Aérea e das principais bases significou, "apenas", que se subtraíra ao Exército o seu principal apoio. E não nos podemos esquecer de que a Marinha - nomeadamente os fuzileiros - se sentiam "livres" para participar numa acção ao lado dos radicais.
Quem ganhou? O POVO PORTUGUÊS, NATURALMENTE!

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

OUTROS TEMPOS...

A Base Aérea nº. 3 , durante a sua "vida" dedicada às coisas da Aeronáutica, foi uma Unidade dotada de um carisma que a tornava diferente de todas as outras... sem falsas modéstias.
Talvez esse carisma fosse uma espécie de íman, que atraía tudo o que de bom ou mau lhe veio a acontecer, ao longo dos tempos.
Bem poderia estar para aqui a recordar as histórias da Maria Cachucha, como já aqui foram recordadas passagens da vida "gloriosa e profundamente fantástica" do famoso 1º. Cabo Bento Pinto, tal como seria interessante o falar-se de algumas das páginas magníficas que referem os aviões e outras coisas de voar que cruzaram os ares de Tancos, a partir da Base.
Mas uma das coisas que ainda me está atravessada na garganta é aquele cobarde ataque perpetrado por alguns "heróis" de antanho que, porque um avião custaria tanto como um copo de três bebido na "Aringa" ou na Praia, toca a dar cabo de meia dúzia deles, porque à dúzia é mais barato.
Um dos celebrados terroristas foi o "heróico" Piloto de helicópteros, formado naquela mesma B.A.3, de seu nome Ângelo Manuel Rodrigues de Sousa, que também usava os pseudónimos de "Tavares" ou "Miguel". Era um natural de Espinho, onde nasceu em 1948 e veio a falecer em 1990. Casado com Fernanda Castro, era pai da Sara, da Rute e da Raquel. Por causa da sua participação na acção da Acção Revolucionária Armada, foi procurado pela PIDE, com fotografia na televisão, jornais e postos de todas as polícias. Passou à clandestinidade de Março de 1971 a 25-04-74. Tinha ligação à ARA desde Agosto 70. Participou na sabotagem na Base de Tancos, em 8-3-71, e no corte da electricidade na eleição do Presidente da República Américo Tomás (8-72). Foi Empregado bancário.
Outro dos terroristas que deu cabo dos aviões, e até foi condecorado pelo facto, pertence actualmente ao Partido Socialista... e chama-se Raimundo Pedro Narciso e nasceu em 1938, em Torres Vedras. Trata-se de um senhor casado e que tem dois filhos. Estudou engenharia no Instituto Superior Técnico, em Lisboa. Aderiu ao PCP e andou vários anos na clandestinidade, de 1964 e 1974. Nessa situação integra a Acção Revolucionária Armada (ARA), tendo pertencido ao Comando Central de 1970 a 1974.
A ARA não terá sido criada para derrubar o regime fascista, mas algumas das suas acções fizeram estrondo, com bombas e sabotagens. A mais espectacular foi aquela que aconteceu a 8 de Março de 1971 com um "ataque" à Base de Tancos, onde sabotaram todas as aeronaves que se encontravam estacionadas no Hangar. Em 1989 afastou-se do Partido Comunista e foi um dos fundadores da Plataforma de Esquerda, em 1990. Este "herói" foi eleito deputado do PS em 1995 e é, actualmente, gestor de empresas.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

O SÃO MARTINHO NA BA3

Estando a Base a dois passos mal medidos da Golegã, parecia mal que a malta, que até gostava bastante daquele pitéu maravilhoso que se chamava "Bife à Central", não gostasse também de ir à Feira da Golegã, ou de São Martinho, aproveitando a oportunidade para se abastecer de nozes, passas de uva ou figos secos, já para não falar nas ferramentas utilizadas na lavoura ...e não só.
Por conseguinte, não havia "bicho careta" que não soubesse cantar o "Fado da Golegã", que afirmava, convicto:
"Óh Golegã...
...loiças e barros,
ferros e carros,
nozes e vinho!
Óh Golegã...
...és a primeira
terra toureira
que vai à feira
de São Martinho!"
Muitos aproveitavam o ensejo para trazer as famílias até à feira, para que estas pudesses gozar os prazeres da boa mesa, das "pingas" bastante generosas, para além de comprarem alguns haveres necessários para as festividades do Natal, que não tardaria aí.
Nas Messes, a gerência fazia questão em assinalar esta efeméride, servindo aos comensais as belas castanhas assadas ou cozidas, com o respectivo "tintol" a acompanhar, seja o tinto da região ou a jeropiga de ocasião. É engraçado, mas este sinal já era dado desde tempos muito recuados, tornando-se uma tradição... que alguém veio a quebrar ao resolver fechar a BA3. São coisas que ficaram para sempre no subconsciente daqueles que nesta Unidade viveram horas belíssimas das suas vidas. E nem se torna necessário recuperar as quadras do António Mourão:
"Óh tempo, volta p'ra trás,,,"
Para a posterioridade, apenas nos restará cantar:
"São Martinho vai chegar,
nozes, castanhas e vinho!
Vamos todos celebrar...
...é Dia da São Martinho!
***
Abre a pipa óh Beatriz,
que eu quero ficar feliz!"

terça-feira, 4 de novembro de 2008

RESSONÂNCIAS DE UM ALMOÇO...

No passado dia 25 de Outubro, conforme o programado pela Comissão Organizadora, realizou-se o VII Encontro-Convívio do pessoal Militar e Civil - e famílias - que estiveram ao serviço da Força Aérea na antiga Base Aérea nº. 3, que funcionou em Tancos. O evento ocorreu no complexo turístico da Quinta da Ponte da Pedra/Restaurante Palmeira, na Vila Nova da Barquinha e contou com cerca de duas centenas e meia de convivas, que antes assistiram a uma Eucaristia em Acção de Graças pela efeméride - 87º. aniversário da Unidade - e em sufrágio pelas almas de todos os Militares e Civis já falecidos.
Considerando o facto de haver outras realizações marcadas para a mesma data, em especial uma sessão solene da Associação da Força Aérea Portuguesa, para além do momento de crise que se verifica um pouco por toda a parte, o número de participantes foi bastante positivo.
Pena é não se chegar a entendimentos quanto às datas dos eventos que se vão realizando pelo País, promovidos por Militares, pois constata-se não serem respeitadas as datas correspondentes ao "Dia da Unidade" da maioria dessas Unidades, especialmente das que foram sediadas no antigo Ultramar.
A Base Aérea nº. 3 tem quase toda a sua história centrada no mês de Outubro, porque foi fundada em 27 desse mês, no ano de 1921, como Esquadrilha Mista de Treino e Depósito. Nesse dia aterraram nela, pela primeira vez, dois aviões Caudron G-3, pilotados pelo Capitão Ribeiro da Fonseca, que foi o 1º. Comandante da Unidade, e o Capitão Luis Gonzaga. Em 1927, no dia 28 de Outubro, passou a designar-se como Grupo Independente de Aviação de Protecção e Combate - Grupo de Caça. No dia 30 de Outubro de 1939 passou a designar-se, oficialmente, como Base Aérea nº. 3.
Esta a razão porque o Encontro/Convívio se realiza sempre no que foi o "Dia da Unidade" na BA3.
O próximo evento deverá realizar-se no dia 24 de Outubro... esperando-se que não haja coincidência nas datas que venham ser marcadas para outras assembleias de Militares.
A Comissão gostaria de dar pública informação de que não ficou satisfeita com aquilo que a austeridade obrigou a "cortar" em termos de programação. Para a próxima pretende-se ressarcir os participantes, dando-lhes novos aliciantes que os motivem a estar presentes. Isso fazem questão de honra!
Também não houve a resposta esperada ao pedido de material capaz de ser exposto para dar a todos os presentes uma ideia do que foi o percurso da Base nos seus muitos anos de vida. Para o próximo evento estaremos dispostos a fazer essa exposição, para a qual iremos pedir o apoio ao Arquivo Histórico da Força Aérea, ao Museu do Ar e à revista Mais Alto. E vamos continuar a contar com o apoio daqueles que estiveram na BA3 e que tenham objectos daquela que foi, é e será sempre o objecto da nossa saudade.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

ANGÚSTIA PARA O... ALMOÇO

» Desde há alguns anos que esta imagem tem outro colorido, outro significado, outros protagonistas... mesmo que estes continuem a ser "tropas páraquedistas", se bem que integrados no Exército, como sempre desejaram... ou não!
» A Base Aérea nº. 3, que outrora funcionou em Tancos, havia sido fundada em 27 de Outubro de 1921, como Esquadrilha Mista de Treino e Depósito. No dia 27 próximo, ela teria a bonita idade de 87 anos, o que é uma idade bonita em qualquer circunstância.
» Não sei bem o sentimento que hoje estaria no coração dos dois pioneiros daquela Unidade, os Capitães Ribeiro da Fonseca e Luis Gonzaga, que pilotaram os primeiros aviões Caudron G-3 que ali aterraram pela primeira vez nesse mesmo mês de Outubro, no histórico dia 27. Certamente teriam ficado desgostosos por verem a "sua" Unidade "tomada" pelos vizinhos do lado, que sempre viram aquele espaço como coisa sua, pois "a Aeronáutica não passava de uma coisa criada para lazer de gente da alta, que eram esses pilotos todos pipis se pavoneavam junto das garotas, porque conseguiam voar com os passarinhos ", no dizer das gentes do Exército.
» Fosse assim ou assado, a história mostra ter havido uma certa inveja das gentes de Engenharia, Infantaria e Companhia porque os "passarinhos" usavam uma farda diferente, tinham um estatuto junto da sociedade que não lhes era extensivo, comiam do bom e do melhor, enquanto eles se tinham de contentar com o velho e tradicional "casqueiro" e as ementas da Manutenção Militar. Ainda que os "Páras" tivessem o mesmo tratamento que os Especialistas, cedo germinou neles a ambição da independência... a par de uma certa tendência para subverter alguns valores que estavam subjacentes na sua criação. A lealdade passou a ser utopia, para muitos homens da Boina Verde, pois aderiram a ideias partidárias não consentâneas com a condição de Militares de Élite. Dentro de um mês, a 25 de Novembro, comemora-se uma página triste da história dos Páraquedistas... que viram a sua deslealdade ser contemplada com a atribuição da Base Aérea 3 como um prémio pelos seus ataques às outras Unidades da Força Aérea.
» O almoço convívio que reúne os que serviram na BA3, militares ou civis, não pretende ser mais que um momento de recordação de tempos imemoriais passados dentro daquelas paredes. Jamais será um almoço de angústias, porque estas não existem. Comemora-se o aniversário da Unidade e lembram-se todos aqueles que nela serviram, mas que já partiram para outra missão na "Base do Paraíso", convocados pelo Comandante Chefe das Forças Aladas Celestiais. É por isso que ousamos convidar a estar presentes todos os que algum dia passaram a Porta d'Armas daquela que se orgulhou em ter como divisa "RES NON VERBA", porquanto sempre se pautou pelos actos e não tanto pelas palavras.

sábado, 11 de outubro de 2008

OVNIS SOBRE O CASTELO DE BODE?


Na Base Aérea nº. 3, por muito que se diga o contrário, nunca andaram marcianos à solta nem se viram astronaves de Júpiter a espiar aquela Unidade, pese embora terem nela existido algumas das mais sofisticadas máquinas de guerra que alguma vez cruzaram os céus portugueses. Estou a falar dos celebrados Hawker Fury, os JU-52, os Morane-Saunier, os Hurricane, os T-6... não liguém, pois estava a brincar com coisas sérias.
O caso que relato foi um acontecimento verificado à vertical da Barragem do Castelo de Bode, em 17 de Junho de 1977. Sobre o possível avistamento de um OVNI, deixou a palavra ao então Furriel Piloto Francisco Rodrigues.
"Andava a escolher em que núvem havia de se meter" quando viu algo escuro, muito escuro, no meio de uma, que contrastava com as restantes, que eram esbranquiçadas; nesse momento deveria estar à vertical daquilo que julga ser uma subestação da Barragem.
Afirmou o Furriel Rodrigues ter pensado ser um avião de carga que andasse a fazer um "voo por instrumentos" e acreditou que "aquela mancha escura" poderia ser, talvez, o nariz do radar, apesar de já haver deduzido que o nariz do avião era muito pequeno relativamente àquela fuzelagem que tinha pela frente.
Iniciou então uma volta pela esquerda, ao mesmo tempo que contacta a torre a perguntar se haveria "tráfego" naquela zona. Informado negativamente, solicitou que da torre fosse contactado BATINA (radar) e averiguassem a existência de qualquer actividade aérea não identificada naquela área. Foi informado que não havia nada a registar, continuando a sua volta pela esquerda até completar 315º.
Foi então que viu surgir um objecto com cerca de 6 metros, que se apresentava pelas 11 horas. Nesta altura, aquilo que lhe parecia ser a metade inferior daquele "corpo", que talvez tivesse uns 12 a 15 metros de comprimento, tornara-se bastante bem visivel, enquanto a parte superior se mostrava encoberta pelas nuvens, parecendo que estava parado ou a deslocar-se a uma velocidade bastante reduzida.
Esteve a observar aquela coisa durante cerca de 3 segundos, o suficiente para verificar que era escuro, quase preto, tinha saliências que poderiam ser janelas, possívelmente três, quatro ou cinco de côr branca-amarelada e que "não eram transparentes".
O furriel José Francisco Rodrigues pensa que o objecto terá partido a grande velocidade, uma vez que, num ápice , deixou de o vêr. Segundo afirmou, numa fracção de segundo houve vários acontecimentos, quase em simultâneo: enquanto observava o OVNI e ao fim de cerca de três segundos, o DO-27 entrou em "perda"! Por palavras suas, a aeronave entrou "numa picada incontrolável", deixando assim de ver o "fenómeno". O piloto julga que a "picada" terá sido provocada, muito provavelmente, devido a uma falha dos filetes de ar na asa, porque o motor manifestou fortes vibrações, que provocaram a "perda do avião", totalmente fora das suas características.
A falta de sustentação da DORNIER foi de tal ordem que o furriel Francisco afirmou:
"pensava não me safar daquela vez". E prosseguiu " ...activei os comandos no sentido de recuperar o avião sem que este reagisse; cheguei, inclusivé, a activar, cruzando os comandos na tentativa de recuperar, levando o manche à frente; porém, o avião atingiu rapidamente os 140 e, de seguida, os 180 nós. Tentei novamente a recuperação da picada, o que finalmente consegui, já muito perto do solo. Penso mesmo que cheguei a tocar nas árvores ali existentes; por sua vez o Gyro (Giroscópio Direccional Electrico) enlouqueceu, porque, quando recuperei, apresentava um desfazamento de 180 graus em relação à bússula ; isto é, depois de ter recuperado reparei que me dirigia para Norte e não para Sul".
Desta observação foi feito
relatório preliminar, que foi enviado ao Estado Maior da Força Aérea.
Houve algumas pessoas que testemunharam, a partir do solo, que o avião fazia um ruído tremendo e parecia cair em "folha morta".
Quando o piloto regressou à Base Aérea nº. 3, foi submetido a exames médicos, concluindo-se que estava em perfeito estado de saúde. Como lhe competia, elaborou um relatório onde reportou o sucedido ao Estado Maior da Força Aérea. Alguns colegas do jovem piloto ainda insinuaram que o Furriel José Francisco teria visto a Barragem de Castelo de Bode de cabeça para baixo, mas este contrapôs, de forma veemente: "Não sou doido ! Se tivesse efectuado um voo invertido, com certeza que teria espetado na cabeça os quatro parafusos que estão salientes no teto do avião".
PERGUNTO: Foi OVNI? Foi alucinação? Foi "peta"? Quem souber explicar que o faça, porque eu não sei, não vi, não estive presente no avião... apenas sabendo e acreditando convicto que o Xico Rodrigues não mentiu... e viu qualquer coisa!

domingo, 5 de outubro de 2008

O ANIVERSÁRIO DA B.A.3

* Faltam poucos dias para que aquela que foi a Base Aérea nº. 3 passe mais um aniversário... agora como uma infra-estrutura do Exército, que ali vai gozando as mordomias que a Força Aérea por lá deixou.
* Não vale a pena chorar pelo leite derramado, pois o que passou é história e aquela que ali foi vivida pela Aeronáutica, inicialmente, e pela FAP, à posteriori, pode ser considerada como um relevante serviço prestado à Pátria em geral e à causa do ar em particular.
* Foi naquela Base que a Aviação de Caça se prestigiou grandemente, como atesta o galgo ostentado no seu brasão! E a sua divisa "RES NON VERBA" - Actos e não palavras - dá cabal resposta àquilo que seria o carácter dos Homens que a serviram!
* NO DIA 25 DE OUTUBRO ESTAREMOS TODOS - OS QUE SENTEM SAUDADES DA BASE AÉREA Nº. 3 - EM FRATERNO CONVÍVIO, RECORDANDO AS PERIPÉCIAS VIVIDAS NA SUA BASE! SERÁ UM DIA EM QUE VÃO DESFIAR RECORDAÇÕES, REVER AMIGOS E MATAR UM POUCO AQUELAS SAUDADES QUE VÃO SENDO CADA VEZ MAIS SENTIDAS POR TODOS NÓS.
* AS INCRIÇÕES PARA O ALMOÇO - A REALIZAR NO RESTAURANTE DA QUINTA DA PONTE DA PEDRA - ESTÃO A DECORRER EM BOM RITMO.
* ESTIVESTES NA B.A.3... PORQUE ESPERAS PARA TE INSCREVER? CONTACTA PELOS TELEFONES 219 264 511 OU 937 033 257. VEM PARTICIPAR NO ANIVERSÁRIO DA BASE AÉREA Nº. 3.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

REZA... QUE NÃO HÁ VERBA!

* Em tantos anos de existência, a Base Aérea nº. 3 foi palco previlegiado de vários acontecimentos, de histórias mais ou menos picarescas, em que se ria, chorava, admirava ou simplesmente se lamentavam tais acontecimentos, porque saíam um pouco fora daquilo que se convencionou ser passível de acontecer num meio castrense.
* Uma das histórias que sempre me fizeram sorrir passou-se com o falecido 1º.Cabo Bento Pinto e está relacionada com a criação do Museu do Ar, que muito lhe custava acreditar ser para mostrar a história da Aviação Portuguesa, desde os tempos pioneiros até aos dias mais recentes que então se viviam. E perguntava muito, pretendia saber se também estariam representadas pessoas no Museu, sobre o que elas tinham sido no contexto militar, sobre quais os seus feitos para o engrandecimento da Força Aérea...
* Falava então dos seus tempos de "tropa" nos Açores, como viera parar a Tancos, o que tinham sido esses tempos em que tudo era difícil, do facto de agora ser uma pessoa importante na Base, pois era ele quem determinava o princípio e o fim das actividades, sendo uma das pessoas que mais ajudavam os Comandantes nas tarefas quotidianas. Na realidade... era ele quem tocava a sirene para o início e o fim das actividades.
* O Cabo Xico, também já falecido, ia gozando com ele e lembrava-lhe que só o "Barracas" podia ter estofo para o aturar.
* O "Barracas" era nem mais nem menos que o Capitão Neves, o celebrado "Tinhôr do cachimbinho", que estava à frente das Oficinas Gerais, na EMI. E veio a ser este Capitão Neves quem magicou a história do Museu do Ar com o Bento Pinto, logo que soube do interesse deste nas actividades de tal espaço museológico. Assim, com a conivência do Centro de Comunicações e da Secretaria do Comando, inventou a história de estar o Museu do Ar interessado em criar uma galeria para exibir personagens que tivessem história feita na Força Aérea.
* Tinham pensado em mandar fazer as figuras em Londres, mas era uma coisa que iria ficar bastante cara e sabia-se que a FAP estava conforme a divisa da Base Aérea 3 : "REZA QUE NÃO HÁ VERBA". O nosso Cabo, que de latim apenas se habituara ao que o Padre dizia na Missa, mesmo não entendendo nada, associou esta tradução ao RES NON VERBA que se lia por debaixo do emblema. Então era isso!
* Só não compreendia porque estava o Capitão "Barracas" com tanto paleio! Podia dizer-lhe o que queriam dele! Foi mandado à Secretaria do Comando, onde lhe entregaram uma cópia da mensagem do Estado Maior, que era do seguinte teor:

"FIM DOTAR MUSEU AR CMM SEU ACERVO HISTÓRICO CMM COM FIGURAS REPRESENTATIVAS CLASSES OFICIAIS CMM SARGENTOS E PRAÇAS CMM TENHAM SERVIDO FORÇA AÉREA COM DEDICAÇÃO E ENTREGA CAUSA DO AR CMM SOLICITA-SE ESSA BASE INDIQUE CONDIÇÕES PCABO SG BENTO PINTO DOAR CORPO PARA EMBALSAMAR, FIM EXPOR MUSEU PD".

* Perguntaram quanto é que ele queria pela doação do corpo ao Museu... mas ele precisava de um dia ou dois para saber o que a mulher pensava de tudo isto. Disseram-lhe haver pressa, porque também havia o Rita Morais, da BA2 - OTA, muito interessado em doar o corpo... e ele apenas tinha apenas 4 meses de diferença na antiguidade, o que nem era relevante... mas poderia levar a que ele viesse a perder a oportunidade de conseguir um dinheirinho.
* O Bento foi então perguntar à mulher, esta pediu parecer à patroa, a esposa do 1º. Comandante, Cor. Rosa Rodrigues, que lhe disse não saber de nada mas que ia saber e depois informava.
* Foi desta forma que o Comandante teve de ser convencido a entrar na brincadeira. Confirmou a informação e disse que o Rita Morais pedira 20 contos pelo seu corpo, mas que o General Cunha Cavadas, da direcção do Museu, não se importava de dar até 15 contos pelo Bento.
* O Bento, depois de conversar com a mulher, resolveu entregar mais barato ainda, para garantir ser o eleito, só que o Rita baixou para 10, depois resolveu entregar de borla, ficando o Bento uma azia tremenda! "REZA QUE NÃO HÁ VERBA... E EU, PARVO, JÁ DEVIA SABER ONDE ME VIM METER ! COM UM LEMA DESTES... REZA QUE NÃO HÁ VERBA... SE NÃO FOSSE O PORCO DO RITA MORAIS... DE BORLA..."

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

MILITARES, ONTEM E HOJE


* Há momentos na vida em que nos apetece reflectir, pensar sériamente o que tem sido a nossa participação societária no mundo que nos rodeia... e damos connosco a perguntar ao nosso subconsciente qual a razão porque nos acontecem determinadas coisas, do que não sabemos dar resposta.
* Na Força Aérea, quando saía a famigerada Ordem de Serviço da Direcção do Serviço de Pessoal, o coração batia desordenadamente a muitos de nós, pela expectativa de haver uma nomeação para África... especialmente quando era a Guiné, o Norte de Angola ou de Moçambique a caír em sorte aos desafortunados.
* É assim que, com a devida vénia se retirou do Jornal "BADALADAS" o artigo "Militares, ontem e hoje", no pretérito dia 12 de Setembro, da autoria do ilustre Advogado António Martins Moreira, que foi Alferes Milº. de Infantaria na CART 1690 - que serviu na Guiné:

- "Assistimos há dias, pelas estações de TV, ao regresso de um grupo de sessenta militares de uma missão no Afeganistão, no âmbito da NATO. Vinham sob o comando de um tenente-coronel.
Chegaram satisfeitos e felizes ao aeroporto militar de Figo Maduro, com a sensação do dever cumprido, tendo a recebê-los, com a visível grande alegria, justificada, as respectivas famílias e, certamente, 'alguma alta patente' do Exército.
Relataram, até à exaustão, o seu enorme sacrifício, no qual, durante os seis meses que durou a missão, até chegaram a sofrer uma emboscada do IN (Talibãs), que lhes causou dois feridos ligeiros! Estes militares, quando destacados para estas missões no estrangeiro, com maior ou menor risco, são sempre voluntários e ganham bem.
Há cerca de um ano, com mandado das Nações Unidas, foi também destacado para a reconstrução do Líbano, na sequência de mais uma guerra com Israel, um contigente português de engenharia, composto por cento e vinte homens, comandado por um tenente-coronel de engenharia. Na despedida e regresso, nestes e noutros similares, sempre o mesmo folclore em Figo Maduro, com generais e ministros a saudar e felicitar os nossos militares.
Reconheço, o que aliás é público e notório, que as nossas Forças Armadas, em missões no estrangeiro (e também cá dentro), sempre se comportaram com elevado sentido de serviço público, com nobreza de carácter e galhardia, com um carinho especial para com a população que encontram nos vários teatros onde actuam, assim dignificando e elevando bem alto o bom nome e o prestígio do nosso país.
Mas para as centenas de milhares de veteranos da chamada Guerra Colonial, ainda vivos, muitos deles a morrer à míngua pelas nossas aldeias mais recônditas, este aparato, esta encenação e este folclore constituem, em última análise, uma provocação, um insulto e uma humilhação gratuita. Ao contrário dos actuais expedicionários, os nossos veteranos de guerra, salvo uma ou outra excepção, nunca foram voluntários para a guerra.
Foram obrigados a combater contra os nossos irmãos africanos, que lutavam pela sua dignidade e independência, e partiam com um saco cheio de nada, com 'prés' de miséria, para teatros de operações totalmente adversos. Estes não se ofereceram, mas quando a pátria os chamou, tudo largaram para a servir e apresentaram-se, aos magotes, vindos em autocarros ou em combóios, para as portas de armas dos quartéis de incorporação, nas datas designadas.
Para trás deixavam as famílias, as enxadas, os campos, as fábricas, os escritórios ou os bancos das universidades (os que iam para oficiais) e só voltavam passados cerca de três anos, sendo um de treino e dois de comissão. Naquele tempo, raramente se via uma alta patente nos embarques e desembarques.
Um grupo de sessenta homens nunca era comandado por um tenente-coronel, que comandava um batalhão composto por cerca de oitocentos homens, sendo certo que para comandar sessenta homens bastava um alferes que, com frequência, comandava uma companhia, com cerca de cento e oitenta a duzentos homens efectivos. A pátria actualmente trata de forma condigna os seus militares, com uma atenção às vezes até excessiva e ridícula.
Aos veteranos da Guerra Colonial olha-os com desprezo, finge que não existem, como se constituíssem um fardo que tarda a desaparecer, ao contrário dos países civilizados, como os EUA, a França, a Inglaterra, a Bélgica, que os tratam com o respeito e a consideração adequados. Enfim, tempos diferentes e mentalidades diferentes."

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

COISAS QUE ACONTECEM...

* Numa Unidade de instrução, como era a Base Aérea nº. 3, havia acontecimentos que estariam um pouco para lá do que se poderia classificar como "normais", dadas as características, os protagonistas e o impacto desses mesmos acontecimentos sobre a comunidade Militar e Civil que por ali laborava.
* Uma ocasião, numa determinada recruta a mancebos destinados ao Serviço Geral, o Primeiro Sargento Baltazar notou que havia um determinado Recruta que tinha dificuldades em marchar, arrastando os pés com sinais de algum sofrimento.
* O Primeiro Sargento, como lhe competia, chamava a atençao do rapaz para esse facto: - "Senhor 47... vamos lá a acertar esse passo e a levantar os pés! Não quero vêr os pés arrastados!"
* O Recruta bem se queixava que tinha uma bolha nos pés... que não aguentava mais as botas... que tinha os pés em sangue, mas sem resultado.
* Novamente o Baltazar: "Vamos lá a acertar o passo, senhor 47, senão acerto-lhe um pontapé no trazeiro que vai parar a Lisboa!"
* Resposta pronta do Recruta: "Senhor Primeiro... por favor um pouco mais devagar que eu sou de Vila Franca!".
* Numa outra ocasião, o Primeiro Cabo Bento Pinto, da EMI, foi apanhado pelo Sargento Zé Maria, dos Combustíveis, a tirar gasolina da bomba, que ficava frente à Esquadrilha de Transportes. Porque havia um contencioso entre eles, o caso chegou aos ouvidos do 1º. Comandante, ao tempo o Coronel Tirocinado Rosa Rodrigues, que mandou chamar o Bento Pinto ao gabinete. Assim que ele chegou, mostrou-lhe a lata cheia de combustível e perguntou-lhe:
- "Ouça lá, nosso Cabo! Pode explicar o que é isto??"
- "Sabe, Comandante... o Zé Maria não me grama e arranjou esta para me tramar!" - responde o Bento Pinto.
- "Mas a lata é tua ou não é, óh Bento?" retrucou o Comandante
- "É, mas só escorripichei o que estava na mangueira... e se está cheio não sei como foi!" - desculpou-se o Bento.
- "Não sei se foi assim ou não... mas para que precisas da gasolina? Não tens carro ou motorizada..."
- "Pois não!" - diz o Bento Pinto de chofre - "É que isso é para o meu isqueiro!"
- "Teu isqueiro? Desde quando fumas? Nunca te vi um isqueiro!" - admira-se o Comandante.
- "Mas tenho-o aqui, Comandante!" - diz o Cabo Bento, tirando do bolso um isqueiro daqueles de mecha e pederneira... que nem precisa de gasolina.
* O Comandante sorriu... e lá mandou o Bento Pinto em paz, recomendando-lhe que não voltasse a ter um deslize daqueles.
* Outra ocasião, quando um Recruta ia à Enfermaria para uma consulta médica, vai para fazer a continência a um Tenente que passava, mas, vendo aproximar-se um Major, que se apresentava do outro lado, levanta os dois braços, em simulâneo ... fazendo continência aos dois Oficiais.
* Há muitas outras histórias para serem recordadas, mas para tanto será preciso voltar a este post, o que farei com todo o gosto... porque sei que não basta ser titular do blog, é também preciso alimentá-lo, acarinhá-lo, protegê-lo... e isso é não só a minha obrigação, como minha devoção.

sábado, 6 de setembro de 2008

RECORDANDO A BASE...

  • O Aeródromo Militar de Tancos foi activado em 1919, com a instalação da Esquadrilha Mista de Depósito, transferida para ali, vinda de Alverca. Em 1921 torna-se a sede da primeira unidade operacional de aviação de caça portuguesa, a Esquadrilha de Caça Nº 1. Com a criação da Força Aérea Portuguesa em 1952, o aeródromo passou para a tutela deste ramo, já como base aérea. Em 1993 o aeródromo é transferido para o Exército Português, operando como base de tropas paraquedistas. Ao longo da sua história a base teve as seguintes denominações e funções:
    Na Aeronáutica Militar (Exército Português):
    1919: Instalação da Esquadrilha Mista de Depósito (EMD);
    1920: Inauguração oficial do Campo de Tancos, onde continua sedeada a EMD;
    1921-1927: Campo de Tancos, sede da Esquadrilha de Caça Nº 1;
    1927-1938: Campo de Tancos, como sede do Grupo Independente de Aviação de Protecção e Combate - Grupo de Aviação de Caça, equipado com aviões Morane Saulnier 3/MS 133; Em 01 de Dezembro de 1937, recebe o primeiro Estandarte, sendo Comandante o então Major PilAv Francisco Higino Craveiro Lopes;

    1938: Base Aérea de Tancos, como base de aviação de caça;
    1938-1952: Base Aérea Nº 3, como base de aviação de caça;
    Na Força Aérea Portuguesa:

    1952-1955: Base Aérea Nº 3, como base de aviação de caça;
    1955-1993: Base Aérea Nº 3, como base de aviação de ligação, transporte e treino de tropas paraquedistas. Sai da alçada da Força Aérea e passa para o Exército;

    No Exército Português:
    1993: Base Aérea de Tancos, como base de aviação ligeira, transporte e treino de tropas paraquedistas.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

ASSIM SE FEZ HISTÓRIA...

* Naquele dia 11 de Março de 1975, fui protagonista, involuntário, de mais uma daquelas cenas de que o PREC foi tão pródigo! Entrei de serviço de escala, na Base Aérea nº. 3, no dia 10, pelas 10H00. Durante a noite a Unidade esteve numa situação de prevenção simples, em razão das convulsões previstas pelo antagonismo dos agricultores e de algumas células mais activas do Partico Comunista. A zona de Rio Maior estava num estado de prontidão a aguardar, nas barricadas, a tão propalada investida dos senhores da Reforma Agrária, que andavam a fazer a ocupação das terras. Os agricultores de Rio Maior estavam decididos: - "Aqui eles não põem os pés!".
* Pela madrugada foi solicitada autorização para abertura do portão da Porta d'Armas, para entrada de um jeep que transportava Pilotos, que iriam fazer uma evacuação sanitária. Com aval do Oficial de Dia, abriu-se o portão e os pilotos entraram, sem problemas. Passado um bocado, a viatura do 1º. Comandante apresenta-se na Porta d'Armas, transportando um "idoso" apresentado como "pai" do Comandante, que ia ser evacuado. Porque era o Comandante, entrou sem mais perguntas, dirigindo-se, acto contínuo, para o edifício da Torre de Comando. Passados que são alguns minutos, já há "hélis" no ar e levantam logo depois dois aviões T-6, sendo um deles pilotado por um Capitão vindo da BA7 - Aveiro e o outro por um Major da BA3.
* Entretanto entraram na Unidade grupos de Militares... trajando à civil, munidos de armas de diversos tipos. Alguns foram-se fardando, aos poucos, havendo outros que apenas envergaram casacos de camuflado, mas também dispunham de armas.
* Em determinado momento foi lido, por um Oficial da Base, um documento elaborado pelo General Spínola. Falava de uma "Matança da Páscoa" que estaria a ser preparada por guerrilheiros Sul-Americanos de inspiração comunista, que se encontravam sobre protecção do Regimento de Artilharia de Lisboa - o célebre RALIS. Dizia-se no documento que já estaria em Lisboa uma força de Tropas Páraquedistas, que iriam tomar o covil dos "assassinos" para fazer valer a ordem no seio das Forças Armadas.
* Porque a Unidade continuou na situação de "prevenção", fui para o Clube ouvir as notícias sobre os acontecimentos... mas não era Rio Maior e as barricadas a merecer o destaque, mas sim o ataque aéreo ao RALIS, que havia provocado um morto - o Soldado Luís - e danos avultados nas infra-estruturas do aquartelamento. Os Paraquedistas estavam a dialogar com o Major que estava a dar a cara pelo RALIS, com o consequente aproveitamento partidário, claro.
* Na altura em que o General Spínola se apercebeu estar a perder a "batalha", dirigiu-se a um dos helicópteros e... foi a fuga para Espanha. Na Base, aproveitando o momento, deram a cara, pela primeira vez, os famigerados SUV (Soldados Unidos Vencerão), que trataram de arrombar as bagageiras dos carros estacionados junto à Torre de Comando, de onde tiraram inúmeras armas de tipo variado. Apenas nessa altura a BA3 viu aquilo que acontecera: Foi usada para que pudesse dar-se um pouco de verdade ao programa preconizado pelo MFA para este País: DEMOCRATIZAR...
* O tempo mostrou que democratizar não é feito com um estalar de dedos, pois tem de haver um verdadeiro espírito nas mentalidades... e não é por acaso que o Zé Povinho diz que "BURRO VELHO... NÃO APRENDE LÍNGUAS"!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

A CONQUISTA DA BOINA AZUL

Boina Azul... Boina Azul...
...te conquistei!!!
Nesta vida, para sempre
Te usarei!!!
**
Foi um sonho...
arrebatador... encantador!!!
A tua cor e a tua fita
têm valor...
***
...Boina Azul... Boina Azul...
...te conquistei!!!
Nesta vida, para sempre
Te usarei!!!
**
Para sempre...
em delírio, cantarei:
Boina Azul... Boina Azul...
...te conquistei!
Música de "CO'ME PRIMA"
Adaptada por Victor Elias

A CAMINHO DE ÁFRICA

Em dia do Juramento de Bandeira
***
No momento da partida, os Homens da Força Aérea não esqueciam a Base onde se formaram Soldados da Pátria.
***
Adeus, B.A.3 querida...
Adeus, vou-te deixar...
E levo, dentro do peito,
a doce esperança de cá voltar!
***
Coragem, não esmoreças,
e não te entregues à tua dor...
pois levas dentro do peito
a linda imagem de um grande amor!
***
Terras de Tancos, falai se pode ser...
dizei se ainda, a B.A.3 torno a ver...
Óh, que ventura, se cá tornar a vir...
Adeus, óh B.A.3! Adeus que vou partir!

Música de CAVIAR
Letra de ARAÚJO

domingo, 27 de julho de 2008

..."HONRAI A PÁTRIA..."

Coroa de flores no Monumento aos Mortos
...e eles honraram a Pátria e por ela se deram em holocausto da vida!
Passados que são 35 anos sobre a morte de três jovens em Guidaje, no norte da Guiné-Bissau, eis que regressaram, finalmente, da missão da sua vida! O José Lourenço, o António Vitoriano e o Manuel Peixoto podem, finalmente, descansar dos perigos da missão que os levou para os caminhos da guerra, pois regressaram à Pátria Mãe.
Vieram de uma terra que tinham aprendido ser parte inquestionávelmente inseparável de Portugal. Vieram de uma terra que sentiam ser uma filha de Portugal, mas uma filha rebelde, voluntariosa, que pretendia separar-se da mãe, pois queria a independência!
Quantos filhos conhecemos nós que pretendem emancipar-se dos pais e usam de mil e um estrategemas para o conseguir? Os territórios ultramarinos estão dentro desse conceito e o que resulta nas situações de incompatibilidade e troca de mimos é, muitas das vezes, o corte de relações entre pais e filhos... até que ambas as partes voltem a dialogar. Em África também houve injustiças, angustias, queixas, alegrias, tristezas, agressões de toda a ordem, como se de uma relação pai/filho se tratasse.
Por causa dessas agressões... quantas vidas, como as destes três pára-quedistas, foram para sempre ceifadas lá por terras de África? Quem pode justificar o que aconteceu? O Povo, como sempre, seja preto, branco ou amarelo, sofre a falta de diálogo entre todos. Será que temos de maldizer a hora em que o Infante virou os olhos para o mar... quando viu a grandeza de um Povo mostrar-se à transparência das águas dos oceanos?
Houve falhas no relacionamento entre a Metrópole e os seus territórios ultramarinos, convenhamos que é verdade, mas, repito:- alguma vez viu uma relação pais/filhos que não tivesse momentos de tensão? É deste modo que se cresce e se prepara o caminho para o momento importante em que os filhos se vão separar dos pais, sem recriminações recíprocas nem azedumes serôdios, mas com aquela cordialidade e urbanidade que provém do amor!
É nos momentos de tristeza, como este da chegada das ossadas dos três valorosos Soldados Pára-quedistas, que acabamos por interpelar o nosso EU mais profundo e pretendemos uma resposta para tudo aquilo que foi o nosso percurso na defesa da Pátria naqueles inóspitos territórios de África. Hoje defendem-se interesses de outras Nações, a troco de remunerações apenas imagináveis para os que defenderam Portugal em África. Bem armados e equipados, os novos Soldados, quais mercenários a soldo, vão defender os interesses de quem lhes pagar melhor... ou pouco faltará para que assim seja. Valerá menos a vida daqueles Portugueses, Pretos, Brancos ou Amarelos, que viviam na Guiné, em Angola, em Moçambique e em todos os outros locais onde outrora flutuou a Bandeira das Quinas, que as vidas dos Kozovares, Sérvios, Croatas, Azéris a quem as Forças Armadas Portuguesas com tanto empenho... que até merece que se repita a Comissão? É que, quando era para o Ultramar...
"vão para o ar condicionado encher-se, e esta já é a 4ª. Comissão...",
dizia-se depreciativamente. Não interessava o facto de então se estar a zelar pela vida de Portugueses! Estes, para os detractores, não contavam!
Mas... valeu a pena? "Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena"... e a alma dos verdadeiros Portugueses é enorme, infinita!
VE

quarta-feira, 23 de julho de 2008

AMADORA NA HISTÓRIA DO AR...

- A História da aviação nacional começa precisamente na Amadora, e de uma forma algo sui generis. Em 1912, após a euforia da proclamação da República, a Amadora atravessava uma época de desenvolvimento sócio-cultural muito particular. Um ano antes, havia recebido a visita de Brito Camacho, membro do Governo, e nesse ano de 1912 era inaugurado o edifício dos Recreios Desportivos, acontecimento de relevo na vida social e cultural amadorense.
- A 7 de Julho de 1912 realizou-se o famoso “Concurso de Papagaios”, evento que iria marcar o início da aventura aeronáutica. Organizado pelos Recreios Desportivos nos terrenos do Casal do Borel, a prova contou com a participação de destacadas figuras da sociedade de então, sendo o nome de Aprígio Gomes talvez o mais conhecido. E para atestar a seriedade da iniciativa, note-se que faziam parte do júri dois membros do Aero-Clube de Portugal, que avaliaram provas de altitude, estabilidade, levantamento de pesos, ângulo e tracção.
- Foi em 26 de Janeiro de 1913 que se avistou o primeiro avião a cruzar os céus da Amadora. Numa iniciativa da Liga de Melhoramentos da Amadora, o francês Alexandre Théophile Sallés parte do hipódromo de Belém e aterra nos terrenos do Casal do Borel, partindo parte considerável do aeroplano, bem como o hélice, na aterragem, perante uma considerável multidão. Nada que fizesse desmobilizar o entusiasmo da população. Com o apoio da fábrica de espartilhos Santos Mattos, ao fim de oito dias o aeroplano estava pronto a levantar voo.
- Em 1917, realiza-se na Amadora o 1.º Festival Aéreo e em 1919, o Grupo de Esquadrilhas de Aviação República (GEAR) instala-se na Amadora, nos terrenos onde funciona actualmente a Academia Militar. Durante cerca de um quarto de século, é da Freguesia da Amadora que partem algumas das mais importantes viagens da aviação nacional. Destas, há a destacar a tentativa de ligação à Ilha da Madeira, por Sarmento Beires e Brito Pais, em 1920; a viagem do Pátria a Macau, com Brito Pais, Sarmento Beires e Manuel Gouveia, em 1924; o voo a Goa, com Moreira Cardoso e Sarmento Pimentel, em 1930; o voo de Carlos Bleck e Humberto da Cruz à Guiné e Angola, em 1931 e a viagem de ida e volta do Dilly, a Timor, com Humberto da Cruz e António Lobato, em 1934.
- Após anos de entusiasmo pelo pioneirismo da aviação, e de avanços tecnológicos importantes ao nível dos aparelhos, termina finalmente em 1938 a ligação da Amadora à aviação nacional. Razões de organização da Aeronáutica Militar, a par com a exiguidade e deficiências da pista de terra batida ali existente, determinaram a extinção do Grupo de Aviação de Informação n.º 1 – como passara a ser designado o GEAR – cujo pessoal e material seriam transferidos para Tancos

segunda-feira, 14 de julho de 2008

A BASE AÉREA DA SAUDADE...

* Na sequência de uma reformulação do dispositivo territorial da Força Aérea, a Base Aérea Nº 3, em Tancos, é extinta e as suas instalações transferidas para o Exército (Decreto-Lei 128/94, de 19 de Maio). As infra-estruturas da ex-BA3 passam a ser o aquartelamento do CTAT/BAI (presentemente designado CTAT Unidade Territorial). Com a criação do Grupo de Aviação Ligeira do Exército (GALE) e a sua instalação em Tancos durante o ano de 2000, as instalações da ex-BA3, designadas Aeródromo Militar de Tancos passam a ser partilhadas pelo CTAT e pelo GALE.
* Não vamos agora dissecar o que foi a história da Base Aérea que tinha por símbolo o Galgo, a lembrar a sua vocação como Unidade de Aviação de Caça. Durante muitas dezenas de anos foram formados milhares de Homens para o serviço da Força Aérea, quer na vertente Pilotos Aviadores ou Navegadores, quer ainda como Polícia Aérea, Condutores Auto, Clarins, Amanuenses, Cozinheiros, Telefonistas e tantas outras especializações que foram sendo tornadas necessárias para o cabal desempenho da Missão que estava cometida à Força Aérea.
* A vocação do então Ministro da Defesa, Fernando Nogueira, para desarticular as Forças Armadas, lançando as Unidades no caos do encerramento, está patente no modo como reduziu efectivos e, simultâneamente, encerrou a Base Aérea 3, o Corpo de Tropas Páraquedistas e o Regimento de Comandos. Também as Oficinas Gerais de Material Aeronáutico, em Alverca, deixaram de ser pertença da FAP, passando a gestão civil. Já anos antes a Força Aérea havia sido amputada da que foi em tempos a Base Aérea nº.7, sita em S. Jacinto - Aveiro, que havia passado a AM antes de ser reduzido à sua expressão mais ínfima: ENCERRADO!
* Mas... vá lá que deram uma contrapartida com a entrega do Campo de Tiro de Alcochete à FAP, que não consegue apagar a saudade daquelas paredes onde tantos ajudaram a construír a nossa Força Aérea.
* Nos anais da história, jamais se apagará aquela divisa que, com orgulho, foi feita brilhar em pleno pelos que alguma vez demandaram Tancos, através do Portão 2 das Madeiras ou do Portão 1 do Bairro de Oficiais. As horas passadas no JP-4, no Monte D. Luís, no Chorafome, junto ao portão do Seival, serão sempre uma recordação indelével dentro de cada um de nós, que aprendemos a gostar daquele rincão de terra onde apenas havia MATO E HOMENS EM ARMAS... mas também sentimentos indescritíveis, que as saudades fazem ressaltar!

terça-feira, 1 de julho de 2008

DIA DA FORÇA AÉREA PORTUGUESA

* Hoje, dia 1 de Julho de 2008, a Força Aérea Portuguesa celebra o seu 56º Aniversário. No âmbito das Comemorações, tem estado patente ao público, desde 21 de Junho, uma Exposição Aeronáutica levada a cabo na ilha de São Miguel, em Ponta Delgada, junto ao Forte de S. Brás. As manhãs da EXPOFAP contam sempre com a presença assídua de grupos de crianças que, num misto de curiosidade e alegria, aproveitam para visitar os stands em presença e conhecer as aeronaves da Força Aérea.
* Como em anos anteriores, as actividades radicais têm despertado a atenção dos mais pequenos, que não hesitam em experimentar a parede de escalada ou o rappel. Mas as demonstrações de cães militares têm sido também o alvo de muita afluência, e jovens e adultos assistem, com um sorriso nos lábios, às brincadeiras e simulações de ataque praticadas entre os treinadores e os seus cães.
* Nos eventos da Força Aérea, a Patrulha Acrobática Asas de Portugal marcou mais uma vez a sua presença, rasgando os céus de Ponta Delgada, Santa Maria e Santa Cruz das Flores a velocidades de meter respeitinho.
* A Força Aérea Portuguesa foi criada em 1 de Julho de 1952, constituindo-se como ramo independente, em paralelo com o Exército e com a Armada e integrando as aviações incorporadas naqueles ramos.
* A Força Aérea é uma parte integrante do sistema de forças nacional e tem por missão cooperar, de forma integrada, na defesa militar da República, através da realização de operações aéreas, e na defesa aérea do espaço nacional. Compete-lhe, ainda, satisfazer missões no âmbito dos compromissos internacionais, bem como nas missões de interesse público que especificamente lhe forem consignadas.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

HERÓIS DAS ALTURAS

*
Os briosos cavaleiros dos céus
-para cujo saber não há labéus,
voando nos avões barulhentos,
sempre ao sabor do azimute,
em voos suaves ou turbulentos,
a sua audácia não se discute.
Mesmo correndo graves perigos,
enquanto olham pelos postigos,
prestam serviços fundamentais
aos que sofrem as agruras da guerra
e palmilham os caminhos infernais
para segurança das pistas em terra.
Bravos pilotos, em voo sobre as savanas,
transportam as boas notícias mundanas
e os alimentos que já escasseiam
sempre prontos, no perigo e na missão,
nas ondas do vento se balanceiam
atentos aos instrumentos do seu avião.
São homens...heróis lá nas alturas,
que nos merecem eterna gratidão;
ajudam a minorar as amarguras
dos soldados que vivem no sertão.
j
in
( Diário de um combatente-Abril 1967)
tirado da net

segunda-feira, 23 de junho de 2008

A SAUDADE FALA...

para melhor leitura clica em cima do texto
Um Poema de
Victor Manuel Elias

domingo, 22 de junho de 2008

RES NOM VERBA - Sempre!!!

O GALGO - símbolo da caça e da B.A.3

* - Alguém disse, um dia, referindo-se à Base Aérea nº. 3, que esta apenas seria importante enquanto fosse uma Unidade composta por pessoas importantes.
* - Creio que esse alguém teria razão no raciocínio expandido.
* - Sabemos e acreditamos que a BA3 jamais se apagará da memória daqueles que a procuraram honrar e souberam fazer dela uma Unidade diferente, procurando dar a todos aqueles que, um dia, ultrapassaram os seus portões, a exacta noção do sentido do Dever cumprido para com a Pátria e para consigo mesmo, contribuíndo de uma forma indelével para o prestígio e engrandecimento da Força Aérea.
* - E onde se situava a Base Aérea nº. 3, pergunta-se, depois que alguém decidiu encerrá-la?
* - Procura-se não caír na tentação fácil de voltar a tecer loas de engrandecimento da Base e da sua área de implementação, mas sempre direi que não se torna necessário fazê-lo, porquanto os poetas têm-se comprazido em cantar toda a magnificência do local, que é um verdadeiro hino à natureza. Mas bastaria uma razão para o não fazer, mesmo havendo a tal ajuda poética dos nossos vates, ao longo dos tempos: É que foi naquele mesmo espaço, onde outrora a Força Aérea formou milhares de Homens em armas e com "asas", visando o cabal cumprimento da Missão Primária que estava cometida à FAP, que funcionou, a partir de 1888, um Batalhão de Aeroestatação Militar, querendo isto dizer que foi ali, naquele mesmo local, que os Militares portugueses lançavam os seus balões de ar quente.
* - Com o Decreto nº. 16.134, de Novembro de 1918, criou-se a Direcção de Aeronáutica e a Escola Militar deb Aeronáutica, que a partir de 1920 começou a funcionar em Sintra - Granja do Marquês. O mesmo Decreto criou a Esquadrilha Mista de Treino e Depósito, que a partir de 1921 passou estar situada em Tancos, com a designação de Esquadrilha de Caça. Com a criação da Arma de Aeronáutica, passou a funcionar em Tancos o Grupo Independente de Protecção e Combate. Em Tancos manteve-se em actividade, até 01 de Janeiro de 1939, o Grupo de Caça, mudando então o nome para BASE AÉREA DE TANCOS. No dia 30 de Outubro de 1939, a Unidade adoptou oficialmente o nome que, orgulhosamente, ostentou até à data do seu encerramento BASE AÉREA Nº. 3.
* - Mas... a resposta pedida era para a pergunta: ONDE SE SITUAVA A BASE AÉREA Nº. 3?
E a resposta é simples de dar: Estava situada junto ao Rio Tejo, mesmo ao pé do Templário Castelo de Almourol, numa zona luxuriante que é conhecida como "Polígono de Tancos". Nesse Polígono funcionam algumas Unidades Militares, como o Batalhão de Ponteneiros de Engenharia, a Base de Tropas Paraquedistas, a Escola Prática de Engenharia... e agora, na antiga BA3, o Grupo de Aviação Ligeira do Exército (GAL).
* - É caso para dizer: o bom filho à casa torna, pelo que o retorno do Exército àquela Unidade era de prever, depois que os Páraquedistas transitaram da Força Aérea para aquele Ramo das Forças Armadas.
MAS A BASE AÉREA Nº. 3 É ETERNA, NA MEMÓRIA DAQUELES QUE NELA SERVIRAM, COM ORGULHO!